
Nós todos conhecemos alguém com diabetes. A quantidade de novos casos está em níveis epidêmicos, sendo difícil ignorar as recente e alarmantes estatísticas.
Vinte e nove milhões em nosso país é a última estimativa do governo sobre o número de americanos com diabetes. Isso significa mais pessoas que lidam com a diabetes no trabalho e mais postos de trabalho que estarão com pessoas com esta condição.
Christina Stasiuk, diretora médica junto à seguradora Cigna, diz que um de seus trabalhos é auxiliar os empregadores a compreender o alcance desta epidemia – e também o montante gasto nos programas de saúde devido a isso.
“É extremamente caro tratar a diabetes”, disse Stasiuk. “Se fosse caro, porém com poucas pessoas tendo a doença, isto não seria um grande problema. É um grande problema, porque muitos americanos a tem, enquanto que muitas pessoas têm e não sabem”, disse Stasiuk.
Diabetes e suas complicações causaram 245 bilhões de dólares em despesas médicas, e muitas horas de trabalho perdidas em 2012, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças.
Stasiuk disse que as complicações realmente elevam os custos, dentre estas a cegueira, amputações, acidente vascular cerebral, ataque cardíaco e insuficiência renal.
As companhias de seguros e grandes empregadores gostam de falar sobre os programas, os cursos de educação e treinamento já criados para promover o bem-estar do trabalhador. Porém é mais difícil conseguir que as empresas falem detalhes sobre como eles lidam com isso, quando alguém com diabetes precisa injetar insulina no trabalho ou quando o trabalhador quer tirar uma pausa para um lanche extra.
Os resultados dos exames de saúde e outros benefícios relacionados com seguros permanecerão confidenciais. Mas Stasiuk disse que em algum momento lidar com a diabetes no trabalho pode tornar-se uma questão de recursos humanos e de gestão.
“Se você precisa de acomodações no trabalho, seu chefe tem que saber para que ele seja capaz de ajustar o seu horário de trabalho a fim de que você possa gerir a sua diabetes”, disse ela.
Medo do estigma potencial
O endocrinologista Khab Ahmed, de Jefferson University Hospital, disse que fica feliz em escrever um atestado médico para ajudar a amenizar as coisas para seus pacientes no trabalho, mas ele disse que – em sua experiência – na maioria das vezes, os problemas não ocorrem com o local de trabalho, eles começam com o diabético.
Muitos de seus pacientes ficam hesitantes em tomar medidas para controlar sua diabetes no trabalho, disse ele. Algumas pessoas não querem picar o dedo ou manter um medidor de glicose no escritório.
“Eles não querem ficar estigmatizados. Eles não querem que outras pessoas saibam”, disse Ahmed.
Diabetes é uma doença que precisa ser monitorada de perto, e Ahmed diz que os pacientes precisam pensar sobre o açúcar no sangue como um cupim.
“Ele está comendo a casa, mas você não vê qualquer destruição, e de repente a casa cai”, disse ele.
Um grande quantidade de açúcar no sangue pode representar uma grande preocupação com a segurança.
Ahmed disse que se preocupa, em especial, com alguns pacientes que não administram bem a sua condição – aqueles que trabalham como pedreiros ou caminhoneiros ou em outros empregos sensíveis à segurança.
O ponto de vista do empregador
Ele também entende as preocupações de empregadores que contratam pessoas com diabetes.
“Você tem que tomar medidas adicionais para aquela pessoa especial. Eu posso imaginar quando você estiver fechando um negócio ou quando você está lidando com números, o que você faria?” Ahmed disse. “Depende do paciente. Se eles estão cuidando corretamente de suas condições, eles devem ser como qualquer outra pessoa que não tem diabetes”.
Algumas empresas utilizam o diabetes como uma razão para não contratar.
“Infelizmente isso acontece o tempo todo. Muitas vezes, embora seja uma violação de uma série de leis, incluindo o Americans with Disabilities Act, disse o advogado Gregory Paul, um defensor legal para a ADA – American Diabetes Association.
Paul disse que os empregadores do setor de transporte e das indústrias em particular, ficam preocupados que um trabalhador com diabetes tenha uma emergência médica.
“Nosso ponto é que a maioria das pessoas não experimentam hipoglicemia, ou hipoglicemia grave, na medida em que isto iria interferir com o trabalho de todos”, disse Paul.
