
A partir deste ano, o Brasil vai passar a produzir insulina, medicamento usado no tratamento de diabetes, por meio do Laboratório Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A medida faz parte de um acordo firmado entre o governo e o laboratório ucraniano Indar, um dos três produtores de insulina no mundo, que vai transferir a tecnologia para a produção nacional do medicamento. O anúncio da parceria foi realizado nesta quarta-feira (23) pelo Ministério da Saúde.
A previsão é de que, em três anos, o Brasil passe a fabricar a droga em escala industrial. De acordo com o cronograma oficial, a fábrica de produção dos cristais (princípio ativo do medicamento) estará estruturada em 2014. No ano seguinte, serão feitos testes, qualificações e ajustes técnicos para a validação das instalações produtivas. Em 2016, será concluída a transferência de tecnologia pelo laboratório da Ucrânia à Fiocruz, para o início da produção em escala industrial, e em 2017, o país estará preparado para a fabricação em grande escala.
“Nosso esforço é para que os pacientes tenham a segurança de receber um medicamento de alta qualidade, produzido aqui no país”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em comunicado. “Além disso, queremos reduzir a vulnerabilidade do país no mercado internacional de medicamentos, incentivar a produção nacional de ciência e tecnologia e fortalecer a indústria farmacêutica brasileira.”
Diabetes no Brasil
Estudos mostram que 7,6 milhões de brasileiros têm diabetes. Destes, cerca de 900 mil dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde para a obtenção de insulina. Dados do governo apontam ainda o alto índice de mortes causadas pela doença: cerca de 50 mil todos os anos. A doença mata quatro vezes mais do que a aids e supera o número de vítimas do trânsito no país.
Em 2010, 54 mil brasileiros morreram em decorrência de diabetes, enquanto 12 mil tiveram mortes relacionadas ao vírus HIV e 42 mil, a acidentes de trânsito. O número seria ainda maior se considerado que a doença age como fator de risco para várias outros males, como câncer e doenças cardiovasculares, por exemplo. Em 2010, 68,5 mil mortes estavam associadas ao diabetes – o que totaliza 123 mil mortes diretas ou indiretamente.
Em fevereiro de 2011, medicamentos para o tratamento de diabetes passaram a ser ofertados de graça dentro do Programa Saúde Não Tem Preço. O último balanço do governo indica que, desde o início da gratuidade, 4,1 milhões de pessoas receberam os remédios. O número de atendimentos passou de 306 mil, em janeiro de 2011, para 1,4 milhão, em outubro do ano passado, – um aumento de 370%.
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