Em seu livro de memórias sobre os prós e contras do casamento, numa visão poética, a autora Elizabeth Gilbert discorre em um capítulo inteiro, a beleza e necessidade – de “tias” neste mundo. Tias, ela aponta, trazem um apoio e amor para uma pessoa diferente do que os pais fazem. Tias podem enxergar e ouvir coisas de uma forma que ajuda a pessoa a prosperar. Por mais que o mundo precise de grandes pais, elas precisa de grandes tias, também. Ser uma tia talvez seja um chamado.
Há um outro tipo de tia que nosso mundo precisa: e a ligação desta com a pessoa não vem de sangue, mas do açúcar no sangue. O aconselhamento, compaixão e cuidados desta tia não vem do conhecimento do que significa viver com diabetes ou cuidar de alguém com diabetes.
É isso mesmo, estou falando das D-Tias.
E eu sou uma orgulhosa D-Tia para muitos. E a minha filha adulta com diabetes? Ela tem D-Tias em sua vida, também. D-Tias não substituem os pais ou parceiros, mas elas trazem uma camada adicional de “família” que melhora a vida da pessoa com diabetes.
Eu sou do tipo escolada que posso ver de ambos os lados.
Do lado da D-Tia, posso dizer-lhe que o relacionamento se desenvolve de uma forma quase mágica. Você encontra por acaso a diabetes neste mundo, e por algum motivo, algo clica. Você começa a falar mais, conversar online em chats e até mesmo ao telefone. Às vezes você se encontra pessoalmente. Com o tempo, a pessoa com diabetes começa a compartilhar com você – e você – como um D-Tia, está lá para ouvir, dar conselhos, e apenas falar de simples cuidados.
Minha primeira conexão D-Tia veio anos atrás, com Gina, uma linda, sincera, engraçada e surpreendente jovem a quem eu amo muito. É difícil identificar exatamente por quê, mas Gina percebeu que poderia compartilhar seus mais sagrados segredos, medos e alegrias comigo. E eu nunca senti que era uma ameaça para o relacionamento de Gina com a mãe. Comigo ela poderia trabalhar com as coisas e depois descobrir uma maneira de compartilhar com a mãe. Eu sabia – como uma D-Tia – quando dizer, “você precisa falar com sua mãe sobre isso agora“.
Eu tenho alguns outros D-sobrinhos e sobrinhas, também. (Você sabe quem você é.) Eu acordo e vou dormir todos os dias com eles em meu coração.
Meus D-sobrinhos e sobrinhas me dão um vislumbre da vida com diabetes de um jovem adulto, o que me dá uma visão sobre a vida de minha filha que tem diabetes. E o que poderia ser um “Nossa mãe. Que mico!!” da minha filha, por vezes, é bem recebido pelos meus D-sobrinhos e sobrinhas. Educamos, enriquecemos e nos iluminamos reciprocamente.
A minha filha tem muito poucas D-Tias em sua vida. Ela está com 25 anos agora e, às vezes, ela simplesmente não quer falar comigo. Em vez disso, ela se vira para Katie, e Anna, e Jenny, e alguns outros. Eu sei que ela está recebendo esse tipo de amor de tia que não substituiu o meu amor, mas o acentua. Ela é abençoada por ter D-Tias em sua vida.
Recentemente, ela me disse que estaria compartilhando online com uma de suas D-tias as glicemias marcadas pela sua bomba de insulina através de um aplicativo do smartphone (Dexcom Share). Por que? Eu pensei por um momento. Por que não comigo? Meu ciúme foi de curta duração, graças a Deus. Porque eu percebi isso: quão grande é este mundo que entregou sua filha a aquelas D-tias? Ela tem o apoio de pessoas que a fazem se sentir completamente segura, livre e amada para que ela possa trabalhar com as coisas que precisa – sem mim. Seu vínculo forte e bonito com eles é uma dádiva, não uma ameaça.
Então, quem é o seu D-titia? (Ou tio?) Compartilhe isso com eles hoje e agradeça-o por lhe fazer um papel vital em nosso Mundo Diabetes. Assim como Gilbert disse – Tias realmente tornam a vida mais do que boa. Elas a tornam incrível.
Moira McCarthy

