
Utilizar o estilo de vida como tratamento é crucial para os pacientes em risco de doenças crônicas que podem potencialmente ser evitadas, melhorando os hábitos alimentares, de exercício, fazendo-os dormir melhor, e reduzindo o estresse. Encontrar uma maneira de trabalhar em equipe com os pacientes, a fim de motivá-los a fazer essas etapas é fundamental.
Desta vez vamos olhar para um recente estudo que destaca a técnica de entrevista motivacional, e outro que acompanha um estudo de prevenção da diabetes, tudo sobre o estilo de vida como tratamento.
A entrevista motivacional na Prática
Um dos obstáculos para a promoção do estilo de vida como tratamento na clínica não é apenas qual o conselho (por exemplo, tipo de dieta, exercício, etc.), mas como aconselhar de forma eficiente. Muitos médicos dizem que continuamente orientam seus pacientes a comer direito e fazer exercícios, mas com resultados frustrantes.
Embora seja possível existir um problema de conteúdo – o “o quê” – também é possível que exista um problema de comunicação – o “como”.
Uma das técnicas mais recentes em ajudar os pacientes a melhorar seus estilos de vida é através de entrevista motivacional (EM), uma técnica que ajuda os pacientes a resolver a sua própria ambivalência quando se trata de mudar. Originalmente usada para tratar o abuso de substâncias pelos psicólogos Stephen Rollnick, MD, e William R. Miller, PhD, MI, começou agora a ser adaptado para o tratamento da obesidade.
Um estudo recente publicado no Pediatrics avaliou o uso desta técnica com pais de crianças obesas, em idades entre 2 e 8 anos, para um total de 457 pacientes. Percentil de índice de massa corporal foi o resultado primário.
Os pacientes foram divididos em três grupos: um com os cuidados habituais, um com o profissional dando quatro sessões de EM, e um grupo com quatro sessões EM juntamente com uma nutricionista, o que dava seis sessões adicionais EM.
O grupo de cuidados habituais resultou em uma diminuição percentual de 1,8 do IMC, enquanto que o grupo com o profissional oferecendo EM e com nutricionista combinado com EM resultaram em uma diminuição de 3,8 e 4,9 do percentil de IMC, respectivamente. A diferença entre o cuidado habitual e de combinação nutricionista com EM atingiu significância.
Embora os resultados sejam modestos e de significado clínico ainda incerto, a Entrevista Motivacional (EM) demonstrou em outros estudos ajudar na perda de peso em adultos. Na coluna Estilo de Vida e Medicina do mês passado, discutimos como a maioria das diretrizes para várias doenças crônicas relacionam o estilo de vida como tratamento de primeira linha. Colegas dizem que muitas vezes seus pacientes não os escutam, apesar de suplicar-lhes para mudar seus estilos de vida. EM tem uma abordagem diferente por ouvir em vez de dizer. Ela permite aos médicos orientar os pacientes em vez de dirigi-los.
Com relação à implementação da EM para a prática clínica, é altamente recomendável a página motivationalinterviewing.org e o livro “Entrevista Motivacional nos Cuidados de Saúde: como ajudar os pacientes na mudança de comportamento”. O mais importante, uma vez que você aprenda algumas das técnicas descritas, é na prática que você irá aprimorar suas habilidades e ajudar os pacientes.
