terça-feira, outubro 27, 2026
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Cesariana pode aumentar o risco do bebê para asma, diabetes e obesidade

Mother And Baby Legs. First Steps.

A cesariana pode deixar bebês vulneráveis a problemas crônicos de saúde, como asma, diabetes e obesidade, sugere uma nova análise.

“Grande parte das pesquisas incluídas no estudo não podem provar que cesariana provoca problemas médicos mais tarde na vida. Mas a ligação é forte o suficiente para que as mães discutam o risco com o seu médico de prosseguir ou não com uma cesariana, particularmente quando um parto normal pode ser possível”, disse o autor do estudo Dr. Jan Blustein.

“É uma discussão que é importante tendo em vista o aumento da taxa de cesarianas”, disse Blustein, um professor de medicina e de política de saúde na Universidade de Nova Iorque. “A magnitude da elevação do risco é pequeno, mas mesmo quando falamos sobre um aumento de risco modesto, nós ainda precisamos falar sobre isso”.

Em um relatório online publicado dia 10 de junho no British Medical Journal, Blustein e o co-autor Jianmeng Liu, do Instituto de Saúde Reprodutiva e da Criança em Pequim, notaram que as taxas de cesariana são desnecessariamente elevadas em alguns países, em parte porque alguns partos cirúrgicos são eletivos, feito apenas porque as mulheres solicitaram, e porque as mães que já fizeram uma cesariana são frequentemente encorajadas a fazer novo parto desse jeito.

Durante o trabalho de análise das pesquisas anteriores, eles encontraram 20 estudos que ligam a cesariana ao tipo 1 da diabetes. Eles também encontraram 23 estudos que ligam a cesariana com a asma e nove sugerindo um risco à obesidade.

Nos EUA onde cerca de um terço dos partos são por cesariana, 2,13 de cada 1.000 bebês nascidos dessa forma desenvolvem diabetes tipo 1, em comparação com 1,79 por 1.000 crianças de parto normal, segundo o estudo.

Cerca de 9,5% dos bebês originários de cesárea irão desenvolver asma, em comparação com 7,9% dos provenientes de partos normais. A obesidade se desenvolve em 19,4% das crianças nascidas de cesariana, em comparação com apenas 15,8% das nascidas de partos normais, segundo o estudo.

Se a cesariana pode levar a problemas crônicos de saúde não está claramente estabelecido, mas uma teoria que prevalece é que as mulheres podem passar bactérias saudáveis para os bebês durante um parto normal que o protegerá contra doenças, disse Blustein. Outra possibilidade é que os hormônios liberados durante o trabalho de parto pode desempenhar um papel na minimização do risco, disse ela.

A maioria dos estudos incluídos na análise não forneceu informação suficiente para os pesquisadores concluírem se as características das mães, tais como obesidade, seria responsável por precipitar uma cesariana ou estar ligado a problemas de saúde posteriores da criança, advertiram os autores do estudo.

Com base nas evidências que ligam a cesariana com os problemas crônicos de saúde, no entanto, os autores recomendam que o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG) e o Instituto Nacional de Saúde e Assistência do Reino Unido fizessem uma revisão das diretrizes da prática para incluir o risco à longo prazo de doenças crônicas.

No ano passado, ACOG divulgou novas diretrizes que visam reduzir cesarianas desnecessárias, incentivando os médicos a deixar o progresso do trabalho mais longo e considerar opções não cirúrgicas para ajudar as mulheres a realizarem o parto normal.

“Enquanto partos cesáreos podem ser uma salvação para a mãe e bebê, a cesariana também pode levar no curto e longo prazo complicações para ambos”, disse o presidente da ACOG Dr. Mark De France em um comunicado enviado por email.

Mais pesquisas são necessárias, no entanto, para mostrar se a cesariana por si só ou outros fatores podem contribuir para problemas de saúde à longo prazo em bebês nascidos dessa forma, disse ele.

Mesmo assim, o presente estudo contribui para um corpo crescente de evidências que sugerem que o modo de nascimento pode ter implicações duradouras para a saúde, disse a Dra. Susan Hellerstein, uma obstetra na Harvard Medical School e Brigham e Hospital das Mulheres em Boston.

“Existe um grande número de estudos de observação que estão apontando na mesma direção”, disse Hellerstein, que não esteve envolvido no estudo atual. “Nós deveríamos estar tendo uma conversa com as pacientes sobre o risco enquanto elas estão considerando uma cesariana verdadeiramente eletiva.”

 

FONTE: bit.ly/1Gzdjj0

 

http://uk.reuters.com/

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