sábado, outubro 24, 2026
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Epidemia de diabetes: 7 coisas que a indústria de refrigerantes poderia fazer para se auto-regular

O número de pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 2 está crescendo cerca de 4 por cento ao ano, absorvendo 10 por cento dos gastos com a saúde global, e levando ameaças de tributação especial contra fornecedores de refrigerantes açucarados, vistos como um dos  principais culpados.

O papel do excesso de consumo do açúcar na diabetes tipo 2 e obesidade não é fácil de provar, mas 90 por cento dos 152 médicos entrevistados em todo o mundo em um novo relatório do Instituto de Pesquisa do Credit Suisse acreditam que existe uma ligação bem forte entre eles.

A ameaça de impostos punitivos para bebidas açucaradas e alguns tipos de alimentos, como aqueles já existentes em cigarros e álcool, é mais forte no México e em países europeus. No entanto, a Austrália está entre os cinco maiores consumidores mundiais de açúcar per capita, e as empresas aqui podem não ficar imunes se não tentarem se auto-regular em primeiro lugar, adverte o relatório do Credit Suisse.

soft drinks2“O risco de uma intervenção pública e aumento da consciência pública vai forçar as empresas a adaptarem-se, assim como os consumidores irão mover-se gradualmente em direção a opções mais saudáveis ​​que utilizam maior intensidade de adoçantes naturais”, diz o co-autor do relatório, Stefano Natella.

“Compreensivelmente, as empresas de refrigerantes têm pouco interesse em reduzir o consumo total de suas bebidas, mas ao mesmo tempo eles não podem se dar ao luxo de serem vistos pelo público como responsáveis por uma grande epidemia de obesidade ou diabetes.”

O relatório recomenda e disponibiliza, sete respostas acionáveis ​​para os fabricantes de refrigerantes:

  1. Aumentar a disponibilidade da versão zero-calorias em cada região e país.
  2. Promover uma maior comercialização de bebidas “diet” em vez das bebidas calóricas açucaradas.
  3. Reduzir gradualmente a quantidade de calorias nas versões tradicionais das bebidas (embora tentativas anteriores para alterar as fórmulas tradicionais, como a “New Coke” tenham saído pela culatra).
  4. Melhorar e tornar mais visível a rotulagem do teor de açúcar das bebidas. Em alguns países, não há ainda nenhuma obrigação de fazê-lo.
  5. Substituir o açúcar e adoçantes artificiais, com adoçantes naturais de baixa ou zero caloria. “Em última análise, as empresas que desenvolvem ou ajudam a desenvolver os adoçantes naturais estão prestes a serem as principais beneficiárias da mudança”, diz Natella.
  6. Expandir carteiras para oferecer alternativas de bebidas (sucos de frutas, vitamina, águas, bebidas energéticas ou simplesmente tamanhos reduzidos – como a Coca-Cola anunciou recentemente no Reino Unido com a nova embalagem de  250ml “magro”).
  7. Lançar iniciativas públicas e campanhas para promover uma maneira mais saudável e mais ativa de se viver. Em outras palavras, ter um papel ativo na promoção de um estilo de vida mais saudável e educar as pessoas sobre estas escolhas.

O mantra do novo tipo de açúcar

Empresas de refrigerantes tendem a continuar fazendo lobby contra a tributação de refrigerantes por meio de grupos de propósito especial e totalmente financiado (como fazem os americanos contra os impostos sobre alimentos), mas terá que ter cuidado para não fazê-lo abertamente, avisa o Credit Suisse.

L060346“O tom do mais recente comunicado de imprensa da Coca-Cola Company revela uma mudança notável – de ignorar os meios de comunicação que ligam a obesidade e diabetes ao consumo de refrigerantes para tomar medidas que apresentam a empresa como estando bem ciente dessas questões e trabalhando para ser parte da solução”, diz Natella.

“Para as empresas com marcas tão fortes como Coca-Cola ou AMBEV, o maior risco para o crescimento das vendas e da rentabilidade é uma imagem pública negativa”.

Aqui, as empresas de refrigerantes tem uma enorme vantagem sobre as empresas de tabaco e álcool, ressalta o relatório. Os fabricantes de tabaco não poderiam oferecer cigarros sem nicotina ou livre de tabaco quando as primeiras ligações do produto com o câncer de pulmão surgiram na década de 1960. Só agora, décadas depois, a tecnologia de cigarro elétrico está emergente. Empresas de refrigerantes não devem esperar tanto tempo para investir na busca de um adoçante natural que satisfaça aos consumidores ligados no tipo normal, recomenda o Credit Suisse.

A fabricante de cerveja Brewers, por sua vez, experimentou produzir cervejas com zero de álcool, mas com pouco sucesso. Guinness lançou o “0% Kaliber” em 1986 como uma alternativa de luxo para outras marcas de cerveja pilsen sem álcool, e agora é, usualmente, o único produto desse tipo amplamente disponível na maioria dos mercados.

“Claramente, estamos ainda bastante distantes de um vinho de teor alcoólico zero ou um uísque zero álcool”, aponta Natella.

“Com isso em mente, as empresas de refrigerantes tem uma chance real de adotar uma abordagem pró-ativa em fazer as mudanças certas e ficar do lado dos vencedores”.

 

http://www.brw.com.au/

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