
Pressão alta, diabetes e obesidade são os grandes vilões do rim. Quem tem essas doenças está no grupo de risco para problemas renais. A presidente da Abrec (Associação Beneficente dos Renais Crônicos de Mato Grosso do Sul), a nefrologista Aparecida Arroyo explica que a doença se desenvolve, principalmente, em pacientes com históricos anteriores das patologias citadas.
Casos da doença na família e uso de remédio sem orientação médica, principalmente, antiflamatórios, também aumentam as chances de o problema ser diagnosticado. Arroyo revela que qualquer um pode se tornar renal crônico. E os números, segundo ela, de doentes, aumentam a cada ano.
Em Mato Grosso do Sul são cerca de 1,5 pacientes que precisam fazer hemodiálise para viver. A médica lembra que o tratamento avançou, e hoje, os pacientes vivem muitos anos com a doença. “Os pacientes tem uma vida normal. Podem fazer ‘quase’ tudo. Antes era muito difícil. O doente vivia poucos anos”, diz.
Contudo, apesar dos avanços, a doença ainda não tem cura. Uma vez diagnosticada, o renal crônico terá que fazer hemodiálise por toda a vida ou se submeter a um transplante de rim. Por isso, o diagnóstico precoce é importantíssimo para conter o avanço da doença renal crônica.
Arroyo explica que pacientes que sofrem de diabetes não precisam se submeter à diálise, mas controlar a alimentação, enquanto pessoas com pressão alta devem reduzir a ingestão de sal e ingerir bastante líquido.
Na clínica em que a médica trabalha, 150 pacientes são atendidos mensalmente. Cada um faz em média uma hemodiálise a cada três dias. No total, a clínica faz aproximadamente 2,1mil hemodiálises mês.
Natalino Aparecido de Oliveira Farias desenvolveu a doença há três anos. Desde então a cada três dias está na clínica para a hemodiálise. Apesar de concordar com a médica que pode levar uma vida ‘normal’ reclama das políticas públicas para o renal crônico. “Aqui tenho minha vaga garantida. Não há problemas. Mas, se quero viajar onde faço a hemodiálise. Nãoposso simplesmente chegar em um hospital mostrar que sou renal crônico e fazer a hemodiálise, isso restringe a nossa vida”, reclama.
Para Farias, o ideal seria haver máquinas disponíveis em hospitais de todo o país para pacientes em trânsito. “Ai sim teríamos uma vida normal”, comenta.
A doença no país
Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de disfunção renal. A taxa de prevalência é 50 casos para cada 100 mil habitantes.
Os números mostram ainda que em torno de 100 mil brasileiros fazem diálise no país atualmente. A taxa de internação hospitalar para esse tipo de serviço é 4,6% ao mês. Mais de 70% dos pacientes que iniciam o tratamento descobrem a doença quando os rins já estão gravemente comprometidos. A taxa de mortalidade entre eles aumentou 38% na última década.
(Com informações da Agência Brasil)
