sábado, outubro 24, 2026
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Mais doenças, mais lucro

A escalada de doenças colocou a produção de remédios entre as atividades mais rentáveis do planeta. Com dúzias de escolhas de drogas para cada tipo de sintoma existente ou doença crónica, a indústria equilibrou-se no fato de produzir milhares de milhões de dólares mesmo com a saúde continuando a declinar vertiginosamente.

O mais irônico de tudo isso é que a imensa maioria dos medicamentos fabricados é designada para tratar doenças que podem ser corrigidas mediante simples mudanças no estilo de vida, tais como a adoção de métodos corretos de exercícios físicos e dieta alimentar.

No caso da diabetes, por exemplo, a indústria farmacêutica tem estudos que preveem um faturamento de mais de 23 bilhões de dólares nos próximos 20 anos nos tratamentos dos estimados 280 milhões novos pacientes diagnosticados com a doença.

Um estudo da American Heart Association estima que, em 2030, cerca de 40% dos adultos americanos apresentarão algum tipo de doença cardíaca, incluindo comprometimento de artérias coronárias (angina, enfarto), hipertensão arterial e acidente vascular cerebral (derrame), entre outras.

O estudo não tem em conta mudanças no estilo de vida e que poderiam ser suficientes para evitar o aparecimento dos problemas. O custo dos procedimentos médicos (medicamentos, cirurgia, tratamentos específicos etc) serão três vezes maiores do que os de hoje, no mínimo.

A estimativa é que doenças cardíacas passem a custar cerca de US$ 1 bilião por ano. Não é difícil imaginar para onde vai a maioria desses recursos. Logicamente, os principais premiados são os fabricantes dos remédios.

Não surpreendentemente, existe uma forte ligação entre doenças coronárias e diabetes do tipo II. Estudos já bem documentados mostram que adultos portadores de diabetes são duas a quatro vezes mais propensos a desenvolverem doenças cardíacas do que a população sem diabetes.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento desses problemas incluem o tabagismo, obesidade, sedentarismo e dieta alimentar desregrada. Ora, se a indústria alimentícia produz grandes “venenos” para comer, usando a mídia para incentivar o aumento de peso, a indústria do tabaco continua a todo o vapor e nada se faz para educar a população quanto à adoção de hábitos de vida salutar, como imaginar que a SAÚDE venha a prevalecer? É claro que muitos lucram com a indústria da doença. …e que se danem os outros.

* Sergio Vaisman é médico especialista em Cardiologia e Nutrição, formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

** Publicado originalmente no site Mercado Ético.

http://www.esquerda.net/

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