sexta-feira, outubro 23, 2026
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A importância da precisão do Medidor de Glicose

Mendor Discreet – medidor de glicose produzido na Finlândia

Recentemente eu escrevi um post perguntando:  “Por que os aparelhos medidores de glicose não podem medir meu nível de  açúcar no sangue?”  Escrevi após verificar meu nível de glicose em dois aparelhos de empresas distintas, e para minha surpresa descobri que os resultados foram bastante diferentes.

Eu fiz o teste em casa várias vezes com diversos aparelhos e cada vez os resultados apareciam diferentes. Foi quando resolvi descobrir o porquê, obtendo êxito. Eu também descobri que a precisão do aparelho não é tão crucial quanto pensamos.

Em comparação com um teste de laboratório padrão

Medições realizadas com medidores de glicose domésticos (glicosímetros) não se comparam com os testes realizados em laboratório padrão (“padrão de referência”). Nos hospitais existem ambientes onde elementos como temperatura, umidade e altitude são controlados. Técnicos são  treinados para executar o teste em uma máquina muito cara com manutenção regular e sempre bem calibrada várias vezes ao dia. Testes de laboratório de análises clínicas também verificam uma amostra maior de sangue por 60 segundos ou mais.

Nossos aparelhos confiam, basicamente, na exatidão de suas tiras de testes. Estas tiras são facilmente afetadas pela variação na produção, da temperatura, do clima, da altitude e data de fabricação. Além disso, as substâncias presentes em nosso sangue, como medicação (algo tão simples como Tylenol), e / ou os nossos próprios glóbulos vermelhos podem interferir com a nossa leitura de glicose.

Quanto ao porquê de aparelhos diferentes darem resultados diferentes, é em grande parte devido à calibração do medidor, codificação e design das tiras que provoca uma interação com o aparelho.

O último elemento a interferir na leitura de glicose é nós mesmos, o usuário. Você lida com as tiras corretamente? Por exemplo, não use aquela tira que apenas esbarrou na galinha do almoço. Você lavou suas mãos após comer a maçã a uma hora atrás? Você está usando tiras cujo prazo de validade expirou no ano passado?

Então agora você sabe porque o seu medidor doméstico não é tão preciso quanto o padrão de referência. Mas isso é apenas parte da história.

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Quatro aparelhos diferentes variaram de 121 mg / dl (6,7 mmol / l) a 158 mg / dl (8,7 mmol / l), num teste realizado ao mesmo tempo. (Ignorar datas, eu raramente uso a função de data.)

O efeito cascata

Há algo mais em jogo e é isso. O monitoramento realizado através destes aparelhos é apenas um dos vários fatores a partir do qual nós tomamos decisões para manter nosso nível de açúcar no sangue dentro de um intervalo aceitável. Para os cerca de 7,2 milhões de pessoas nos os EUA que têm diabetes e usam insulina, para não mencionar as dezenas de milhões em todo o mundo, o Dr. Barry Ginsberg, de Consultores de Tecnologia do Diabetes, diz que a precisão do medidor desempenha apenas um pequeno papel na precisão global de medição da dose de insulina a ser aplicada. A contagem de carboidratos e absorção de insulina são os principais contribuintes para a dosagem exata desta aplicação, e há erros enormes em ambos.

Dr. Ginsberg disse-me que o erro médio é de apenas 8 por cento se um medidor atende à  norma ISO  (95 por cento do tempo é de mais ou menos 20 por cento de um teste de laboratório padrão em concentrações de glicose igual ou acima de 75 mg / dl, e dentro de 15 mg / dl para valores inferiores a 75 mg / dl).

Comparativamente, o erro médio na contagem de carboidratos é de cerca de  20 por cento e na absorção de insulina é de cerca de 25 por cento. Assim, tenho um conjunto de imprecisões para basear minha dosagem. No entanto, a precisão do glicosímetro é muito menos impactante no cálculo da dosagem de insulina a ser aplicada.

A solução, por enquanto, é fazer com que cada um desses três fatores fique mais preciso. Então, se aumentar a precisão do medidor para  dentro de mais / menos de 15 por cento  – o novo padrão de referência pendente de aprovação pelo FDA – além de melhorar minha contagem de carboidratos e ficar um pouco melhor no cálculo da dose de insulina, eu vou aumentar minhas chances de conseguir a dosagem ideal de insulina por mais tempo consecutivamente.

Então, eu preciso de um medidor mais preciso? Não necessariamente. Dr. Ginsberg diz que pessoas com diabetes tipo 1 está tendo até 15 por cento de eventos hipoglicêmicos (açúcar no sangue  abaixo de 70 mg / dl (3,8 mmol / l ). Dentro de 15 por cento de precisão de futuros aparelhos ainda teremos 10 por cento de hipoglicemia. Precisamos chegar a aparelhos com até 10 por cento de precisão de reduzir não mais do que 1 por cento de eventos hipoglicêmicos.

Os glicosímetros estão se movendo em direção a uma maior precisão. Alguns já satisfazem a nova diretriz proposta de mais / menos de 15 por cento, como o recém-lançado Nano da Roche e EZ Bayer Contour. Há provavelmente outros que ainda não conheço. Além disso, indústrias destes aparelhos e tiras como AgaMatrix que são embalados pela Medicare’s Liberty Medical, Kroger and Target, e o novo iBGStar da Sanofi, estão mais perto da tolerância de 10 por cento em relação a um teste de laboratório padrão.

Mas eu não estou preocupado com os possíveis episódios de hipoglicemia. Eu quero ser capaz de manter o nível de glicose no meu sangue dentro de minha faixa-alvo, tanto quanto possível, para evitar complicações a longo prazo.

Assim, além de melhorar a precisão aparelhos, eu gostaria também que a indústria de alimentos aumentasse a  precisão nos rótulos nutricionais. Eu gostaria que os nutricionistas explicassem como os alimentos modificam nossos índices glicêmicos ou explicações de como a gordura em uma refeição impacta na redução do nível de açúcar do sangue. Eu gostaria que os cuidadores de saúde proporcionassem  uma melhor instrução sobre o uso de insulina, de como ou onde em seu corpo você ao injetar sua dose afeta a quantidade e a taxa de  absorção de insulina, e que por estar doente ou estressado geralmente há um aumento do índice de glicose no sangue.

E eu gostaria que aqueles que culpam os pacientes por não terem os números corretos de glicose no sangue por não seguirem uma aritmética simples percebessem que, de fato, não há nada de tão simples assim.

Enquanto isso, há algumas coisas que os pacientes podem fazer para aumentar a precisão de dosagem: lavar as mãos, aprimorar a contagem de carboidratos, aprender mais sobre a dosagem de insulina  e  escolher os aparelhos medidores de glicose sabiamente.

 

Riva Greenberg

 

Nota: Este artigo foi escrito por minha própria iniciativa, não sendo convidada a escrever e nem compensada por qualquer pessoa ou empresa.

Originalmente publicado no  Huffington Post .

 

http://asweetlife.org/

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