segunda-feira, outubro 26, 2026
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Uma carta aos meus pais

Queridos mãe e pai,

O dia em que fui diagnosticada foi difícil para todos nós, e naquele instante eu não percebi o quão árduo seria a vida para vocês à partir de então. Vocês provavelmente se lembram muito melhor do que eu; Minhas lembranças nebulosas daqueles últimos momentos foram assistir mamãe chorando enquanto eu era leva para ser cuidada no hospital. Não me lembro de ter dito adeus, ou se lhe disse que te amava antes de ir, mas espero que sim.

Tenho a sensação de que estava inconsciente, ou muito perto disto e, infelizmente, a única coisa que me lembro foi da dor sentia naquele momento; Meu pensamento era saber quando minha agonia iria terminar. Uma coisa que não esqueço também é de estar confusa sobre o que ocorria, eu olhava para vocês e os via em preto e branco e mudos, como se estivéssemos em um filme antigo sem som ou legendas. Eu desejei nesse ponto que aquilo tudo fosse apenas um sonho ruim e que eu acordasse novamente em nosso quarto de hotel, pronta para voltar ao mundo como as coisas eram antes.

Minha próxima lembrança foi de estar sorrindo enquanto papai entrava na sala em que estava, que era parecida com um aquário de vidro. Ele usava um avental de plástico, parecendo estar sério, bem diferente de papai. A coisa mais importante que se passava na minha mente naquela hora não era saber onde eu estava ou o que tinha acontecido comigo. Nem era saber sobre os fios que estavam ligados a mim ou o que viria a seguir. Eu sentia que era muito importante dizer ao meu pai que a razão de eu não ter me saído tão bem em minhas aulas de Taekwondo foi porque eu estava muito doente, e não tinha conhecimento sobre isso. Eu não queria que você se sentisse desapontado achando que tinha gasto tempo me levando para as aulas e competições. Eu juro que eu não estava sendo preguiçosa, pai, eu estava inconscientemente, sendo desafiada pelo meu pâncreas.

O que se passou a seguir, numa breve retrospectiva, foram horríveis nove anos para vocês dois. Vocês sabiam que eu não estava cuidando de mim mesma da maneira como deveria, e apesar de perguntarem, de tentarem falar comigo sobre isso, eu me calei sobre este assunto por um longo tempo. É realmente triste pensar nisso, mas a razão pela qual eu o fiz foi porque eu não queria ser um fardo para vocês. Eu sentia que o diabetes não me fazia bem no dia a dia, e não queria que sentissem a mesma tensão que eu estava experimentando.

Eu sustentei este personagem adolescente independente e forte por um longo tempo, mas quando a máscara caiu e eu precisei, vocês estavam sempre ao meu lado. Me levavam para o hospital quando eu estava perigosamente indisposta, quando minhas forças se esvaíam e não havia maneira de continuar fingindo que estava tudo bem. Também estiveram lá na minha cabeceira segurando minha mão enquanto tirava o sangue para exames com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Vocês seguraram meus cabelos para trás enquanto vomitava e falavam em meu nome para as enfermeiras e médicos quando eu estava muito indisposta para fazê-lo sozinha. Vocês me levavam para casa e cuidavam de mim, compravam a minha comida favorita quando eu estava bem o suficiente para começar a comer novamente, estavam ao meu lado quando tive recaídas. Vocês nunca desistiram de mim.

Apesar de ser uma adolescente terrível vocês sempre me disseram que eu os deixavam orgulhosos e me incentivavam a ficar ainda melhor. Agora que cresci, continuam a me incentivar para me manter no caminho certo. Me ajudaram com o tratamento a laser nos meus olhos, durante as operações e consultas extra hospitalares. Vocês me mostraram o que é realmente ser uma pessoa forte e independente através de suas próprias forças e eu fiquei melhor por causa disso, não apenas fisicamente, mas também mentalmente.

Mesmo agora, com 31 anos de idade, vocês são as primeiras pessoas a quem irei procurar quando precisar de ajuda. Dois dias atrás, quando me encontrava doente, logo liguei para vocês. Freneticamente tentei encontrá-los para dizer que eu poderia precisar mais uma vez de suas ajudas, e vocês me disseram que parariam tudo que estavam fazendo para ficar à minha disposição. Embora eu tenha sempre precisado bastante, vocês nunca desistiram de mim e sei que um dia eu vou pagar o favor.

O diabetes não mudou apenas a minha vida naquele dia em 2002, mudou a vida de toda a nossa família. Eu pareço estar em uma montanha-russa que nunca termina, mas espero que depois de tudo o que aconteceu, possamos começar a apreciar este passeio juntos.

Laura

http://diabetestimes.co.uk/

PS do Editor TiaBeth:

Quem estiver interessado em conhecer o blog pessoal da autora, basta clicar aqui.

http://ninjabetic1.blogspot.com.br/p/home.html

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