{"id":29891,"date":"2022-10-09T17:17:28","date_gmt":"2022-10-09T20:17:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.tiabeth.com.br\/?p=29891"},"modified":"2022-10-09T17:19:32","modified_gmt":"2022-10-09T20:19:32","slug":"historias-que-provam-que-o-diabetes-pode-ser-mais-perigoso-quando-nao-levado-a-serio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.tiabeth.com.br\/index.php\/2022\/10\/09\/historias-que-provam-que-o-diabetes-pode-ser-mais-perigoso-quando-nao-levado-a-serio\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias que provam que o diabetes pode ser mais perigoso quando n\u00e3o levado a s\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29894\" src=\"https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"654\" srcset=\"https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro.jpg 1000w, https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro-768x502.jpg 768w, https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro-150x98.jpg 150w, https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro-696x455.jpg 696w, https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro-642x420.jpg 642w, https:\/\/www.tiabeth.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/monstro-741x486.jpg 741w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>Paulo desleixou-se e correu o risco de amputar parte do p\u00e9, Manuel perdeu o controle e acabou com insufici\u00eancia renal, Liliana e Pedro ficaram cegos por causa da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cDesleixei-me e, como se costuma dizer, paguei caro\u201d, conta Paulo Matos, 58 anos, enquanto sobe, determinado, um lance de escadas. De sapatos ortop\u00e9dicos e passada confiante, ningu\u00e9m diria que, at\u00e9 maio do ano passado, n\u00e3o conseguia usar cal\u00e7ado fechado. \u201cIsto n\u00e3o foi nenhuma brincadeira, sobretudo tento em conta a minha idade\u201d, assegura.<\/p>\n<p>Diagnosticado com diabetes tipo 2 h\u00e1 19 anos, atrav\u00e9s de an\u00e1lises de rotina, o assistente t\u00e9cnico de avia\u00e7\u00e3o civil fiou-se no sil\u00eancio dos sintomas e na progress\u00e3o lenta, caracter\u00edsticas deste tipo da doen\u00e7a, vivendo 17 anos naquilo que define como \u201cum desleixo total\u201d. Deixou a medica\u00e7\u00e3o, evitou a realiza\u00e7\u00e3o frequente de an\u00e1lises, n\u00e3o teve particulares cuidados com a alimenta\u00e7\u00e3o nem com o controlo regular do valor das glicemias, \u201cque chegaram a estar nos 240 em jejum, quando deveriam estar abaixo de 100\u201d.<\/p>\n<p>Tudo mudou em agosto de 2019, quando o que come\u00e7ou como um corte, aparentemente insignificante, no dedo grande do p\u00e9, transformou-se, de um dia para o outro, \u201cnuma coisa de outro mundo, cheia de pus\u201d. A infe\u00e7\u00e3o no dedo come\u00e7ou a alastrar, fazendo inchar o peito do p\u00e9, e os m\u00e9dicos s\u00f3 descansaram ao perceber que, pelo menos, ainda havia circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>\u201cO que leva a estas complica\u00e7\u00f5es nos p\u00e9s \u00e9 uma conjuga\u00e7\u00e3o de fatores que tem que ver com o facto de as art\u00e9rias irem ficando cada vez mais estreitas, como se fosse um processo de arteriosclerose acelerada\u201d, explica o diretor cl\u00ednico e pedag\u00f3gico da Associa\u00e7\u00e3o Protetora dos Diab\u00e9ticos de Portugal (APDP), Jo\u00e3o Raposo. O m\u00e9dico refere que o chamado p\u00e9 diab\u00e9tico \u00e9 uma das consequ\u00eancias da diabetes n\u00e3o controlada e sublinha que o facto de o sangue n\u00e3o chegar ao p\u00e9 t\u00e3o facilmente dificulta tamb\u00e9m a ativa\u00e7\u00e3o dos mecanismos de cicatriza\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 infe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-large wp-post-image lazyloaded\" src=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889-1600x1067.jpg\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" srcset=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889-1600x1067.jpg 1600w, https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889-960x640.jpg 960w, https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889.jpg 1920w\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1067\" data-src=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889-1600x1067.