
Endocrinologistas e demais especialistas que lidam com quem convive com diabete têm usado, cada vez mais, a hemoglobina glicada (A1C) como um marcador importante para prevenção, detecção e acompanhamento da doença. Dessa maneira, a comunidade médica não tem mais dúvidas de que o tradicional exame da glicose em jejum não é mais tão eficaz isoladamente para o diagnóstico e o controle dos níveis de açúcar no sangue.
Vale explicar que o teste hemoglobina glicada mostra como a nossa taxa de glicose tem se comportado nos últimos três meses. O exame pode ser feito no laboratório ou através de aparelhos específicos. Durante a 73ª Reunião Científica da Associação Americana de Diabetes, que acontece até amanhã (25/6) no centro de eventos McCormick Place West, em Chicago (EUA), pesquisadores deixaram claro que as diretrizes para acompanhamento do controle e da progressão da doença nos pacientes são bem flexíveis e seguem a necessidade e os objetivos do tratamento de cada indivíduo.
Recentemente, especialistas chegaram a um consenso: a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% pode até ser considerada como uma das principais metas no controle da diabete, mas não vale para todos os casos. “Em adultos jovens com a doença, podemos até adotar metas terapêuticas mais rígidas. Para as crianças e os idosos, trabalhamos com uma taxa um pouco maior para evitar contratempos como a hipoglicemia”, alerta o endocrinologista Marcos Tambascia, professor da Universidade de Campinas (Unicamp).
Em linhas gerais, as pessoas com diabete devem manter a A1C sob controle para evitar o desenvolvimento de complicações dessa enfermidade, como doenças cardiovasculares. “O problema é que, no Brasil, estima-se que somente 25% dos pacientes tenham essa taxa dentro da normalidade”, diz o médico. Tratamento medicamentoso adequado, dieta balanceada e exercício físico ajudam a deter o descompasso da glicose no sangue. “Quando há uma queda de 1% do nível de hemoglobina glicada, diminui-se em 34% o risco de desenvolvimento de problemas cardiovasculares.”
Durante a 73ª Reunião Científica da Associação Americana de Diabetes, a farmacêutica Sanofi apresentou o lixisenatida – medicamento que tem efeito na taxa de glicose pós-prandial (após as refeições), em dose única diária, e indicado para quem tem diabete tipo 2. “É um produto que ajuda a diminuir a taxa de hemoglobina glicada, sem aumento do peso e com risco diminuído de hipoglicemia”, ressalta Marcos Tambascia. A medicação já teve comercialização autorizada na Europa. No Brasil, a aprovação regulatória ainda está em análise.
* A repórter viajou a convite da Sanofi
