
Um novo estudo publicado no The Journal of Biological Chemistry afirma ter identificado um fator potencial causador da diabetes tipo 2: a deficiência de vitamina A. Os pesquisadores da Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Nova York, NY, dizem que suas descobertas podem levar a novos tratamentos para a doença.
Frutas e vegetais
A diabetes do tipo 2 é a forma mais comum de diabetes nos EUA, representando de 90-95% de todos os casos diagnosticados.
A condição é caracterizada pela resistência à insulina, a qual a insulina produzida pelas células beta no pâncreas são incapazes de funcionar eficazmente.
De acordo com o autor sênior do estudo, Dr. Lorraine Gudas – presidente do Departamento de Farmacologia da Weill Cornell – e seus colegas, a vitamina A aumenta a atividade das células beta, o que significa que a falta desta vitamina pode desempenhar um papel no desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Existem dois tipos de vitamina A: a pré vitamina A, referida como retinol, está presente em carnes, aves, peixe e produtos lácteos, enquanto a pró-vitamina A, ou beta-caroteno, é encontrada em muitas frutas e legumes. A vitamina A colabora para o crescimento celular e contribui para melhorar a visão e deixar o sistema imunológico mais saudável.
Estudos anteriores mostraram que, durante o desenvolvimento fetal, a vitamina A é essencial para a produção de células beta. Mas o Dr. Gudas e seus colegas dizem que não está claro quanto ao fato da vitamina A desempenhar esse papel na vida adulta.
Remoção de vitamina A na dieta levou à perda de células beta em ratos adultos
Para descobrir isso, a equipe analisou o desenvolvimento de células beta entre os dois grupos de ratos adultos; um grupo de ratinhos tinham sido geneticamente modificado para ser incapaz de armazenar vitamina A, enquanto o outro grupo foi capaz de armazenar normalmente a vitamina A dos alimentos.
Os pesquisadores descobriram que os ratos incapazes de armazenar a vitamina A tiveram a morte de células beta, ou seja, estes ratos tornaram-se incapazes de produzir insulina.
Em contra-partida, quando os pesquisadores removeram vitamina A da dieta de ratos saudáveis, eles descobriram que isto causou uma perda significativa das células beta, resultando em redução da produção de insulina e aumento dos níveis de glicose no sangue – fatores-chave envolvidos no desenvolvimento de diabetes tipo 2. Quando os pesquisadores restauraram a vitamina A na dieta dos roedores, a produção de células beta aumentou, a produção de insulina aumentou e os níveis de glicose no sangue voltaram ao normal.
Os pesquisadores dizem que suas descobertas indicam que a deficiência de vitamina A pode estar envolvida no desenvolvimento da diabetes tipo 2. Dr. Gudas diz:
“De que forma a retirada da vitamina A provoca a morte das células beta que produzem insulina no pâncreas é uma questão importante que queremos responder.
Estas células beta do pâncreas são extremamente sensíveis à remoção dietética de vitamina A. Ninguém encontrou isso antes. Nosso estudo estabelece a plataforma para levar esses estudos considerando as configurações pré-clínicas e clínicas”.
A equipe diz que suas descobertas também sugerem que uma forma sintética de vitamina A pode ter o potencial para reverter diabetes tipo 2 – algo que pretendem abordar em futuras pesquisas.
