
Cientistas do Salk Institute, nos EUA, descobriram um novo interruptor molecular que controla a produção de glicose hepática e pode representar uma via inédita para o tratamento da diabetes tipo 2 resistente à insulina.
A pesquisa, realizada com ratos diabéticos, mostra que o controle experimental de um par de moléculas no fígado tem potencial para reduzir a quantidade de açúcar presente no sangue de pacientes diabéticos a fim de tratar a doença.
Para o trabalho, os investigadores tentaram compreender a biologia complexa e delicada por trás do metabolismo humano, bem como os transtornos que se desenvolvem quando o sistema de produção da glicose está fora de equilíbrio.
Durante o dia, os seres humanos queimam glicose, derivada do alimento para abastecer os músculos e outras partes do corpo. À noite, o organismo utiliza a gordura armazenada como fonte de energia libertada lentamente. Mas certas partes do corpo, mais notavelmente o cérebro, requerem a glicose como fonte de energia, mesmo quando em jejum.
Células das ilhotas pancreáticas controlam ambos os lados desta equação da energia. Localizadas no pâncreas, elas produzem glucagon, hormônio libertado durante o jejum, para dizer ao fígado para produzir glicose a ser usada pelo cérebro. Este processo inverte-se quando nos alimentamos, quando as células da ilhota libertam insulina e dizem ao fígado para parar de produzir glicose.
Assim, glucagon e insulina são parte de um sistema de feedback projetado para manter a glicemia num nível estável.
O líder da pesquisa, Marc Montminy e os seus colegas focaram o estudo nos interruptores centrais que controlam a produção de glicose no fígado e outros que controlam a detecção de glicose e a produção de insulina no pâncreas.
Uma das principais conclusões é que o glucagon liga um interruptor genético (CRTC2) que aumenta a produção de glicose no sangue. Por sua vez, quando a insulina é aumentada no sangue, a atividade de CRTC2 é inibida e o fígado produz menos glicose.
No entanto, em diabéticos tipo 2 resistentes à insulina, o interruptor CRTC2 está ligado muito fortemente porque os sinais da insulina não chegam. Como resultado, o fígado produz excesso de glicose e o nível de açúcar na corrente sanguínea é muito alto.
As novas descobertas identificam um sistema de revezamento que explica como o glucagon ativa o interruptor CRTC2 durante o jejum, e como esse sistema é comprometido no diabetes.
Segundo os cientistas, este sistema envolve um receptor molecular (IP3) do lado de fora das células do fígado. O glucagon ativa IP3 durante o jejum, permitindo um aumento do cálcio, uma molécula de sinalização comum na célula. Isso estimula um acelerador molecular conhecido como calcineurina, que ativa CRTC2, ligando genes que permitem que o fígado produza mais glicose.
A equipa também descobriu que a atividade do receptor IP3 e da calcineurina no fígado é elevada em pessoas com diabetes resistente à insulina, resultando em mais açúcar no sangue.
Os resultados sugerem, portanto, que agentes capazes de neutralizar a atividade de IP3 e do acelerador calcineurina poderiam ajudar a desligar o interruptor CRTC2 e baixar o nível de açúcar no sangue de pacientes diabéticos do tipo 2.
A equipe acredita que, apesar dos resultados promissores, ainda são necessários mais estudos para descobrir se essa estratégia pode funcionar em seres humanos.
RCM Pharma
