domingo, outubro 25, 2026
Início.NotíciaNo futuro teste de saliva irá substituir sangue na medição de glicose

No futuro teste de saliva irá substituir sangue na medição de glicose

Dispositivo ainda está longe de ser utilizado por pessoas

Um novo tipo de sensor para as pessoas com diabetes está sendo desenvolvido para medir os níveis de açúcar no corpo usando saliva em vez de sangue, relatam os pesquisadores.

Cientistas da Universidade de Brown, em Providence, criaram um sensor testado com sucesso ao utilizar a saliva artificial. Ele usa luz, metal e um enzima especial que muda de cor quando expostos ao açúcar no sangue.

“Todo mundo sabe que pessoas com diabetes têm de picar os dedos a fim de verificar o seu açúcar no sangue e, em seguida, tomar uma ação conforme essas informações. E eles tem que fazer isso várias vezes por dia”, disse o co-autor Tayhas Palmore, professor de engenharia, química e da ciência médica em Brown.

“Nós estamos em busca de uma outra possibilidade, e percebi que a saliva é um outro fluido corporal que pode ser utilizado para esses fins”, disse Palmore.

Essa idéia é bem-vinda, disse o Dr. Joel Zonszein, diretor da Clínica de Diabetes do Montefiore Medical Center, em Nova York. “As pessoas estão sempre tentando chegar a novas idéias de como medir o açúcar no sangue sem ter que picar os dedos.”

O sensor não estará disponível em breve, no entanto. “O processo de [FDA –  Food and Drug Administration] para aprovação vai levar algum tempo, e nós temos que verificar qual a precisão deste dispositivo em seres humanos, especialmente quando estão comendo e bebendo, o que possivelmente irá contaminar a amostra”, disse Zonszein.

Os resultados do estudo, que recebeu financiamento da National Science Foundation, foram publicados recentemente na revista Nanofotônica .

Para verificar o açúcar no sangue – ou glicose – as pessoas com diabetes – especialmente aquelas que precisam de insulina – devem picar um de seus dedos para analisar uma gota de sangue. O sangue é colocado em uma tira de teste que vai para um medidor de açúcar no sangue. Eles deveriam, supostamente, repetir este procedimento quatro vezes por dia, de acordo com a ADA – American Diabetes Association.

Os resultados dos testes de açúcar no sangue guiam o tratamento, frequentemente com os pacientes com diabetes ajustando medicação ou níveis de insulina com base na leitura do teste para manter aceitáveis os níveis de glicose no sangue.

Os pesquisadores de Brown perceberam que a saliva também contém glicose, embora em quantidades muito menores.

O novo dispositivo utiliza a luz e uma superfície de metal que interfere com a forma com que a luz atinge uma amostra, disse Palmore. A luz “lê” como um enzima especial reage à presença de açúcar na saliva para medir a concentração de açúcar em cada amostra.

Os pesquisadores testaram o sensor em saliva artificial para ver como ele funciona sem as possíveis complicações encontradas na saliva real. Por exemplo, alimentos ou bebidas podem alterar os resultados. O sensor foi capaz de detectar os níveis de açúcar com alta precisão, disseram.

Palmore disse que o próximo passo é fazer com que o dispositivo torne-se portátil, pequeno o suficiente para caber em sua mão. Eles também precisam de testá-lo em saliva real além de encontrar fontes de luz de baixo custo. Palmore disse que os pesquisadores também estão trabalhando em maneiras de medir os níveis de insulina no corpo.

Uma espécie de lavagem antes de testar uma amostra de saliva também é necessário. Um bochecho pode remover comida ou outros contaminantes que possam afetar a leitura de glicose, de acordo com Palmore.

“Só porque há uma forma estabelecida de medição de açúcar no sangue, não significa que ele seja o único caminho”, disse Palmore. “Esta é uma área prioritária de pesquisa para muitas pessoas. Há alguma esperança de que você não mais tenha que picar-se a cada duas horas”.

Zonszein acrescentou que a ideia de procurar alternativas é muito boa. “Mas até sair do laboratório para aplicar testes clínicos em humanos ainda está um pouco longe”, disse ele.

FONTES: Tayhas Palmore, Ph.D., professor, engenharia, química e ciência médica, Escola de Engenharia, Providence, RI Universidade Brown; Joel Zonszein, MD, diretor, Clinical Diabetes Center, Montefiore Medical Center, em Nova York; Junho 2014 Nanofotônica

http://consumer.healthday.com/

RELATED ARTICLES

MAIS POPULARES