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889-1600x1067.jpg 1600w, https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889-960x640.jpg 960w, https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB__5889.jpg 1920w\" data-sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Paulo Matos, 58 anos, descuidou da diabetes tipo 2, o que transformou um corte no p\u00e9 numa grande infe\u00e7\u00e3o &#8211; Lu\u00eds Barra<\/figcaption><\/figure>\n<p>De fato, para eliminar o pus e fechar a ferida, Paulo precisou de dois meses a antibi\u00f3ticos, em repouso absoluto, e mais cinco de visitas di\u00e1rias \u00e0 APDP, onde fazia o penso, ainda sem garantias de n\u00e3o perder o dedo. \u00c9 que, por vezes, como explica Paulo Amado, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina e Cirurgia do P\u00e9, se a situa\u00e7\u00e3o evoluir para uma infec\u00e7\u00e3o profunda, atingindo os planos \u00f3sseos, \u201ch\u00e1 necessidade de tratamento cir\u00fargico, com amputa\u00e7\u00f5es de partes do p\u00e9 ou at\u00e9 de todo o p\u00e9\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-pullquote\">\n<blockquote><p>A opera\u00e7\u00e3o reduz as consequ\u00eancias tardias da diabetes, como a cegueira, a insufici\u00eancia renal, a neuropatia e as doen\u00e7as isqu\u00eamicas card\u00edaca e cerebral<\/p>\n<p><cite>RUI RIBEIRO, CIRURGI\u00c3O METAB\u00d3LICO NA CL\u00cdNICA DE SANTO ANT\u00d3NIO, LUS\u00cdADAS, NA AMADORA<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p>Um ano e meio, oito quilos perdidos e dois fechos falsos mais tarde, Paulo acredita que, finalmente, a ferida ter\u00e1 cicatrizado sem l\u00edquido dentro e que poder\u00e1 voltar ao trabalho e \u00e0s caminhadas, que tamb\u00e9m ajudar\u00e3o a manter os valores da glicemia controlados. \u201cFiz ontem an\u00e1lises e est\u00e1 tudo bem, at\u00e9 me deram os parab\u00e9ns. Mudei alguns h\u00e1bitos alimentares, pico o dedo todos os dias e as an\u00e1lises passaram de anuais a semestrais, mas a medica\u00e7\u00e3o com dois antidiab\u00e9ticos, para regular tamb\u00e9m o colesterol, \u00e9 muito importante\u201d, conta, assegurando: \u201cA diabetes tem muito que ver com a rotina, e isso ditar\u00e1 o futuro, para o bem ou para o mal. N\u00e3o foi uma quest\u00e3o pontual que me trouxe at\u00e9 aqui.\u201d<\/p>\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>Quando os rins n\u00e3o aguentam mais<\/strong><\/p>\n<p>Rotina, ou falta dela, foi tamb\u00e9m o que conduziu Manuel Subtil at\u00e9 \u00e0 cl\u00ednica de hemodi\u00e1lise que frequenta h\u00e1 um m\u00eas e meio. Ainda que a diabetes e o excesso de peso sejam recorda\u00e7\u00f5es do passado, gra\u00e7as a uma cirurgia metab\u00f3lica realizada h\u00e1 dez anos, os rins parecem ter sido de tal forma fustigados que acabaram por n\u00e3o aguentar. \u201cCheguei a ter mais de 300 de glicemia, mas o problema \u00e9 que a pessoa tem estes valores e n\u00e3o sente absolutamente nada. \u00c9 uma doen\u00e7a que faz mal, mas n\u00e3o d\u00f3i, \u00e9 silenciosa.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_1764853\" aria-describedby=\"caption-attachment-1764853\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1764853\" src=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_DT-ManuelSubtil-3-1600x1067.jpg\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" srcset=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_DT-ManuelSubtil-3-1600x1067.jpg 1600w, https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_DT-ManuelSubtil-3-960x640.jpg 960w\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1067\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1764853\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Subtil. Foto: Diana Tinoco<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um sil\u00eancio que, ao longo de 20 anos, levou Manuel, primeiro, a ter de tomar insulina tr\u00eas vezes por dia e, depois, a submeter-se \u00e0 cirurgia metab\u00f3lica, com a qual perdeu 35 dos 104 quilos que tinha, tendo estabilizado a diabetes. Esta solu\u00e7\u00e3o, explica o cirurgi\u00e3o metab\u00f3lico Rui Ribeiro, destina-se aos casos mais dif\u00edceis, de pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade de grau 2 ou 3, \u201cem que os antidiab\u00e9ticos orais t\u00eam dificuldade em controlar as glicemias\u201d.