Proteger as pessoas com diabetes
Paul disse que ele está trabalhando para combater a discriminação.
As empresas estão autorizadas a avaliar se um trabalhador pode fazer com segurança um determinado trabalho, mas esta avaliação deve vir depois de oferecido a posição para ele.
“Isso é realmente o cerne da ADA [Americans with Disabilities Act] – ou seja, deve-se fornecer uma avaliação individualizada, em vez de uma proibição geral”, disse Paul.
Em 2008, uma mudança de regra deixou claro que o Americans with Disabilities Act protege as pessoas com diabetes.
Paul disse muitas vezes quando os empregadores descobrem que alguém tem diabetes, logo assumem que isto vai ser um problema.
Alguns casos acabam no tribunal, mas Paul diz que a maioria das disputas sobre “adaptações razoáveis” se resolvem com poucos telefonemas e alguma negociação.
“Particularmente quando podemos deixamos os médicos falar”, disse Paul.
“Eu acho que a grande maioria das pessoas com diabetes são capazes de trabalhar sem acomodações especiais, sendo capazes de trabalhar sem qualquer necessidade de compartilhar essas informações com seus empregadores ou colegas de trabalho”, disse Paul. “É um assunto privado. Rotular qualquer pessoa poderia ser uma discriminação, algo que não é, naturalmente, bem-vindo”.
Os defensores dizem que o diabetes lembram estereótipos que não condizem com a realidade. Muitas piadas são baseadas na vergonha, dando a entender que alguns diabéticos são os culpados pelo fato de terem a doença. Por exemplo, “Billy tem 32 barras de chocolate. Se ele come 28, que é que ele tem agora? Diabetes. Billy tem diabetes”.
A obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes chamado tipo 2, mas a história da família, etnia e raça também podem exercer alguma influência.
Discriminação e falta de entendimento no trabalho
Randy Childress diz passou por momentos desagradáveis enquanto tentava gerir a sua condição no trabalho.
Childress tem diabetes tipo 1. Seu pâncreas não funciona adequadamente, de modo que seu corpo produz quase nenhuma insulina que precisa para digerir e equilibrar a glicose – ou açúcar. Childress diz que na concessionária de automóveis onde trabalhava, o fato de verificar o seu açúcar no sangue regularmente tornou-se um problema.
“Isso aconteceu várias vezes quando eu só queria testar o meu açúcar no sangue antes que a próxima pessoa entrasse e eu tivesse que pegar o automóvel para fazer uma demonstração na estrada”, disse Childress.
“Eu tinha um gerente de vendas que dizia, ‘eu preciso vê-lo agora“. Eu respondia:: “Só um segundo.” Ele retrucava: “Mas eu preciso ver você, agora“. Eu respondia novamente: “Espere um minuto.” Era mais um motivo para eles se juntarem em coro, e dizer: ‘O que que há com essa coisa de açúcar no sangue?”
Childress usa uma bomba de insulina, que funciona como um pâncreas artificial para entregar doses estáveis de medicamentos.
“Mesmo quando eu obtinha algum sucesso em vender um carro ou estava perto disso, eu era felicitado por: ‘Muito bem Bomba Boy‘. Eu disse uma vez, que eu não deveria ser chamado assim, sendo que o comentário feito foi: ‘Bem, você não vai cair e rolar né?! Isto significa algum tipo de ajuste diabético?”, disse Childress.
Childress disse que também recebeu críticas por tentar controlar o açúcar no sangue, comendo pequenos lanches ao longo do dia.
“Esse é o jeito que eu lidei com isso discretamente”, disse Childress. “Foi dito a mim em várias ocasiões:” você não tem a sua pausa para o almoço? Você não almoçou mais cedo? ” E você simplesmente não poderia continuar a dizer: ‘Olha, eu sou um diabético, eu tenho que comer esse alimento”.
Childress disse que não havia departamento de recursos humanos no negócio de automóveis onde ele poderia reclamar de seu caso.
Ele foi demitido em janeiro.
“É impossível dizer que eles me demitiram por causa de meu diabetes. Qualquer trabalho, em qualquer lugar pode encontrar alguma outra razão para justificar a demissão de alguém”, disse ele.
“Eles não entendiam isso e eu realmente não estava lá para educá-los sobre tudo o que poderia ser diabetes”, disse Childress.
