quinta-feira, outubro 22, 2026
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Diabetes – Em quem confiar

Muitas informações sobre como tratar a diabetes pode fazer você chegar a lugar nenhum

O diagnóstico de uma doença não é fácil para ninguém. Mas também pode representar um alívio, quando acontece após longo período de exames dolorosos ou complicados e, claro, encontrando-se uma doença de tratamento não muito conturbado.

Por incrível que possa parecer, muitas vezes o diagnóstico da diabetes também provoca alívio em muitas pessoas. Como exemplo podemos citar casos de diabetes do tipo 2 em que o doente encontra-se com a visão turva e com imenso temor de tornar-se cego. Também há aqueles que perderam muito peso ou tem uma sede intensa sem saber porque aquilo lhe acontece. Enquanto temos desconhecimento da doença, temos medo. Porém após o diagnóstico e início do tratamento, sentimos alívio tão logo ocorrem o desaparecimento dos sintomas que nos levaram à consulta.

Em algum momento o diabético do tipo 1, assim como os pacientes diagnosticados com o tipo 2, se dará conta que a diabetes é uma doença crônica que possivelmente o acompanhará por toda a vida. E quando começar a ouvir sobre a progressividade, consequências, limitações, tratamento e custo, a doença pode se transformar em assustadora.

Porém em nossa realidade existe um paradoxo. Pessoas com poucos esclarecimentos e aquelas com um atendimento médico menos personalizado, possuem muito menos preocupações em relação à doença se formos comparar com aquelas que buscam informações a seu respeito. E isto é fácil de deduzir, visto que pessoas de baixa renda ou escolaridade, quando conseguem, costumam ter um atendimento médico bastante precário mantendo-os em franca ignorância em relação à sua própria doença.

Mesmo os mais abastados, atualmente “são vítimas” de consultas médicas com tempo insuficiente para o recebimento de instruções sobre tratamento de uma doença multifatorial e bastante complexa, como é o caso da diabetes.

Há pouco tempo testemunhei uma marcação de consulta efetuada por um colega de trabalho através do plano de saúde para as 14:20 horas. Pessoas com mais idade lembram que há alguns anos as consultas eram marcadas nas horas inteiras, passando para as meias horas e agora a cada 20 minutos. No caso dele, a consulta era com um dermatologista, mas seria inconcebível se fosse com um endocrinologista especializado em diabetes, os quais são raros em nosso país.

Por este motivo o paciente que pretende realizar um bom tratamento para sua doença muitas vezes se vê obrigado a obter informações das mais variadas fontes além do médico, como parentes, amigos, conhecidos e, principalmente, da internet. E desta forma passamos da situação de termos informações de menos, para termos informações demais, que ao final não faz muita diferença. Como então tirar vantagem disso tudo e fazer proveito desta enorme gama de novos conhecimentos?

Primeiro de tudo, saiba que é inevitável aparecer informações contraditórias. Ora uma fruta faz bem, ora a fruta faz mal. Ora determinada refeição faz bem, ora faz mal. Em quem confiar então?

Isto não é difícil de avaliar. Deve-se verificar a fonte da informação. Estudos publicados em revistas especializadas realizados por pesquisadores de instituições educacionais ou hospitais costumam ter comprovação científica, enquanto que opiniões pessoais costumam ter influências “pessoais” o que não é muito confiável. Isto não se aplica aos blogs de pessoas diabéticas, que por sinal são ótimas referências, porque expressam experiências reais e dificuldades no trato da doença, algo bastante enriquecedor.

Por diversas vezes, como editor desta página, também vislumbrei mensagens de leitores que garantem que seu médico pensa diferente de alguma notícia ou artigo recém-publicado. Neste caso é preferível seguir a orientação do seu médico, pois certamente ele deseja o melhor para você. Porém seria o caso de perguntar em ocasião oportuna o porquê de se discordar de determinadas pesquisas ou do senso comum.

cuidado

O que se deve considerar também nas mais diversas publicações e notícias, é que as pessoas são diferentes umas das outras e, às vezes, o que funciona para um pode não funcionar para outra. Por isso caso alguém vá seguir alguma sugestão, nova alimentação ou mesmo medicamento, deve fazer um monitoramento mais frequente para certificar-se de que o resultado desejado está acontecendo em seu próprio organismo. Um maior número de medições de glicose já é o suficiente para descobrir.

Na busca do tratamento ideal, devemos ter paciência, pois os efeitos de uma nova dieta, da realização de exercícios ou do uso de determinada dose do remédio podem não ser imediato, mas compensador no futuro. Porém caso haja a conclusão de que determinado tratamento não produz nenhuma melhora, deve-se abandonar a estratégia e partir para uma outra mais eficaz.

Atualmente existem algumas centenas de dietas, medicamentos, exercícios físicos, blogs, páginas de internet que podem lhe auxiliar na gestão de sua diabetes e, até mesmo com algum esforço, lhe promover a almejada cura (para alguns casos do tipo 2) ou redução dos medicamentos. Há de se ter em mente que o acompanhamento por uma equipe de saúde é fundamental para se atingir as metas. Médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física, fisioterapeutas podem auxiliá-lo nessa caminhada, entretanto alcançar ou não o sucesso depende exclusivamente de você.

Ney Limonge – é psicanalista. Escreve o blog Psicoanalisando quando lhe sobra tempo e também o  Blog da TiaBeth. Ele não tem diabetes.

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