
Dormir bem é tão essencial e positivo para o organismo quanto uma boa dieta ou prática regular de atividade física; no entanto, há muitos que ainda não dão a importância que ele merece. A Dra. Paula Gimenez, diretora da Unidade de Sono da Clínica Vistahermosa – e delegada da ASISA em Alicante, explicou os riscos decorrentes da falta de sono.
Quais são as patologias ou problemas físicos comumente associados com a falta de sono?
O sono é um processo ativo fundamental para a manutenção de um correto estado de saúde física e mental. Durante o sono, são produzidos determinados hormônios, ocorre a recuperação do sistema músculo-esquelético e cardiovascular (pressão arterial e freqüência cardíaca), bem como numerosos processos cognitivos envolvidos na memória e aprendizagem. Por isso, é necessário que o tempo que dedicamos para o descanso noturno seja adequado, para que todas estas funções possam ser realizadas corretamente.
É crescente a evidência científica que liga os distúrbios do sono ou sono de má qualidade, não só a sensação de cansaço ou sonolência durante o dia, mas a um maior risco de obesidade, diabetes, hipertensão, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais e alguns tipos de câncer. As dificuldades na aprendizagem ou distúrbios de comportamento são sintomas comuns em crianças com problemas de sono.
Quantas horas por dia é aconselhável dormir e em que condições?
As necessidades do sono podem variar consideravelmente, dependendo da idade do indivíduo. Por exemplo, um recém-nascido dorme uma média de 14 a 17 horas por dia, uma criança em idade escolar – de 9 a 11 horas, um adolescente de 8 a 10 horas e um adulto 7 a 9 horas, diminuindo para 7-8 horas em idosos. Independente das variações em função da idade, tenha em mente que existem certas variações individuais determinadas geneticamente que vão fazer com que duas pessoas da mesma idade não precisem das mesmas horas de sono, e ainda outras variações dependendo do nível de atividade realizada pela pessoa.
As condições ambientais da residência exercem uma grande influência sobre o nosso sono. É importante que controlemos a temperatura do quarto, uma vez que o sono ocorre quando a temperatura do corpo cai em consequência da redistribuição de calor a partir do interior do corpo para a periferia. A temperatura do corpo depende muito da temperatura ambiente, por isso, temperaturas extremas alteram este mecanismo perturbando o sono. É recomendado que a temperatura do quarto esteja entre 18-21 graus Celsius.

É importante dormir no escuro porque isto é essencial para a produção do hormônio do sono, a melatonina. Sua secreção é interrompida pela luz, fazendo com que a pessoa leve mais tempo para adormecer, desperte mais vezes pela noite e ainda tenha um sono de pior qualidade. O uso de dispositivos eletrônicos (celulares, tablets, computadores) antes de dormir é uma prática muito comum e difundida hoje em dia em nossa sociedade, seja para qualquer idade. A luz emitida pelos dispositivos informa erroneamente ao nosso cérebro de que é dia, retardando ou evitando a secreção da melatonina. Por outro lado, o controle de fatores tais como ruídos, o colchão ou travesseiro também vai ser decisivo.
Como o estresse e horários de trabalho atuais afetam o sono?
O ritmo frenético da vida moderna não nos ajuda a dormir melhor: estresse, muitas horas de jornada de trabalho e ainda ter de conciliar as tarefas domésticas faz com que muitas vezes não tenhamos tempo para se desconectar do mundo, não conseguindo tempo para relaxar e se preparar para o descanso noturno. Nosso cérebro não tem um botão liga/desliga que podemos apertar quando queremos começar a dormir. Nós precisamos de um tempo prévio de relaxamento, de desconexão com nossa vida agitada, dos problemas e estresse do trabalho.
Como podemos aumentar a conscientização sobre a importância do sono?
Apesar dos grandes avanços nos últimos anos no conhecimento das funções do sono e as consequências de sua privação, muitas pessoas acreditam que dormir é perder tempo. Iniciativas como a da ASISA para a promoção da saúde, tais como “durma uma hora a mais” ajudar a promover aspectos saudáveis para a prevenção de doenças. A campanha “durma uma hora a mais” está nos lembrando o quão importante é dormir, mostrando as consequências de não fazê-lo e nos dando recomendações adequadas, apoiados por uma avaliação médica, para melhorar o nosso sonho e nosso bem-estar.
