terça-feira, outubro 27, 2026
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Como o diabetes prejudica o cérebro

Sistema vascular cerebral
Sistema vascular cerebral

Quando os níveis de açúcar no sangue começam a subir por causa da diabetes, um número de sistemas do corpo são prejudicados e esta lista inclui o cérebro, uma vez que estudos ligaram a diabetes com um risco mais elevado de acidente vascular cerebral e demência. Agora, um novo estudo publicado na revista Neurology relata que mudanças na atividade dos vasos sanguíneos no cérebro dos diabéticos podem levar a quedas nas funções cognitivas e da sua capacidade para realizar atividades diárias.

Dra. Vera Novak, professora associada de neurologia na Harvard Medical School e da Beth Israel Deaconess Medical Center, e seus colegas acompanharam um grupo de 65 pessoas mais velhas. Cerca de metade tinha diabetes tipo 2, e metade não. Após dois anos, os pacientes diabéticos apresentaram menores escores em testes cognitivos em comparação com quando eles começaram, enquanto as pessoas sem diabetes apresentaram pouca alteração nos testes.

O que levou o declínio, diz Novak, eram alterações nos cérebros dos pacientes diabéticos. Diabetes pode tornar os vasos sanguíneos menos sensíveis ao fluxo e refluxo da demanda em diferentes partes do cérebro. Normalmente, os vasos flexíveis incham um pouco para aumentar o fluxo de sangue e oxigênio para as áreas que são mais intensamente ativas, como as regiões envolvidas na memória ou de raciocínio superior durante tarefas intelectuais. Mas se o açúcar no sangue não for devidamente controlado pode tornar esses vasos menos maleáveis e, portanto, menos sensíveis.

“Ao fazer qualquer tarefa de cognição como mover seus dedos, você precisa aumentar o fluxo sanguíneo para essa área específica do cérebro”, diz Novak. “Com diabetes mal controlada, no entanto, a capacidade de vasodilatação fica reduzida, então você acaba tendo menos recursos para executar qualquer tarefa”.

No estudo, Novak mediu as alterações na flexibilidade dos vasos sanguíneos e descobriu que entre os pacientes diabéticos, a flexibilidade havia diminuído, mantendo-se essencialmente a mesma para aqueles sem a condição. Quando os níveis de açúcar no sangue flutuam como acontece entre as pessoas com diabetes, isto pode danificar as células e nervos e tornar-se um gatilho para a inflamação. O que é preocupante, diz Novak, é que essas mudanças ocorreram, mesmo entre as pessoas que estavam tomando medicação e estavam com seus diabetes relativamente bem controlados. “Controle de açúcar no sangue por si só não pode tratar de declínios cognitivos associadas com diabetes”, diz Novak. “Precisamos de um novo medicamento para melhorar a reatividade [dos vasos sanguíneos], cognição e função do cérebro em diabéticos”.

Sua equipe irá continuar a estudar formas as quais a função cerebral pode ser melhorada, abordando a saúde dos vasos sanguíneos; um método que eles estão investigando envolve o uso de insulina inalada ou medicamentos para a pressão arterial buscando que a atividade dos vasos do cérebro voltem ao normal.

Descobrir se tais terapias podem melhorar a função cerebral entre as pessoas com diabetes é fundamental, uma vez que cada vez mais pessoas são diagnosticadas com a doença mais cedo na vida, inclusive na infância. Em estudos anteriores, Novak e seus colegas mostraram que as pessoas com diabetes têm cérebros que parecem cinco anos mais velhos do que os de pacientes controles da mesma idade; as crianças com a condição, que poderiam ficar mais prejudicados em suas habilidades cognitivas com a idade. “Nós realmente ainda não temos qualquer tratamento para o declínio cognitivo causado pela diabetes”, diz ela, “porque o cérebro não está listado como um órgão de risco para esta doença. Então, precisamos de mais pesquisas e evidências como estas”.

 

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