
Um grupo de cientistas britânicos que viajaram até o Monte Everest obtiveram uma nova luz sobre a forma como os baixos níveis de oxigênio no sangue contribuem para a resistência à insulina e início de diabetes em adultos.
Os pesquisadores usaram a montanha mais alta do mundo como um laboratório para observar mudanças em 24 indivíduos saudáveis à medida que os níveis de oxigênio no sangue diminuíam, em vez de estudar as pessoas ao nível do mar que já sofriam de resistência à insulina e diabetes tipo 2.
A resistência à insulina, um precursor da diabetes, se desenvolve quando células do corpo rejeitam sua própria insulina, o hormônio que regula o açúcar no sangue. O pâncreas então produz mais insulina e a sobrecarga resultante pode causar danos ao coração, vasos sanguíneos, olhos, cérebro e outros órgãos.
Os pesquisadores descobriram que pessoas saudáveis que passaram oito semanas no Monte Everest começara a desenvolver os mesmos sintomas da resistência à insulina encontradas em pessoas que estão acima do peso ou obesos.
“Acredita-se que o tecido de gordura em pessoas obesas permanecem em um estado crônico de hipóxia leve (baixos níveis de oxigênio), porque os pequenos vasos sanguíneos são incapazes de fornecer oxigênio suficiente para o tecido adiposo”, de acordo com Mike Grocott, professor da Universidade de Southampton e um dos fundadores do Centro de Altitude, Espaço e Ambientes Extremos (CASE Medicina), que coordenou a pesquisa sobre o Monte Everest. Os pesquisadores da Universidade de Southampton e University College London, relataram suas descobertas na revista PLoS One.
Ao nível do mar, a saturação de oxigênio no sangue normalmente gira em torno de 98 por cento. No momento em que os sujeitos do estudo alcançaram o acampamento base à 5.200 metros de altura, os seus níveis caíram para cerca de 82 por cento.
A inflamação e resistência à insulina decorrente dos baixos níveis de oxigênio poderiam apontar o caminho para o desenvolvimento de tratamentos para outras doenças que produzem hipóxia, tais como doença pulmonar, acidente vascular cerebral e mesmo idade avançada. Os níveis de oxigênio começam a cair para todos após a idade de 40 anos, e várias doenças que reduzem a capacidade do sangue de absorver oxigênio suficiente, como a apneia do sono e enfisema, agravam a situação.
