
1 – Tensão arterial 120/80
A tensão arterial mede a força exercida pela corrente sanguínea na parede das artérias quando o coração bombeia o sangue – a que corresponde o número mais alto, pressão sistólica – e aos períodos de descanso entre batidas – o número mais baixo, a pressão diastólica. O valor é expresso em milímetros de mercúrio (mmHg) no esfigmomanômetro, o medidor de tensão.
Os médicos consideram que está alta e que pode sofrer de hipertensão se ela se mantiver em valores de 140/90 ou acima. Não é à toa que lhe chamam o “assassino silencioso”. A lista de riscos de saúde decorrentes da hipertensão é grande e, segundo os especialistas da norte-americana Mayo Clinic, inclui doenças cardiovasculares como enfarte, doença coronária, cardiomiopatia hipertrófica – coração aumentado, que dificulta a saída do sangue do músculo cardíaco, obrigando-o a trabalhar mais –, AVC, aneurisma e aterosclerose, problemas graves nos rins, como a insuficiência e possível falência renal, demência, doenças dos olhos, como retinopatia ou danos no nervo ótico, disfunção sexual, dificuldades cognitivas e até osteoporose.
Contas em dia: Sempre que visitar o seu médico faça a medição da tensão arterial. Para a manter dentro dos valores normais, modere o consumo de sal, de gorduras e de álcool, vigie o peso, mantenha-se longe dos cigarros, fuja do estresse. Se toma a pílula, saiba que ela faz subir a tensão arterial. “Nas hipertensões graves, normalmente sugerimos que opte por outros métodos anticoncepcionais, como o DIU tradicional, de cobre e sem hormonas, porque o risco pode ser grande”, explica Paula Boavista, médica de Medicina geral. “Hoje, os medicamentos mais usados para tratar a hipertensão são os beta-bloqueantes e os antagonistas do cálcio, porque têm toma diária única e permitem associar outros fármacos.”
2 – Índice de Massa Corporal: 18.5/24.9
Não é só uma questão de caber no vestido certo. Este valor, que traduz a relação entre o peso e a altura, tem implicações sérias na saúde. Se tem menos de 18.5 está abaixo do peso recomendado e corre mais riscos de ter anemia, alterações no período menstrual e problemas de fertilidade, e perda de densidade óssea que pode levar à osteoporose. Entre 25 e 29.9 considera-se que tem excesso de peso e acima dos 30 já é obesidade. O rol de doenças desencadeadas pela obesidade é grande, da diabetes de tipo 2 às doenças cardiovasculares e até cancro. O risco de um obeso vir a sofrer de diabetes é três vezes superior ao de uma pessoa normal.
Tenha atenção ainda ao perímetro da cintura: acima dos 89 cm já comporta riscos cardiovasculares e de diabetes de tipo 2, uma vez que a gordura abdominal é a mais perigosa para o aparecimento deste tipo de doenças, diz a Mayo Clinic.
Contas em dia: De ano a ano, ou depois de uma alteração de peso, calcule o seu IMC (pode fazê-lo facilmente clicando aqui), dividindo o seu peso pelo quadrado da sua altura. Exemplo: 60 kg a dividir por 1,60m X 1,60m). Para um IMC alto, a receita é fazer exercício físico regular e dieta, se possível acompanhada por um nutricionista.
3 – Colesterol HDL: 50
O colesterol não é todo igual, divide-se entre o ‘mau’, ou LDL, responsável por entupir as artérias e danificar as suas paredes com formação de placa – o que mais tarde se traduz num risco elevado de enfarte, doenças coronárias e outros problemas cardiovasculares – e o ‘bom’, HDL, que protege o coração de problemas cardiovasculares, removendo o LDL das artérias. Para exercer essa função protetora, o HDL deve estar acima de 50 mg/dl de sangue. Os valores do colesterol total (HDL + LDL) considerados saudáveis já variaram muito.
“Começou nos 250 mg, baixou para os 200 mg e atualmente considera-se normal até aos 190 mg/dl. Não são valores aritméticos rígidos. Se um doente tiver 220 de colesterol total mas o o HDL for de 65, não lhe vou receitar nada porque os valores estão elevados por causa do colesterol protetor. Noto cada vez mais jovens adultos preocupados em comer bem e em fazer muito exercício físico”, diz Paula Boavista.
Contas em dia: Deixe de fumar, privilegie as gorduras boas, como as dos peixes gordos, e modere o consumo de gordura animal e alimentos processados. As estatinas são o medicamento mais receitado para quem tem o colesterol elevado, mas nem tudo são rosas. “Muitos médicos receitam-nas, mas não são inócuas”, observa a médica. “A principal contraindicação é o facto de serem agressivas para o fígado. Penso que houve um exagero na prescrição de estatinas; já vi muita gente medicada com elas na casa dos 30 anos. É um medicamento caro… e muito rentável para as farmacêuticas.
4 – Hemoglobina glicada: 6,5
A DIABETES afeta 12,4% dos portugueses, segundo números da Direção-geral de Saúde, valores que justificam que a encaremos com seriedade. Até porque é uma doença sistêmica, ou seja, afeta todo o organismo e, quando descontrolada, pode levar à cegueira, amputação de membros, doenças cardiovasculares e até à morte. “Até aos 100, 110 mg de glicemia por dl de sangue considera-se normal. Há quem defenda que quem tem valores em jejum de 60 ou menos, e tem tendência para fazer hipoglicemias frequentes, tem um risco maior de vir a desenvolver diabetes no futuro”, explica Paula Boavista. “Existe outro parâmetro muito mais fiável para determinarmos se a pessoa é diabética ou pré-diabética, a hemoglobina glicada, teor de glicose existente na hemoglobina [presente nos nossos glóbulos vermelhos]. Isto porque, na véspera dos exames, muitas vezes o jejum de 12 horas não é bem cumprido e os níveis de glicose aparecem mais altos. Se os valores em jejum estiverem normais e os níveis de hemoglobina glicada estiverem altos, é porque há diabetes.”
