
Na maioria das vezes, eu uso as pontas dos meus dedos anelares.
Já se tornou um hábito: deslizo uma tira de teste no meu medidor de glicose, pico a minha pele com uma lanceta e toco uma gota de sangue na tira. Depois de uma contagem regressiva de cinco segundos, a minha leitura de glicose no sangue aparece na tela e eu estou pronta para partir.
Tomar suas leituras de açúcar no sangue pode ser uma das partes mais educacionais (e chatas) em se ter diabetes tipo 2. Monitorar sua glicose pode mantê-lo longe das flutuações diárias e ajudá-lo a descobrir quaisquer padrões úteis (por exemplo, cada vez que você come muita fruta, a tendência de seus números é subir). Tendo em mãos os números também pode ajudá-lo a tomar decisões terapêuticas, tais como modificar sua dieta, seu plano de exercícios ou mesmo a sua medicação (com a ajuda de seu médico, é claro).
Uma leitura do índice A1C que calcula a média de três meses de leituras de açúcar no sangue é útil, mas não é uma medida precisa o bastante para o dia-a-dia.
As tiras de teste são somente uma parte do que faz da diabetes uma doença cara. De acordo com uma pesquisa de 2012 realizada pela American Diabetes Association, uma típica pessoa com diabetes gasta U$ 13.700 por ano em custos médicos, com cerca de U$ 7.900 diretamente atribuíveis à diabetes. As maiores despesas são de hospitalização, que ocupam cerca de U$ 3.400, e prescrição de medicamentos, com quase US $ 2.000. Claro, esses números vem subindo desde desde então.
De acordo com a mesma pesquisa, cerca de US $ 103 (R$ 350,00) por mês vai para tiras de testes de diabetes.
Felizmente para mim, minhas tiras de teste e medicamentos ainda são cobertos pelo meu plano de saúde com a modalidade de um razoável co-pagamento. Mas isso não é o caso de todos. Cerca de um em cada 10 pessoas pagam do próprio bolso por suas tiras.
“Eu não sou alguém que acredita que as tiras de teste custam muito para as pessoas com seguro-saúde”, disse David Kliff, fundador da DiabeticInvestor.com. “Mas é verdade que, ao longo dos anos, empregadores e seguradoras estão aumentando as franquias e co-pagamentos”.
Uma razão pela qual as seguradoras têm aumentado estes co-pagamentos é que ao contrário das pessoas com diabetes tipo 1, que devem verificar seus açúcares várias vezes por dia para monitorar possíveis altos e baixos de sua glicemia, não há evidência sobre os impactos do auto-monitoramento do açúcar no sangue em pacientes com diabetes tipo 2.
Alguns estudos mostram que o acompanhamento melhora o controle glicêmico e outros não, disse Serge Jabbour, diretor da Divisão de Endocrinologia, Diabetes e Doenças Metabólicas no Thomas Jefferson University.
No entanto, Jabbour cita uma meta-análise que incluiu pacientes com diabetes tipo 2 tratados com medicamentos orais ou insulina de ação prolongada, uma vez ao dia. Ele mostrou que havia “uma maior redução do A1C (-0,5 por cento) com a auto-monitorização do açúcar no sangue em comparação com nenhuma monitorização, particularmente quando se faz a medição em combinação com a educação do paciente e acompanhamento”.
Junto com o monitoramento regular, em determinadas circunstâncias podem ser necessárias uma maior vigilância, particularmente “sempre que as glicoses no sangue podem mudar rapidamente”, disse Jabbour. Esses fatores incluem estresse, o que pode impulsionar para o alto os açúcares; durante uma viagem, quando ocorre mudanças na dieta e das atividades que podem apresentar desafios; exercício, o que pode fazer reduzir o nível do açúcar no sangue; e doença, o que pode elevar ou abaixar o açúcar no sangue, como durante problemas gastrointestinais ou por causa do uso de medicamentos.
Ainda assim, o que fazer se você não pode se dar ao luxo de testar regularmente?
Uma opção é elaborar um cronograma com o seu médico para um padrão mínimo de testes que ainda irá permitir que você mantenha o controle de seu diabetes. Você pode testar antes das diferentes refeições, em diversos momentos do dia ou antes e depois de certas atividades, como exercício.
“As pessoas podem testar em jejum pela manhã e achar que estão ótimas, mas elas não podem ignorar que tudo durante o dia – o que comem, como se exercitam, qualquer esforço extra, afeta o açúcar no sangue”, disse Monika Shirodkar, uma endocrinologista da Jefferson.
“Nós tentamos dar aos pacientes a direção”, disse ela. “Talvez eles possam verificar segunda-feira pela manhã e, em seguida, antes do jantar, e depois na terça-feira antes do almoço e antes de dormir. Ou talvez duas horas depois do almoço ou jantar. É altamente individualizado, dependendo da gravidade do diabetes e que tipos de medicamentos o paciente está tomando”.
Outra possibilidade é usar marcas de glicosímetros e tiras de teste de lojas, que são mais baratas. A rede de farmácias CVS, por exemplo, oferece um medidor com a marca da loja que usa tiras de teste disponíveis online que custam $ 22,99 para uma caixa de 100.
Há também um grande número de tiras de marca disponíveis no eBay (Mercado Livre), embora seja importante certificar-se de que as caixas não foram adulteradas e que o prazo de validade não expirou.
Em alguns casos, disse Kliff, os programas de assistência oferecidos pelas grandes farmacêuticas ao paciente podem ajudar a reduzir o custo de tiras ou co-pagamento. Duas marcas – Freestyle da Abbott e Contour Next da Bayer – pelo menos nos EUA, oferecem descontos em tiras.
Verificar seu açúcar no sangue regularmente não vai mudar a sua saúde. O que muda é seguir seu plano de refeição, fazer exercícios e tomar a sua medicação. Mas a verificar seus níveis de glicose no sangue vai te proporcionar um maior conhecimento sobre como seu corpo responde a estas intervenções e um maior controle sobre sua doença crônica.
Ilene Raymond Rush
