
Resultados de longo prazo do Programa de Prevenção de Diabetes constatou que os indivíduos que estão ativos e que realizam exercícios moderados regularmente, têm uma melhor chance de evitar o desenvolvimento de diabetes – talvez até mais do que aqueles que se concentram apenas na perda de peso, sugeriram os pesquisadores.
Independentemente do grupo de tratamento – baseado em estilo de vida ou em medicamentos – durante uma média de 11,9 anos houve uma diminuição de 2% na incidência de diabetes para cada 6 horas no aumento da atividade física semanal, disse Andrea Kriska, PhD, professora de epidemiologia na Universidade de Pittsburgh. Isto é o equivalente a cerca de 1,5 horas de caminhada por semana do que a atividade média, o que foi estatisticamente significativo (HR 0,98, IC 0,97-0,99 P <0,0001), ela relatou.
“Até agora, acreditava-se que a importância da atividade física na prevenção do desenvolvimento da diabetes durante o Programa de Prevenção de Diabetes era devido ao seu papel na perda e manutenção do peso, no entanto, não tendo sido considerado como um fator chave por si só”, disse Kriska na reunião anual da Associação Americana de Diabetes.
Ao comentar na conferência de imprensa, ela acrescentou: “É importante que os profissionais de saúde enxerguem além do peso de seus pacientes de alto risco e também considerem seus níveis de atividade física quando forem discutir estratégias para prevenir a progressão para a diabetes tipo 2”.
No estudo, Kriska e seus colegas acompanharam os resultados de um subgrupo de 1.793 participantes que preencheram os critérios para serem diagnosticados como pré-diabéticos. Desse grupo, 589 foram encaminhados para uma gestão de estilo de vida; 599 doentes foram prescritos metformina; 605 pacientes receberam placebo.
Observou-se o efeito protetor da atividade física maior em pacientes que, no início do estudo, disseram que realizavam menos de 150 minutos de atividade física por semana. Entre estes pacientes, que aumentaram a sua atividade física, houve uma diminuição de 5% no risco na progressão para a diabetes (95% IC 0,93, 0,97 , P <0,0001), relatou Kriska.
“Os resultados também sugerem que a redução do desenvolvimento do diabetes tipo 2 para aqueles que participaram no braço estilo de vida do estudo, pode ser parcialmente explicada pela melhora nos níveis de atividade física, além da perda de peso”, disse Kriska.
Ela disse que os resultados deste estudo foram importantes para os clínicos que cuidam de pessoas que estão na iminência de receber um diagnóstico de diabetes. “Há uma necessidade de olhar para além do peso do seu paciente de alto risco, considerando o nível de sua atividade física, na tentativa de impedir a sua progressão para o diabetes tipo 2”, disse Kriska.
“Manter os níveis de atividade física adequados do paciente é muito importante para frear a progressão da diabetes, independentemente de quaisquer alterações de peso”, disse ela. “Tanto a atividade física quanto a intervenção de peso precisam ser encorajados e apoiados”.
Ao comentar o estudo em uma conferência de imprensa, a moderadora Ann Albright, PhD, diretora da divisão de diabetes no Centro Nacional para Prevenção de Doenças Crônicas e Promoção da Saúde, Atlanta, disse: “Você pode ver que com algumas dessas intervenções, temos a potencial de reduzir o número de novos casos de diabetes”. Ela disse também que as intervenções precisam ser “práticas e implementáveis”.
Cerca de 45% do Programa de Prevenção de Diabetes foi etnicamente diverso, relataram os pesquisadores. Os participantes tinham 25 anos de idade ou mais e foram recrutados em 27 locais nos Estados Unidos. Os participantes que foram designados para o braço de estilo de vida receberam uma intervenção comportamental intensiva em que consistia de nutrição e atividade física com os dois objetivos de ser fisicamente ativos para um mínimo de 150 minutos por semana e alcançar uma perda de peso de 7%. Todos os outros participantes também tiveram o estilo de vida modificado através de conversações.
O Questionário de Modificação de Atividades administrado pelo entrevistador foi usado para rastrear a atividade física anual; o status da diabetes foi determinado pela tolerância oral à glicose anual e testes de glicemia de jejum semi-anuais.
Kriska observou, “Embora o estudo Diabetes Prevention Program não tenha sido projetado para examinar os efeitos separados da atividade física ou do peso sobre a incidência de diabetes, análises posteriores indicaram que os níveis de atividade física ao longo de todo o programa e seus estudos posteriores estiveram inversamente relacionados com a incidência de diabetes, quando controlada por peso e outras variáveis importantes. Estes resultados sugerem que a incidência de diabetes cumulativa inferior encontrada no grupo de estilo de vida ao longo de todo o estudo foi parcialmente explicada por diferenças na atividade física”.
