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Sérgio Reis

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Ao longo de quarenta e quatro anos de carreira, Sérgio Reis tornou-se um dos cantores mais respeitados e queridos do meio artístico e do público em todo o Brasil. Começou cantando rock com o nome de Johnny Johnson. Em seguida, juntou-se aos integrantes da Jovem Guarda, e obteve bastante sucesso com a balada rock “Coração de Papel”, em 1967, que deu nome ao seu primeiro LP. Na década de 70, mudou radicalmente o direcionamento da sua carreira, tornando-se um dos maiores nomes da música sertaneja. Neste segmento, já vendeu milhões de discos e faz centenas de show por ano.

A partir daí, foram 34 LPs e CDs com vendagem de 16 milhões de cópias. Violas, acordeons, berrantes, violinos… Sérgio Reis abriu espaço para a música sertaneja nas rádios FMs com composições como “Pinga Ni Mim”, “Panela Velha”, “Peão de Boiadeiro” etc. Atuou em produções cinematográficas e em novelas de temática rural, como “Paraíso”, “Rei do Gado” (TV Globo) e “Pantanal” (TV Manchete).

 

Aos 65 anos, atravessando gerações, resistindo a tendências de todos os tipos, vencendo um sério problema de saúde, esse sertanejo mantém a diabetes sob controle e conta para a Comunidade Diabetes (www.comunidadediabetes.com.br) como lidar, com muito bom humor, com a diabetes, para qual ainda pretende compor uma música.

Comunidade Diabetes – O senhor venceu um sério problema de saúde (AVC), e descobriu que tem diabetes tipo II. Como foi sua “resposta” à descoberta da disfunção e todo esse processo que vivenciou?

Sérgio Reis – Antes de sofrer o AVC, eu já tinha a diabetes. Interessante que eu não me dava bem com açúcar. Se comesse algum doce, como quindim ou brigadeiro, sofria de azia. E até associar isso, tomar consciência, foi aos poucos. O que eu comia e porque acontecia essa azia, eu ainda não entendia. Descobri que a causa era o açúcar, e desde então, passei a consumir apenas adoçante. Isso faz uns dez anos. O que foi até benéfico pra mim, porque eu já devia ter diabetes e não sabia.

Comunidade Diabetes – Mas o senhor não imaginava que poderia ter diabetes?

Sérgio Reis – Não imaginava, e foi um erro meu, porque minha avó era portadora de diabetes e minha mãe era uma diabética nervosa, o que não deixava de ser diabetes. Portanto, eu tenho um histórico familiar. É importante a mídia sensibilizar as pessoas sobre isso, que elas devem pesquisar se existe algum familiar com diabetes, porque isso é genético. Assim, será mais fácil tratar a disfunção.

Comunidade Diabetes – O que mudou na sua vida desde a descoberta?

Sérgio Reis – Eu descobri que tinha diabetes tipo II e procurei não ficar abalado, porque a partir desse diagnóstico devemos encarar uma nova vida. Entender que daí pra frente, vamos precisar ter um novo estilo de vida pra comer e beber, de que devemos deixar a vida sedentária, e praticar exercícios todos os dias, ter uma vida mais saudável. Eu tenho esteira em casa, caminho durante 20 a 30 minutos por dia, e quando não uso esteira, eu caminho na rua.

Comunidade Diabetes – Como foram seus sintomas?

Sergio Reis – Eu estava urinando muito, e isso já é um dos sintomas. Graças a Deus, minha vista está normal, eu procuro fazer o monitoramento da glicemia todos dos dias, com meu aparelho. Eu sou muito disciplinado, por conta também do meu problema no coração que tenho há 20 anos.

Comunidade Diabetes – Então, seu diabetes é muito bem controlado.

Sérgio Reis – Sim, mas quando fico estressado, altera tudo. Há três dias que estou estressado e meu nível de açúcar foi lá pra cima. Terrível! Foi para 274. Eu acabo me afastando de tudo para acalmar os ânimos. Tenho 65 anos, durmo quatro horas por noite, não consigo dormir antes da meia noite, e não posso levantar depois das sete, pois tenho que ir trabalhar. Aí, as coisas que acontecem no dia-a-dia contribuem para ficarmos mais estressados. Isso não pode acontecer para o portador de diabetes, pois é péssimo para nossa saúde.

Comunidade Diabetes – A sua família participa no controle da sua diabetes? O senhor acha importante esse incentivo?