Este parâmetro permite aos médicos analisar os níveis de glicose mais a longo prazo e até fazer prognósticos estatísticos relativamente a ela. “A partir dos 6,5 mg significa que já existe uma diabetes ou pré-diabetes, ainda que encapuzada. Já é um parâmetro comum nas análises de sangue. Se a glicemia em jejum vier normal, ficamo-nos por esse parâmetro, mas se há uma suspeita, historial de diabetes na família ou se houve diabetes gestacional, peço sempre a hemoglobina glicada.”~
Contas em dia: De dois em dois anos todos deveríamos fazer um hemograma de rotina para avaliar os níveis de glicose, entre outros valores. Se há diabéticos na sua família direta, se tem pré-diabetes ou teve diabetes gestacional, a análise deve ser feita de ano a ano, a partir dos 35 anos, observa a médica Paula Boavista. Uma dieta moderada a nível de consumo de hidratos de carbono, pobre em gorduras más e rica em vegetais, ajuda muito, tal como o exercício físico.
5 – Triglicéridos: 150
“São outro tipo de gordura. A com os mesmos efeitos do colesterol; formam placas de ateroma e agrupam-se nas paredes das artérias, danificando-as”, explica Paula Boavista. Valores elevados aumentam o risco de problemas cardiovasculares e de diabetes de tipo 2 e alguns investigadores defendem que implicam um risco cardiovascular maior para as mulheres do que para os homens. “Há hipertrigliceridêmias muito graves, normalmente de tendência familiar – o normal são valores até 150 ou 180 mg/dl de sangue e há quem os tenha a 1000. Há medicação para eles. Os triglicéridos demoram muito tempo a ser metabolizados, por isso é muito importante que o jejum de 12 horas seja mesmo respeitado, para que a medição seja fiável.”
Contas em dia: Quem tem valores elevados de triglicéridos normalmente tem níveis baixos de HDL. “Se à segunda ou terceira medição continuar a apresentar valores acima dos 150, convém começar a fazer medicação – fibratos e não estatinas, como no colesterol.” Para manter os níveis sob controlo, convém vigiar o peso, ter muita moderação no consumo de gorduras, fazer exercício e parar de fumar.
6 – Ureia: 45
Parte das proteínas da carne e peixe que comemos são transformadas em ureia pelo fígado, que depois é filtrada nos rins e eliminada na urina e suor. Consideram-se normais níveis até aos 45 mg por dl de sangue. Mas quando os rins estão a trabalhar a 50% da capacidade, ou menos, a ureia acumula-se no sangue. “É mais comum nos idosos, mas cada vez aparece mais em gente nova, que toma suplementos proteicos para ganhar músculo, no ginásio. Para prevenir, beba muita água e tenha mais cautela no consumo de proteínas para não sobrecarregar os rins”, diz Paula Boavista.
7 – Densidade Mineral Óssea: -1
UMA DENSITOMETRIA é a melhor forma de determinar se estamos em risco de osteoporose ou osteopenia (precursora da osteoporose). Neste exame vão medir-se os níveis de densidade mineral óssea (DMO), a quantidade de mineral existente numa porção de osso. Esse valor é depois comparado com a DMO da população de adultos jovens do mesmo sexo que estão no pico da massa óssea – a altura da vida em que terão valores ótimos – e a relação entre esses dois valores é aquilo a que os médicos chamam índice T. A Organização Mundial de Saúde diz que há osteoporose se o índice T tem valores inferiores a -2,5DP (desvio padrão) e osteopenia com níveis entre -1 e -2.5 DP. Valores superiores a -1 DP são tidos como normais.
Contas em dia: Como a perda de densidade óssea se acentua com a entrada na menopausa, essa é a altura ideal para fazer a sua primeira densitometria. “Não justifica fazê-la antes”, diz Paula Boavista. “O ácido alendrônico e os alendronatos são os fármacos hoje considerados como mais eficazes para travar a osteoporose. Mas também têm riscos. Andar muito a pé e manter uma dieta equilibrada em cálcio são as melhores medidas de prevenção.”
8 – Tiroide (TSH): 0.4 / 4.5
A TIREOESTIMULINA, também chamada TSH (do inglês thyroid stimulating hormone), é produzida na glândula pituitária e rege a atividade da tiroide, levando-a a produzir outras hormonas, como a tiroxina (T4) e a triodotironina (T3), que regem funções essenciais como a regulação do metabolismo, temperatura corporal, distribuição de gordura, ritmo cardíaco e que têm ainda influência na saúde da pele e cabelo, força muscular e até no humor. Consideram-se elevados valores acima das 4.5 mil unidades por litro de sangue – se há mais TSH do que o normal, é porque as outras hormonas não estão a ser fabricadas em quantidade suficiente. Esta condição leva ao hipotiroidismo, mais frequente nas mulheres.
Contas em dia: Sintomas como ganho de peso sem razão aparente, cabelo mais fino e ralo, alterações no ciclo menstrual, intolerância ao frio, cansaço invulgar, pele seca e até dificuldades de concentração e memorização, podem ser sinais de hipotiroidismo e justificam um exame à tiroide, sobretudo a partir dos 35 anos. O tratamento com fármacos à base de hormonas tiroideas sintéticas geralmente é bem tolerado.