<\/p>\n<p>Embora, na maioria dos casos, como aponta Rui Ribeiro, \u201ca opera\u00e7\u00e3o reduza claramente as consequ\u00eancias tardias da diabetes, como a cegueira, a insufici\u00eancia renal, a neuropatia e as doen\u00e7as isqu\u00eamicas card\u00edaca e cerebral\u201d, no caso de Manuel, apesar de ter conseguido estabilizar a doen\u00e7a, abandonar a insulina e os antidiab\u00e9ticos orais, a fun\u00e7\u00e3o renal j\u00e1 se encontrava comprometida. \u201cO mal estava feito, j\u00e1 n\u00e3o ia a tempo. Adiei o mais que pude, mas sabia que a hemodi\u00e1lise seria inevit\u00e1vel, porque os m\u00e9dicos iam-me dizendo que j\u00e1 s\u00f3 tinha 60%, e depois 30%, da capacidade renal.\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-pullquote\">\n<blockquote><p>Se a glicemia, a tens\u00e3o arterial e os lip\u00eddios estiverem controlados, \u00e9 poss\u00edvel diminuir a gravidade das complica\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p><cite>CATARINA COLEHO, ENDOCRINOLOGISTA DO HOSPITAL DE CASCAIS<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p>Jo\u00e3o Raposo esclarece que as complica\u00e7\u00f5es da diabetes se dividem essencialmente em problemas dos grandes e pequenos vasos. \u201cNos pequenos vasos, al\u00e9m da retinopatia, que leva \u00e0 cegueira, e da neuropatia, a doen\u00e7a dos nervos perif\u00e9ricos, que d\u00e1 altera\u00e7\u00f5es da sensibilidade, temos a nefropatia, que leva \u00e0 insufici\u00eancia renal.\u201d O problema das les\u00f5es nos vasos sangu\u00edneos pelo excesso de a\u00e7\u00facar em circula\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, como observa o endocrinologista M\u00e1rio Rui Mascarenhas, \u201cque o sangue circula por todo o lado, levando oxig\u00e9nio e nutrientes atrav\u00e9s das art\u00e9rias que, ao ficarem lesadas, v\u00e3o lesar outras estruturas, nomeadamente os nervos que enervam os m\u00fasculos, a pele e os \u00f3rg\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a endocrinologista Catarina Coelho, cerca de 40% das pessoas com diabetes acabam por desenvolver complica\u00e7\u00f5es tardias. No entanto, \u201cse a glicemia, a tens\u00e3o arterial e os lip\u00eddios estiverem controlados, e forem feitos os rastreios devidos, \u00e9 poss\u00edvel diminuir esta percentagem, bem como a gravidade das v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es\u201d, garante a m\u00e9dica.<\/p>\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>O efeito devastador das m\u00e1s rotinas<\/strong><\/p>\n<p>Tudo o que Pedro Roma, 34 anos, n\u00e3o fez. Pedro sofreu de diabetes tipo 1 dos 5 aos 27 anos, idade em que acabou por ser submetido a um transplante do rim e do p\u00e2ncreas. Ao contr\u00e1rio da diabetes tipo 2, que se deve a uma resist\u00eancia das c\u00e9lulas \u00e0 a\u00e7\u00e3o da insulina, a de tipo 1 \u00e9 provocada por uma destrui\u00e7\u00e3o precoce do p\u00e2ncreas, de origem indeterminada, e, muitas vezes, autoimune \u2013 que, como indica Jo\u00e3o Raposo, faz com que as pessoas por ela afetadas sejam necessariamente insulinodependentes, para conseguirem manter a doen\u00e7a compensada.<\/p>\n<p>\u201cNa altura, tomava uma insulina de longa dura\u00e7\u00e3o, \u00e0 noite, e depois outra de manh\u00e3\u201d, conta Pedro, afirmando nunca ter deixado esta forma de controlo da doen\u00e7a, mas revelando que a adolesc\u00eancia traria uma s\u00e9rie de outros descuidos, que se repetiriam ao longo dos 11 anos seguintes. \u201cNo 6\u00ba ano, entrei num caf\u00e9 que vendia gomas, comprei-as, comi-as e vi que n\u00e3o me acontecia nada, que a subida do a\u00e7\u00facar acabava por diminuir por eu ser muito mexido. E achei que conseguia controlar a coisa dessa forma. Foi algo irracional e, ao mesmo tempo, uma necessidade de querer ser normal.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, aos 20 anos, Pedro comia \u201co dobro de uma pessoa normal\u201d, come\u00e7ou a fumar e a beber bebidas alco\u00f3licas e, aos 21, trabalhava horas atr\u00e1s do volante de um cami\u00e3o, \u201csem hor\u00e1rios nem rotinas para a insulina\u201d. A fraqueza que sentia e os 35 kg que entretanto perdeu, deixando-o com 1,70 m e 43 kg, n\u00e3o o impediram de trabalhar mais um ano. At\u00e9 que, uma manh\u00e3, sem aviso, tudo mudou: \u201cSa\u00ed de casa e senti um clique na cabe\u00e7a, como um el\u00e1stico a rebentar. Aos 23 anos, a neuropatia diab\u00e9tica, juntamente com um glaucoma, tinha acabado de me rebentar os nervos \u00f3ticos. E deixei de ver.