Sérgio Reis – Sim. A Ângela, minha esposa, me faz andar na esteira todos os dias. É ela quem cuida de mim, como se fosse minha médica e me liga sempre para lembrar que tenho que tomar remédio. Isso é importante. Ter alguém da família que cuide de você é muito importante. Ontem mesmo, fui ao banco pagar umas contas, conversei com a gerente, que foi muito gentil, e tinha um senhor com um sobrinho. Ele me perguntou: E aí, Sérgião, como é que você tá? Eu disse que estava bem, e perguntei como ele estava. Falou que estava com um problema na perna, que era portador de diabetes. Perguntei se ele estava se cuidando e qual tipo de diabetes tem, e como estava sua saúde. Disse que é Tipo I, que toma insulina, mas que não se cuidava, e que abusava. Eu disse: “Então você está se matando! Desculpa-me, eu não te conheço, mas o senhor é um perfeito idiota!” Aí, ele ficou me olhando com uma cara espantada e respondeu: “Olha Sergião, você tem toda a razão, sou um perfeito idiota. As pessoas não têm coragem de dizer isso pra mim, pois eu não me cuido.” Então, nós sentamos e comecei a conversar sobre a dieta que ele deveria seguir. Dei uma aula sobre o que é diabetes e como deveria proceder. Perguntei se ele bebia, pois tinha cara de quem gostava de álcool, e logo fui avisando que deveria deixar de beber. Falei para tomar aquela cerveja sem álcool, que eu inclusive bebo, e tem o mesmo sabor que a cerveja normal.

Comunidade Diabetes – Sobre a sua alimentação, o senhor segue uma dieta especial?

Sérgio Reis – Minha dieta é baseada em verduras, legumes, frutas e bife grelhado. Pela manhã, eu como queijo fresco, que derreto no microondas para eliminar a gordura. Acompanha pão de glúten, geléia diet, tudo diet. Hoje é uma maravilha, pois existe muito produto diet no mercado. Eu consegui emagrecer 10 quilos. Não temos que ficar chorando sobre essa questão (diabetes) . Quer comer churrasco? Coma! Mas elimine a gordura e coma com prudência. Eu por exemplo, bebo suco de berinjela com laranja para baixar o colesterol, e hoje estou com 68.

Comunidade Diabetes – Como é sua preparação para encarar maratonas de shows e eventos? O que mudou após a descoberta do diabetes tipo 2?

Sérgio Reis – Não mudou nada. A diabetes não acabou com nada na minha vida. Não tem essa de ficar chorando porque é portador de diabetes. Diabetes pode te matar, mas se você cuidar, sua vida segue normalmente. Basta seguir as normas e regras que seu médico indicar, mas, muitos não fazem isso. Não tratar da diabetes é como um suicídio lento; igual esse cara que encontrei no banco. Isso é irresponsabilidade. Eu até brinquei com ele dizendo que vou passar dos 80 anos e enterrar pelo menos 40 pessoas da jovem guarda (risos). Eu não tenho medo da diabetes, pois eu cuido muito bem.

Comunidade Diabetes – Muitos jovens encontram sérios problemas para compreensão e aceitação da diabetes. Qual o recado que o Sr. daria para esses jovens?

Sérgio Reis – A diabetes mata mais que o câncer, e por conta da negligencia com a disfunção, muita gente acaba amputando pernas… Acho que as pessoas não costumam dar ao diabetes a importância que merece, porque desconhecem o problema, ou querem fugir dele. É esse o erro. Se a gente não se cuidar, dança fora do ritmo.

Comunidade Diabetes – E seus projetos profissionais? Pretende lançar algum CD?

Sérgio Reis – Estou com um projeto para produzir um DVD com meus filhos, “Sergio Reis e Filhos”, e também um bailão do Sergião, para pôr toda a turma dançando muito. Também estamos estudando se faremos um DVD registrando o dia-a-dia do artista, desde quando eu estou arrumando meu guarda roupa, dentro do ônibus, até registrando os músicos dormindo, roncando. Tem até um que é gordo e ronca que é um inferno. E seguir com os shows, também.

Comunidade Diabetes – Pretende compor alguma música com o tema diabetes?

Sérgio Reis – Rapaz, eu vou fazer uma música assim: Eu tenho duas mulheres. De dia a Bete, à noite a Ângela. A de dia eu controlo, a de noite está difícil… (risos)… Vai ser uma nova moda que vai pegar, você vai ver.

 

Comunidade Diabetes – 2008

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