
Os médicos podem ter que considerar um sério risco potencial antes de prescrever as estatinas, um medicamento que faz baixar o colesterol e que estão entre as drogas mais prescritas na América. Em um estudo publicado na revista Diabetologia, cientistas da Finlândia descobriram que os homens que tomavam estatinas para baixar o colesterol, tinham 46% mais chances de desenvolver diabetes, após seis anos de uso, em comparação com aqueles que não estavam tomando a droga. Além do mais, as estatinas pareciam tornar as pessoas mais resistentes aos efeitos da insulina, hormônio que quebra o açúcar. O impacto sobre a insulina parece ser maior entre aqueles que começaram a tomar ainda com níveis de glicose no sangue menos altos ou mais próximos ao normal. E, quanto maior a dose de estatina, quanto mais tempo os pacientes tomavam, maior o risco de diabetes.
Estudos anteriores sugeriram que as estatinas podiam elevar os níveis de açúcar no sangue, aumentando o risco de diabetes de 10% a 20%, mas nenhum estudo documentou um efeito tão grande quanto deste último. Os médicos consideram frequentemente estatinas para pacientes que estão em maior risco de doença cardíaca, e um dos fatores de risco para problemas cardíacos futuros é o diabetes. Então como é que estes resultados afetam essa decisão de prescrever estatinas?
“É um cenário de notícia-boa, notícia-ruim,” diz o Dr. Robert Eckel, ex-presidente da American Heart Association e professor de medicina na Universidade do Colorado. “Embora não haja provas convincentes de que os pacientes em uso de estatinas tenham um risco aumentado de diabetes de início adulto, o benefício acumulado [de estatinas] na redução dos riscos de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e doença cardíaca fatal supera os efeitos de ser diagnosticado com diabetes”.
Em outras palavras, o bem que as estatinas podem fazer para as pessoas que ainda não são diabéticas, mas que estão em maior risco de problemas do coração, supera o aumento do risco de diabetes .
E enquanto que o aumento do risco que os cientistas finlandeses encontraram – 46% – ser digno de nota, Eckel aponta que o estudo envolveu apenas homens brancos, e, portanto, não pode ser generalizado para a população em geral. Não está claro qual o papel da história familiar ou história pessoal no aumento do risco de diabetes; alguns podem ter tido outros fatores de risco para a doença que poderiam colocá-los em maior probabilidade de desenvolver diabetes de qualquer maneira, mesmo que eles não estivessem tomando estatina.
Aqueles que desenvolveram diabetes enquanto tomavam estatinas eram semelhantes em muitas medidas metabólicas com aqueles que desenvolveram diabetes, mas que não estavam tomando estatinas, sugerindo que “o tratamento com estatinas aumentou o risco de diabetes, independentemente do perfil de risco da população pesquisada”, escreveram os autores . Em um estudo separado, sediado nos Estados Unidos sobre as estatinas, os pesquisadores descobriram que aqueles que desenvolveram diabetes enquanto tomavam estatinas também tinham fatores de risco para a doença antes de começarem a tomar estes medicamentos.
O que significa que para pacientes confusos e seus médicos, o conselho atual sobre quem deve tomar as estatinas não muda. Os resultados, de fato, destacam a necessidade de uma discussão ao invés de apenas trabalhar através de uma lista de verificação antes de prescrever estatinas. Para o paciente que pode ainda não ser diabético, mas é vulnerável a desenvolver a doença e também pode precisar de uma estatina, Dr. Neil Stone, principal autor do estudo em 2013 do American College of Cardiology, salienta a importância de mudanças de estilo de vida, da dieta e exercício.
“Se você tem um paciente que está propenso a desenvolver diabetes, você está com um paciente de maior risco, porque ele também têm fatores de risco associados à doença de coração. Assim, ele possui potencial para se beneficiar de estatinas. Se ele está iniciando o uso da estatina, nós precisamos ajudá-lo a entrar em forma, e trabalhar com o seu estilo de vida. É ainda mais importante porque se você não fizer isso, e o paciente tomar a estatina e continuar com seus hábitos pouco saudáveis, então ele ficará ainda mais propenso a desenvolver diabetes”, diz Stone.
A história familiar de diabetes do paciente é outra parte importante da decisão de prescrever para alguém o uso da estatina. O médico deve cercar-se de informações e saber que os riscos e benefícios para cada paciente devem ser cuidadosamente ponderados. E o potencial maior risco de diabetes gerado por estatinas, deve ser parte dessa consideração. “A comunicação aqui é tudo”, diz Eckel.
