segunda-feira, outubro 26, 2026
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Cansados de atrasos regulatórios, pacientes hackers constroem suas própria tecnologias em diabetes

 

Open-APS-Dana-Lewis

Quando o filho de Kenneth Stack foi diagnosticado com diabetes tipo 1 pouco antes de seu quinto aniversário, o médico lhe disse que ele estava alguns anos adiantado ao lançamento de um grande avanço médico.

“Lembro-me, tentando dar sentido em tudo isso, do médico dizendo: ‘Em três anos, vamos ter aperfeiçoado o pâncreas artificial e você não terá  mais que se preocupar com isso'”, lembrou Stack em um painel de discussão numa Conferência de Saúde de hackers ocorrida nos arredores de Washington DC. “Isso foi em 2003. Durante estes doze anos, quase nada mudou”.

Hoje em dia, monitores contínuos de glicose (CGM) são comuns e por isso as bombas de insulina podem injetar automaticamente insulina nas pessoas com diabetes. Mas o pâncreas artificial – uma plataforma de software e de hardware que combinaria as duas coisas (bombas e CGM) para regular a insulina dos pacientes automaticamente – provou ser algo ainda evasivo. Não que não possa ser construído, mas porque até agora ele ainda não foi construído de uma forma escalável, confiável.

Isso não impediu que uma quantidade crescente de pacientes hackers, unidos pelas redes sociais sob hashtags como #WeAreNotWaiting (#NósNãoAguardamos), de construir suas próprias soluções. Alguns desses pacientes que se apresentaram nesta Conferência de saúde, inclusive Stack; Ben West o desenvolvedor do Nightscout; Dana Lewis, que construiu seu próprio “pâncreas biônico“; e Anna McCollister-Slip, co-fundadora do Galileo Analytics. Courtney Lias, diretor da Divisão de Química e Toxicologia em dispositivos do FDA, estava presente em nome da agência.

O que é tanto surpreendente como frustrante sobre essas soluções de pâncreas artificial, é que eles estão fazendo muito personalizados. Lias elogiou o sistema construído por Lewis que lhe permite monitorar sua glicose no sangue enquanto ela dorme, alertando aos amigos automaticamente se os níveis ficarem muito baixos e ela não conseguir acordar para corrigi-lo.

“O risco nesse cenário não é alto”, reconheceu Lias. “Mas, quanto mais próximo você chega de criar um pâncreas artificial, certamente você estará introduzindo mais riscos para os pacientes que os usam. Inadvertidamente aplicar insulina demais ou não o suficiente pode causar danos. “Pacientes como os apresentadores da sessão” entendem o que eles estão fazendo, o que estão tentando desenvolver e os riscos potenciais que poderiam ocasionar se levar seus planos adiante. Mas se alguém está online e disser a outras pessoas como construí-lo, aí é diferente. Essa pessoa não projetou o sistema, não conhece as limitações. Potencialmente alguns aspectos podem não ser apropriados para todos”.

Os paciente hackers reconhecem que eles precisam atingir esse equilíbrio entre disponibilizar seus métodos para capacitar outros pacientes, e não colocá-los em risco, ao oferecer-lhes ferramentas complexas sem que eles ainda estejam prontos para seu uso.

“A publicação de 100 por cento de nosso código não é a coisa certa a fazer”, disse Lewis. “Porque para operar o sistema, você precisa saber as 20 maneiras que poderiam fazê-la quebrar no futuro. Deste modo, o FDA e eu estamos 100 por cento alinhados sobre isso. ”

Plataforma Dexcom para Android
Plataforma Dexcom para Android

Eventualmente, a indústria os alcança, pelo menos em algum grau. Por exemplo, o FDA ajudou a Dexcom a acelerar o lançamento de sua plataforma compartilhada Dexcom, parcialmente em resposta ao projeto NightScout. Mas West e Lewis disseram que sempre haverão pacientes mais evoluídos em relação a estes projetos, antes do lançamento oficial.

“A comunidade está muito animada”, disse West. “[Dexcom Share Plataform] permitiu a um monte de pessoas atingir um controle muito maior. Mas, francamente, nós queremos mais. Esse é o truque, cada vez que você lança um novo recurso que vai deixar todos para trás, você pensa ‘Por que ele não fazem isso também?’ ”

Além do mais, existem algumas coisas que nunca chegarão aos aplicativos oficiais aprovado pela FDA.

“Nossos recursos podem dizer-lhe o que está acontecendo dentro do dispositivo, enquanto o vendedor não irá querer que você saiba” acrescentou West.

Para esse ponto, West foi recentemente um autor, juntamente com paciente Hugo Campos, em um caso de direitos autorais cujos efeitos podem ter amplo alcance sobre outros pacientes que querem ter acesso legal aos seus próprios dados médicos. Com a ajuda do Escritório de Direito Cibernético da Universidade de Harvard, West, Fields, e outros dois pesquisadores do paciente obtiveram uma exceção de três anos para a proteção de direitos autorais para que possam acessar os dados de seus dispositivos médicos, incluindo o CGM de West e cardioversor-desfibrilador implantável de Campos.

West nos disse em uma entrevista pós-painel que esta vitória foi apenas uma etapa, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Os pacientes não apenas querem ter acesso legal temporário aos seus dados de saúde, eles querem para sempre.

Enquanto isso, vários outros pacientes hackers do movimento #WeAreNotWaiting estão na corda bamba buscando manter o equilíbrio entre a capacitação e segurança.

“Hoje fazemos um grande esforço para colocar os sistemas em conjunto”, disse Stack, que usa seu próprio Sistema Perceptus, bem como as inovações de outras pessoas para controlar o diabetes de seu filho.”Essa é uma boa barreira a ser superada, porque não queremos prejudicar ninguém, mas para nós a questão é: como é que vamos construir todas essas inovações de uma maneira segura e responsável”?

 

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