sexta-feira, outubro 23, 2026
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Explosivo da Primeira Guerra Mundial poderia reverter diabetes tipo 2, diz Universidade de Yale

Trabalhadores expostos ao DNP em fábricas de munição perdiam peso. Agora, cientistas da Universidade de Yale acham que este produto poderia ser usado para combater diabetes.

A química que causou inexplicavelmente a perda de peso em trabalhadores de uma fábrica de munições na Primeira Guerra Mundial poderia curar o diabetes, acreditam os cientistas da Universidade de Yale.

DNP (2,4-dinitrofenol) foi utilizado numa escala industrial em fábricas de armas francesas no início do século 20, onde foi misturado com ácido para a fabricação de explosivos.

Porém os trabalhadores expostos à substância química começavam a suar excessivamente, perdendo peso e aumentando suas temperaturas corporais.

Nos anos 1930, cientistas da Universidade de Stanford perceberam que a DNP aumentava o metabolismo em até 50 por cento, queimando enormes quantidades de gordura e carboidratos, fazendo com que, dentro do período de um ano, 20 novos medicamentos que continham a substância química surgissem no mercado.

No entanto, os comprimidos milagrosos foram declarados inseguros depois que um homem que havia tomado uma overdose ‘literalmente cozinhou ate a morte”.

Agora, cientistas da Universidade de Yale descobriram que a versão diluída do produto químico, 100 vezes mais fraca do que as doses anteriores, pode ser usada para reverter o diabetes tipo 2.

Embora o estudo até agora só tenha sido realizado em ratos, a equipe está confiante de que a pesquisa se traduzirá em seres humanos e estão ansiosos para começar os testes.

“A infusão de baixa dose de DNP que foi de 100 vezes menor do que os níveis tóxicos, reduziu significativamente a glicemia e concentrações de insulina em um modelo de roedor com diabetes tipo 2”, disse o principal autor Dr. Gerald Shulman.

“Tendo em vista estes resultados promissores em modelos animais com alto índice de colesterol e diabetes tipo 2 que estamos seguindo com estudos adicionais de segurança pré-clínica para trazer esta abordagem para a clínica”.

A diabetes Tipo 2 ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente para funcionar adequadamente ou as células do organismo não reagem à insulina. Sem suficiente produção de insulina, o corpo não pode transferir açúcares e gordura a partir da corrente sanguínea para as células, fazendo com que os níveis de açúcar fiquem perigosamente elevados, o que pode levar a doenças.

Na Inglaterra, cerca de três milhões de pessoas sofrem de diabetes, um número que deverá subir para 4,6 milhões em 2030 provocado por dietas pobres, falta de exercícios e envelhecimento da população. Cerca de 90 por cento destes casos são do diabetes Tipo 2.

A doença causa graves problemas de saúde à longo prazo, incluindo cegueira, insuficiência renal e amputação de membros inferiores. Os que sofrem desta condição também são cinco vezes mais propensos a desenvolver doenças cardíacas.

Durante o rigoroso inverno, o exército russo dava DNP à seus soldados. Porém havia o efeito indesejado: o emagrecimento.
Durante o rigoroso inverno, o exército russo dava DNP à seus soldados. Porém havia o efeito indesejado: o emagrecimento.

Atualmente não há tratamentos eficazes de diabetes. Cientistas de Yale ouviram sobre DNP e ficaram ansiosos para ver se os baixos níveis de química poderia ser útil no aumento do metabolismo.

Eles descobriram que uma pequena dose diária da substância química foi suficiente para tornar as células mais sensíveis à insulina, fazendo com que elas queimassem mais gordura e açúcar na forma de calor.

Anteriormente, o exército russo utilizava DNP para manter os soldados quentes durante o inverno, mas descobriram que ele causava muita perda de peso.

No entanto, a química continua a ser usada por fisiculturistas e pessoas com transtornos alimentares para perder peso e acelerar o metabolismo, às vezes com efeitos fatais.

Quatro jovens morreram ao tomar DNP na Grã-Bretanha desde 2012, incluindo uma estudante da Universidade de Leeds Sarah Houston, 23, que comprou uma oferta através da internet fazendo com que o primeiro ministro britânico, David Cameron, dissesse que o governo tomaria medidas para limitar a sua disponibilidade.

A Food Standards Agency, alertou contra o consumo de DNP, dizendo que pode levar a ‘náuseas, vômitos, agitação, rubor na pele, suores, tonturas, dores de cabeça, respiração rápida e batimento cardíaco irregular, possivelmente levando ao coma e à morte”, mas não pode proibi-lo uma vez que não é vendido como um medicamento. Ele agora é vendido principalmente como um pesticida.

Os cientistas de Yale dizem que a nova droga seria usada em concentrações tão baixas que é pouco provável que causem quaisquer efeitos secundários.

Richard Elliott, gerente de comunicação da Diabetes UK, disse: “Este estudo, embora promissor, envolveu apenas cobaias animais, por isso é necessário mais pesquisas para descobrir se essa nova forma de DNP é segura para uso e se pode beneficiar pessoas com diabetes tipo 2. É necessário ter cuidado ao considerar estes resultados, porque DNP em sua forma original pode ser extremamente perigoso para a saúde e não é adequado para uso humano”.

“No momento, a melhor maneira de gerir a diabetes tipo 2 é tomar os medicamentos prescritos pelo seu médico e manter um peso saudável, aumentando a atividade física e fazer uma dieta saudável e equilibrada rica em frutas e legumes “.

A pesquisa foi publicada na revista Science.

http://www.telegraph.co.uk/

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