\u201d<\/p>\n<p>Anos de excessos e n\u00edveis de glicemia elevados levaram \u00e0quilo que M\u00e1rio Rui Mascarenhas define como \u201cles\u00e3o das pequeninas art\u00e9rias da retina, que, a pouco e pouco, provocam a destrui\u00e7\u00e3o de estruturas que fazem parte da nossa vis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">\n<p><figure id=\"attachment_1764805\" aria-describedby=\"caption-attachment-1764805\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1764805\" src=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_MB-Casal-diabetico-06-1600x1067.jpg\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" srcset=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_MB-Casal-diabetico-06-1600x1067.jpg 1600w, https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_MB-Casal-diabetico-06-960x640.jpg 960w\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1067\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1764805\" class=\"wp-caption-text\">O n\u00edvel elevado de glicemia no sangue pode conduzir \u00e0 perda de vis\u00e3o, como aconteceu a Liliana e a Pedro. Foto: Marcos Borga<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Liliana Costa, atual companheira de Pedro, tamb\u00e9m perdeu a vis\u00e3o devido a uma diabetes tipo 1 mal controlada. No caso desta jovem de 38 anos, o problema n\u00e3o foi a falta de rotina, o abandono da insulina ou o desleixo \u2013 que, ali\u00e1s, nunca pautaram o modo como tratou a doen\u00e7a desde que foi diagnosticada, aos 9 anos \u2013, mas sim o resultado de uma gravidez que se tornou agressiva. \u201cN\u00e3o tinha o menor controlo nos valores da glicemia: t\u00e3o depressa estavam altos como baixos. Tinha picos, em que sentia mesmo a diabetes fora de controlo e n\u00e3o conseguia fazer nada, nem com a alimenta\u00e7\u00e3o, nem com as caminhadas\u201d, recorda. A subida descontrolada da glicemia acabaria por ditar o fim da gravidez, a perda de 90% da vis\u00e3o e o desenvolvimento de uma insufici\u00eancia renal que a obrigou a fazer di\u00e1lise peritonial durante dois anos, ap\u00f3s a qual, tal como Pedro, foi sujeita a um transplante do rim e do p\u00e2ncreas. \u201cFoi como ser atropelada tr\u00eas vezes por um cami\u00e3o. Aconteceu-me tudo muito depressa.\u201d<\/p>\n<p>O transplante que livrou o casal da diabetes \u00e9, segundo Jo\u00e3o Raposo, \u201cuma cirurgia complicada, que necessita de equipas muito treinadas e pode registar alguma fal\u00eancia no tempo de vida do transplante\u201d. \u201cOs transplantados, infelizmente, t\u00eam um prazo\u201d, concorda Liliana, admitindo: \u201cDe qualquer forma, agora temos uma vida normal, sem restri\u00e7\u00f5es alimentares diferentes das outras pessoas ou necessidade de medir glicemias. Quando o fazemos, \u00e9 mesmo mais por uma quest\u00e3o de curiosidade ou descargo de consci\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Reformados por invalidez, Liliana e Pedro tiveram, entretanto, aulas de mobilidade, aprenderam regras de seguran\u00e7a na cozinha, passaram a usar computadores com voz e, gra\u00e7as ao c\u00e3o-guia Madrid, ganharam ainda mais independ\u00eancia. \u201cTivemos de abrir, de novo, a janela para o mundo, que se estava a fechar com esta perda de vis\u00e3o\u201d, afirma Liliana.<\/p>\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>O equil\u00edbrio resulta em saldo positivo<\/strong><\/p>\n<p>Quem nunca chegou a fechar a janela para o mundo foi Jo\u00e3o Nabais, que reconhece mesmo: \u201cA diabetes ajudou-me a abrir portas.\u201d O professor universit\u00e1rio, de 52 anos, tem diabetes tipo 1 desde os 12 e \u00e9 o exemplo vivo de que controlo e equil\u00edbrio permitem \u00e0s pessoas que t\u00eam diabetes levar uma vida normal. Ao longo de 40 anos de conviv\u00eancia com a doen\u00e7a, Jo\u00e3o passou das seringas de vidro \u00e0s de pl\u00e1stico e usou canetas de insulina, que, h\u00e1 dez anos, trocou por uma bomba infusora de insulina, munida de um algoritmo capaz de ir adaptando, automaticamente, a dose de insulina aos n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue. Jo\u00e3o n\u00e3o esconde que \u201ctoda a gente se sente revoltada, numa fase da vida, por ter diabetes\u201d. No entanto, brinca e comenta: \u201cUma pessoa com diabetes tem de ter o p\u00e2ncreas na cabe\u00e7a.