domingo, outubro 25, 2026
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Super-alimento não existe. É puro marketing, diz cientista britânico

De acordo com o cientista britânico Pau Kroon, super alimento é algo que não existe
De acordo com o cientista britânico Pau Kroon, super alimento é algo que não existe

“Moro em Norwich e lidero, no Instituto de Pesquisas de Alimentos do Reino Unido, um grupo de estudos que avalia ingestão, absorção, metabolismo e possíveis efeitos benéficos ao nosso organismo de compostos presentes na comida do dia a dia. Um dos resultados é que estou tomando menos chá preto e mais chá verde…”

Conte algo que não sei…

Há muitas coisas que ainda não sabemos sobre os alimentos que consumimos, mas até o momento não temos evidência científica nenhuma de que exista algo como um “superalimento”, capaz de trazer sozinho grandes e múltiplos benefícios à saúde.

Então, não somos o que comemos? Vinho, frutas, nozes, etc não são a chave para uma vida longa e saudável?

Existem muitas afirmações de que uma coisa faz isso ou aquilo, mas, pelas evidências atuais, “superalimento” não existe, é puro marketing. Os alimentos são muito mais complexos que isso.

Alimentos não podem ser remédios, como se diz?

Os tipos de compostos que estudamos não funcionariam como um remédio, que têm um alvo específico. O que sabemos é que existem determinados compostos que trazem pequenos efeitos benéficos à saúde e que, somados, podem fazer uma grande diferença, especialmente no longo prazo. Por isso, o foco da minha pesquisa é saber o que de fato funciona e o que não funciona.

O que dizer dos suplementos que vemos nos supermercados e farmácias?

É bastante difícil encontrar qualquer informação confiável nesta área. São muitas fontes, da mídia, de pesquisadores, do governo. Mas a maior parte das alegações dos suplementos, fitoterápicos etc, não se sustentam.

E os antioxidantes?

Há pouquíssimos sinais de que bons antioxidantes no laboratório, em tubos de ensaio, ajam também como antioxidantes no nosso corpo. Não se sabe sequer se eles chegam aos tecidos, aos lugares onde podem ter algum efeito benéfico em concentrações altas o bastante para contribuir para os sistemas que o organismo já tem.

Suplementos são inúteis?

Em geral as pessoas que tomam suplementos estão bem de saúde e cuidam de sua dieta, então, não vão obter benefícios. As pessoas que, em tese, devem tomar suplementos são as que têm uma dieta pobre, abaixo das recomendações nutricionais, particularmente com relação a vitaminas e minerais.

Qual o risco dos excessos?

Se, por um lado, não me convenço de que aumentar a ingestão de vitaminas e minerais vai trazer alguma vantagem, por outro lado é certo que, em alguns casos, este excesso pode até ser prejudicial, não só à saúde como também à carteira.

Afinal, o quanto o que comemos pode ajudar a viver mais e melhor?

Uma coisa muito importante é que podemos escolher nossa dieta pela vida toda. Mas tem que ser cedo. Quando é jovem, você tem que se imaginar como estará aos 40 ou 50 anos.

Se não, é tarde demais?

Eu não diria isso, mas as dietas não serão a solução quando seu médico disser que você tem doença cardiovascular. Muito do dano já está feito e já passou o estágio da prevenção.

Seu trabalho afetou seus hábitos alimentares?

Como britânico, gosto muito de chá preto. Mas estudo recente nosso mostrou que uma substância no chá verde e nas maçãs podem ajudar no controle da aterosclerose e do câncer. Assim, apesar de não gostar do sabor do chá verde, estou tomando mais dele no lugar do tradicional.

Paul Kroon é bioquímico britânico que lidera instituto no Reino Unido veio ao Rio de Janeiro para projeto de avaliação de potenciais benefícios à saúde de frutas e hortaliças brasileiras em conjunto com a Embrapa

http://oglobo.globo.com/

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