
Os cientistas fazem algumas coisas muito estranhas para entender melhor como funciona o corpo humano.
Tomemos o pré-diabetes, condição que precede a diabetes tipo 2, mas geralmente vem sem sintomas.
Hoje, cerca de metade dos americanos tem diabetes ou pré-diabetes. Em seu livro, ” The Life Project: a história extraordinária de 70.000 vidas normais“, Helen Pearson conta a história do estudo incrível que ensinou os cientistas de que a pré-diabetes existe.
Na década de 1960, um professor de medicina britânico chamado John Butterfield estava à medida que mais e mais pacientes se queixavam de estarem com sede, cansados, e terem que constantemente ir ao banheiro acabavam por serem diagnosticados com diabetes (usando um teste que observava o açúcar na urina) . Ele se perguntou se havia uma maneira melhor de identificar a diabetes, antes que os sintomas começassem.
Para descobrir isso, ele organizou um estudo incrível, recrutou 25,701 residentes em uma cidade britânica chamada Bedford – a maioria das pessoas da cidade tinha mais de 21 anos. A tarefa? Depois do café da manhã num domingo de manhã, deixar uma amostra de urina em sua porta da frente.
Butterfield e uma equipe de voluntários recolheu todas as amostras e mediu a quantidade de açúcar na urina de cada pessoa. O resultado foi incrível: Ele realmente pode ver os desdobramentos dos primeiros estágios da diabetes.

Ele descobriu que cerca de 1.000 dos moradores da cidade já tinham altos níveis de glicose em sua urina – mesmo sem eles terem tido quaisquer sintomas de diabetes. Na verdade, alguns deles já tinham níveis de glicose quase tão altos quanto os que uma pessoa diabética teria.
Butterfiel descobriu que a diabetes simplesmente não surgia do nada. Ela se desenvolve gradualmente, ao longo dos anos – anos durante os quais os médicos podem agora tentar intervir.
Apesar da descoberta impressionante, o estudo não totalmente saiu de acordo com o plano, Pearson escreve. Aparentemente, alguém tentou burlar a experiência colocando um pouco de sherry (o mesmo que xerez, um vinho forte proveniente da Espanha) no lugar de sua urina real, mas foi descoberto.
“Você pode ter feito algo espantoso, meu rapaz, mas só para ter certeza, poderia por favor, fazer a experiência novamente?”, teria perguntado Butterfield ao trapaceiro. A ciência ainda não encontrou quaisquer condições que fazem uma pessoa urinar sherry puro.
