
Na Sessão Científica da American Diabetes Association de 2014, em São Francisco, no estado americano da Califórnia, os pesquisadores apresentaram novas descobertas sobre a redução do risco de diabetes em pessoas com pré-diabetes através da prática do jejum periódico.
Em pessoas que têm pré-diabetes, a quantidade de glicose no sangue é maior do que o normal, mas não é suficientemente elevada para ser classificada como diabetes.
Em 2011, os pesquisadores do Instituto do Coração da Intermountain Medical Center, em Murray, UT, investigaram como os níveis de glicose e o peso eram afetados pela realização de 1 dia de jejum só à base de água em pessoas saudáveis.
“Quando estudamos os efeitos do jejum em pessoas aparentemente saudáveis, os níveis de colesterol aumentaram durante o período de 24 horas de jejum”, diz Benjamin Horne, PhD, diretor de epidemiologia cardiovascular e genética no Instituto do Coração da Intermountain Medical Center e principal pesquisador do novo estudo.
“As mudanças que foram mais interessantes ou inesperadas foram todas relacionadas à saúde metabólica e ao risco de diabetes”, acrescentou.
“Junto com nossos estudos anteriores que mostraram que rotina de décadas de jejum, foi associado com um menor risco de diabetes e doença arterial coronariana, o atual estudo nos levou a pensar que o jejum é mais impactante para reduzir o risco de diabetes e problemas metabólicos relacionados”.
Consequentemente, Dr. Horne e equipe começaram a investigar os efeitos do jejum na pré-diabetes. Embora Medical News Today não tenha detalhes sobre o número de participantes incluídos no novo estudo, a equipe revelou que os participantes estavam entre as idades de 30 e 69 anos, e cada um deles também tinha pelo menos três fatores de risco metabólicos, tais como:
- Uma grande linha de cintura
- Alto nível de triglicérides
- Um baixo nível de colesterol HDL
- Pressão alta
- Nível alto de açúcar no sangue em jejum
Organismo infesta o mau colesterol nas células de gordura, negando efeitos de resistência de insulina
Os pesquisadores descobriram que durante os dias de jejum, o colesterol dos participantes subiu ligeiramente, como tinha ocorrido no estudo anterior de pessoas saudáveis. No entanto, ao longo de um período de 6 semanas, os níveis de colesterol dos participantes pré-diabéticos diminuiu em cerca de 12%.
“Nós achamos que o colesterol foi utilizado para produzir energia durante os episódios de jejum, sendo que provavelmente tiveram sua origem nas células de gordura”, diz Dr. Horne, “isso nos leva a acreditar que o jejum pode ser uma intervenção eficaz na diabetes”.
Depois de 10-12 horas de jejum, o organismo começa a buscar outras fontes de energia por todo o corpo, a fim de sustentar a si próprio. A equipe do Dr. Home acredita que o benefício para pessoas com pré-diabetes se dá porque o corpo infesta o LDL (ou “mau colesterol”) nas células de gordura, o que anula o efeito da resistência à insulina.
A resistência à insulina ocorre quando a produção de insulina se torna tão alta que o pâncreas já não pode produzir os níveis de insulina exigidos pelo corpo, o que faz com que o nível de açúcar no sangue comece a subir.
“As células de gordura em si são um dos principais contribuintes para a resistência à insulina, o que pode levar ao diabetes”, explica Dr. Horne.”Porque o jejum pode ajudar a eliminar e quebrar as células de gordura, a resistência à insulina pode ser frustrada pelo jejum”.
“O jejum tem o potencial para se tornar uma importante intervenção na diabetes”, diz ele. “Embora tenhamos estudado o jejum e seus benefícios para a saúde por anos, não sei por que o jejum pode fornecer os benefícios de saúde que observamos relacionados com o risco de diabetes”.
Recentemente, Medical News Today relatou um estudo realizado pela Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, que sugeriu que o jejum prolongado pode “reiniciar” o sistema imunológico – protegendo contra os efeitos tóxicos da quimioterapia e provocando a regeneração das células-tronco, produção de novas células do sistema imunológico, bem como servir para limpar as células velhas e danificadas.
Escrito por David McNamee