\u201d Foi este o seu caso e, no decurso dos anos, manteve-se fiel \u00e0 contagem dos hidratos de carbono e \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o dos mesmos com doses de insulina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1764851\" aria-describedby=\"caption-attachment-1764851\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1764851\" src=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB-Joao-Nabais-16-12-20-4948-1600x1067.jpg\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" srcset=\"https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB-Joao-Nabais-16-12-20-4948-1600x1067.jpg 1600w, https:\/\/images.trustinnews.pt\/uploads\/sites\/5\/2022\/10\/221007_LB-Joao-Nabais-16-12-20-4948-960x640.jpg 960w\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1067\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1764851\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Nabais. Foto: Lu\u00eds Barra<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, at\u00e9 hoje, nunca deixou de jogar futebol, atividade que iniciou no ano do diagn\u00f3stico, depois de o m\u00e9dico ter aconselhado a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico. Jo\u00e3o Raposo, diretor cl\u00ednico da APDP, sublinha que \u201cencontrar uma atividade f\u00edsica que n\u00e3o represente um sacrif\u00edcio contribui para que exista prazer no tratamento, o que \u00e9 muito importante, pois leva \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do comportamento\u201d. No caso de Jo\u00e3o Nabais, a const\u00e2ncia foi tal que, em 2013, acabou por fundar a primeira equipa de futsal que representou Portugal no Campeonato Europeu de Futsal para pessoas com diabetes. \u201cTemos membros de Faro at\u00e9 Mirandela. O que nos une \u00e9 a diabetes, a paix\u00e3o pelo desporto e a vontade de provar que a doen\u00e7a, quando bem tratada, n\u00e3o \u00e9 uma barreira que impede as pessoas de alcan\u00e7arem os seus sonhos.\u201d<\/p>\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>Novas armas<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o tem pre\u00e7o nem data de lan\u00e7amento no mercado, mas o prot\u00f3tipo de esp\u00e9cie de smart watch, que promete monitorizar a glicose de forma cont\u00ednua e n\u00e3o invasiva, j\u00e1 foi apresentado oficialmente em janeiro deste ano, na feira de tecnologia Consumer Electronics Show (CES).<\/p>\n<p>A respons\u00e1vel, a Quantum Operation Inc., uma startup de sa\u00fade com sede em T\u00f3quio, utilizou uma tecnologia de espectro, patenteada pela empresa, atrav\u00e9s da qual o dispositivo mede a glicose da corrente sangu\u00ednea, 24 horas por dia, sete dias por semana, atrav\u00e9s da pele, libertando as pessoas com diabetes da rotina di\u00e1ria de picar o dedo, a fim de aferirem este valor. A empresa japonesa assegura ainda que o dispositivo permite partilhar os dados registados com o profissional de sa\u00fade que acompanha o paciente.<\/p>\n<p>\u201cA opera\u00e7\u00e3o reduz as consequ\u00eancias tardias da diabetes, como a cegueira, a insufici\u00eancia renal, a neuropatia e as doen\u00e7as isqu\u00eamicas card\u00edaca e cerebral\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <a title=\"Mariana Almeida Nogueira\" href=\"https:\/\/visao.sapo.pt\/autores\/mariana-almeida-nogueira\/\">MARIANA ALMEIDA NOGUEIRA<\/a> &#8211; JORNALISTA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/visao.sapo.pt\/visaosaude\/2022-10-08-historias-que-provam-que-a-diabetes-pode-ser-mais-perigosa-quando-nao-e-levada-a-serio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/visao.sapo.pt\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo desleixou-se e correu o risco de amputar parte do p\u00e9, Manuel perdeu o controle e acabou com insufici\u00eancia renal, Liliana e Pedro ficaram cegos por causa da doen\u00e7a. \u201cDesleixei-me e, como se costuma dizer, paguei caro\u201d, conta Paulo Matos, 58 anos, enquanto sobe, determinado, um lance de escadas. 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