
Novos estudos com animais no Henry Ford Hospital descobriram que o sildenafil, um medicamento comumente usado para tratar a disfunção erétil (Viagra), pode ser eficaz em aliviar as dores causadas pelos danos nos nervos, o que é potencialmente fatal nos homens com diabetes de longo prazo.
A pesquisa investigou a neuropatia periférica diabética, uma complicação bastante comum da diabetes, que afeta até 70 por cento dos pacientes.
O estudo foi recentemente publicado na revista online PLOS ONE .
Lei Wang, MD, neurocientista do Henry Ford, que liderou a pesquisa, disse que, apesar de numerosas drogas terem se mostrado eficaz com animais em experiências anteriores, a maioria não proporcionou benefícios em estudos clínicos.
“Geralmente, são usados animais diabéticos jovens em um estágio inicial de neuropatia periférica para estudar vários tratamentos com drogas”, explica o Dr. Wang. “Mas os pacientes com diabetes que estão matriculados em estudos clínicos muitas vezes são mais velhos e têm neuropatia periférica avançada”.
“A falha para desenvolver e avaliar adequadamente tratamentos no laboratório que reflitam na população alvo clínico com neuropatia diabética periférica pode contribuir para a falência dos estudos clínicos”.
Para imitar nos estudos clínicos, as condições dos pacientes com diabetes em avançado grau de neuropatia periférica, os pesquisadores do Henry Ford escolheram camundongos machos com diabetes tipo II, que tinham cerca de 36 semanas de idade, mais ou menos o equivalente à meia-idade em humanos.
Em experiências anteriores com animais, a equipe do Henry Ford mostrou que o sildenafil, mais conhecido pela marca Viagra, melhorou o fornecimento de sangue ao nervo ciático.
Além disso, verificou-se que pacientes com diabetes que tomavam Viagra para a disfunção erétil tinham menos sintomas de neuropatia periférica.
No entanto, não se sabia se o efeito terapêutico realizado era semelhante para a neuropatia periférica de longo prazo porque os ratos diabéticos utilizados nas experiências anteriores eram relativamente jovens – 16 semanas de idade.
Assim, os pesquisadores do Henry Ford escolheram ratos diabéticos que tinha mais do que o dobro da idade. Num grupo, 15 ratinhos foram tratados com uma dose oral de sildenafil / Viagra todos os dias, durante oito semanas. Um grupo de controle com 15 ratinhos diabéticos de mesma idade foram tratados diariamente com a mesma quantidade de uma solução salina.
Depois que uma bateria de testes da função nervosa foi realizada em ambos os grupos, os ratos tratados com a droga e de controle, “os resultados revelaram que sildenafil melhorou acentuadamente a função sensorial à partir de seis semanas após o tratamento, em comparação com os ratos diabéticos tratados com solução salina,” disse o Dr. Wang.
“Esses dados indicam que o sildenafil melhora a função neurológica, mesmo em ratos de meia idade com neuropatia periférica diabética de longo prazo”.
Embora ressaltando que os resultados continuam a ser experimentais, Dr. Wang diz que eles fornecem novas visões sobre os mecanismos subjacentes de dano do nervo do diabético de longo prazo e pode levar ao desenvolvimento de um tratamento com sildenafil para a neuropatia periférica diabética de longo prazo.
Neuropatia periférica diabética é particularmente insidiosa porque, à medida que progride, ela danifica os nervos nas extremidades e outras partes do corpo, sem que muitos pacientes tenham consciência disso porque os sensores da dor ficam anestesiados.
Como resultado, um corte ou ferida na parte de baixo de um pé, por exemplo, pode não ser notado até que um conjuntos de infecções e outros sintomas, possivelmente levem à amputação ou até mesmo à morte.
Devido a neuropatia diabética ser resultante de níveis cronicamente elevados de açúcar no sangue, os pacientes com diabetes são fortemente encorajados a acompanhar de perto esses níveis e controlá-los por meio de dieta.
Fonte:
Henry Ford Health System
