
– Pare o carro que acabou minha insulina… 😮
– Como assim?! Qual o problema? Abra a outra. 😐
– A outra está no porta-malas… dentro do isopor. 😮
– Mas por que você não pegou depois do almoço antes de retornarmos a viagem. 😡
– Porque eu não percebi que iria acabar. 😮
– Mas aqui no meio da estrada não dá. Faz o seguinte: logo vamos cruzar por São Mateus (ES), e lá eu sempre pego um ou outro sinal fechado. Então enquanto eu estiver parado você corre e pega a insulina. 😡
– Acho que você não entendeu. Tem que parar mesmo. Está no isopor grande, no fuuuundo da mala. 😮
– *&%$#@%$&@* – tá bom. 👿
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Viajar com TiaBeth é divertido. Devido à total falta de planejamento, pegar o avião nos fica inviável, visto que o preço da passagem de quem não compra com antecedência é muito alto. Ir para Arraial d’Ajuda (BA), cujo aeroporto fica em Porto Seguro, ainda é pior, nem voo direto existe à partir do Rio de Janeiro, onde moramos. Por isso sempre pegamos as perigosas e esburacadas estradas do Brasil. Em cada viagem, que sempre é longa, vislumbramos animais, latifúndios, caminhões, treminhões, pequenas cidades, indústrias e alguns acidentes.
Não há lugar certo para parar. Se der fome a gente pára, se quiser ir no banheiro, paramos também. Porém não gosto de parar por outros motivos, a não ser nos casos em que exista uma vista panorâmica com algum mirante próximo para podermos apreciar e tirar fotografia.

Porém em se tratando de BR-101 em direção à Bahia, a paisagem não muda muito, é até meio monótona. Não existem montanhas, mas sim imensas plantações de eucaliptos pelo caminho fazendo com que nossas paradas resumam-se apenas a aquelas estritamente necessárias. O pior é que, como quase toda esta estrada é de mão dupla e sem acostamento, sempre que paro eu observo uma fila de veículos passando, veículos os quais acabei de ultrapassar, e que deverei ultrapassa-los mais adiante novamente. Ninguém merece. 😥
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– Você precisa parar de novo. 😮
– Mas você já pegou a insulina… foi ao banheiro. Não há mais nada a fazer. 🙄
– Preciso de mais tiras para o medidor de glicose. Está lá atrás no porta-malas… 😮
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Dirigido por mim e filmado pela TiaBeth numa das viagens de volta da Bahia em 2009
Ney Limonge é psicanalista, engenheiro elétrico e casado com Raquel Limonge, diabética do tipo 1 e protagonista das suas histórias. Escreve o blog Psicoanalisando quando lhe sobra tempo e também o Blog da TiaBeth. Ele não tem diabetes.
