
A diabetes é uma doença que envolve a vulnerabilidade do corpo. Ao prejudicar a circulação, a diabetes [quando não controlada]¹ causa danos insidiosos nos vasos sanguíneos que alimentam as pernas, coração, rins, cérebro e olhos. Com a redução do fluxo sanguíneo ao longo do tempo, os piores cenários incluem amputação do pé e da perna, insuficiência renal, doenças cardíacas e cegueira.
Felizmente, se você está diagnosticado com diabetes tipo 2, há muita coisa que você pode fazer para preservar a boa circulação e ficar o mais saudável possível. Abaixo, uma conversa com um cirurgião vascular sobre os procedimentos para restaurar a circulação enquanto um especialista em diabetes incentiva a prevenção precoce para evitar a necessidade de uma cirurgia.
Os danos do Diabetes
O fluxo do sangue severamente reduzido para as pernas e pés é o efeito circulatório mais comum causado pela diabetes [não controlada]¹ visto pelo Dr. Gregory Moneta, professor e chefe de cirurgia vascular da Oregon Health and Science University Knight Cardiovascular Institute. O objetivo de sua equipe é restaurar a função da veia e evitar a necessidade de amputação de dedos, pés e pernas ou às vezes até de membros superiores.
Usar veias saudáveis para substituir as veias da perna danificadas pelo diabetes é uma forma de restaurar a circulação, num procedimento conhecido como revascularização. “Tentamos usar a própria veia do paciente – a mesma que você usa para fazer a ponte de safena no coração”, diz Moneta. “Ou então nós tentamos abrir as artérias nativas em suas pernas com cateteres e balões – o que for mais adequado para o paciente individual”. É basicamente sobre “encanamento”, diz ele, embora o encanamento possa ser complicado.
Infelizmente, os membros inferiores nem sempre podem ser salvos. Às vezes uma cirurgia mais invasiva é necessária, sendo a amputação o último recurso. As taxas de amputação entre pessoas com diabetes estão em declínio. Em 1996, a taxa ajustada por idade foi de nove casos para cada 1.000 pessoas com diabetes, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Até 2009, esse número havia caído para 3,2 casos.
“Ainda é um número muito significativo”, diz Moneta. “A maioria delas é abaixo do joelho, mas algumas são acima”. O ponto em que o resgate não é mais possível é quando há muita perda de tecido ou isquemia – muito pouco fluxo de sangue, diz ele. Uma infecção de gangrena no pé pode estar muito avançada para os antibióticos agirem”.
Uma ferida de aparência insignificante no pé pode ser a porta de entrada para as bactérias. “Uma vez que as bactérias estão lá, elas começam a crescer rapidamente e a causar a destruição do pé”, diz Moneta. “É quase como um iceberg. O que você vê na superfície é uma pequena quantidade em comparação com o que está acontecendo por dentro”.
Várias marcadores da diabetes conspiram para causar estragos por joanetes, úlceras e pele rachada nos pés e pernas. Má circulação sanguínea reduz o poder de cicatrização do corpo. Danos nos nervos causados reduz as sensações de dor ou irritação que poderia ter sinalizado um problema anteriormente. A perda da visão por uma má circulação significa que as pessoas nem sempre enxergam bem o suficiente para inspecionar seus pés por fissuras da pele.
A diabetes também afeta as artérias principais, como a artéria carótida que fornece sangue para o cérebro. “Isso é outro procedimento que fazemos com esses pacientes – limpamos suas artérias carótidas para prevenir acidente vascular cerebral”, diz Moneta. As artérias coronárias do coração, também afetadas pelo diabetes, podem requerer os serviços de cirurgiões cardíacos. As pequenas artérias dos rins podem ficar comprometidas, também. “Alguns pacientes perdem a sua função renal e acabam em diálise”, diz ele. Nesse caso, sua equipe coloca enxertos nos braços dos pacientes para permitir o acesso à diálise .
Abraçando a prevenção precoce
Para preservar a boa circulação, é importante motivar os pacientes a monitorar e gerenciar o açúcar no sangue, pressão arterial e colesterol, diz o Dr. Kevin Pantalone, um endocrinologista do departamento de endocrinologia, diabetes e metabolismo da Cleveland Clinic. “Precisamos capacitar os doentes tão logo eles sejam diagnosticados, para que ele venha a entender que isto é um grande negócio”, diz ele.
“Quando você é diagnosticado com diabetes tipo 2, estudos sugerem que você já tenha perdido de 50 a 80 por cento da capacidade do seu organismo de produzir insulina”, explica Pantalone. “Então, no momento do diagnóstico, você já dá a largada na última fila”. Os pacientes podem combater as ameaças à circulação não relaxando em seu regime de cuidados de saúde e abraçando um estilo de vida saudável como o sugerido a seguir:
- Não perca tempo. Fazer mudanças quando você ainda tem essa capacidade remanescente de controlar o açúcar no sangue é essencial, diz Pantalone. “Ao esperar anos para perder peso, por exemplo, mesmo perdendo 25 quilos não vai permitir que o paciente deixe de tomar a medicação ou vai fazer muita diferença”, diz ele, “porque simplesmente ele já não têm a capacidade de produzir insulina”.
- Pare de fumar. “Tabagismo e diabetes é uma combinação horrível”, diz Moneta. “Pode parecer um pouco de exagero, mas é como dar um tiro no próprio vaso sanguíneo – você irá destruí-lo por fumar”. É difícil parar de fumar, por isso não hesite em obter ajuda de seu médico, ajudas para largar o vício e aconselhamento.
- Verifique os pés. “Prestamos muita atenção para os pés dos pacientes quando eles chegam para consultas”, diz Pantalone. “Verifique a sua circulação, certificando-se de que não há úlceras ou cortes”. Sapatos diabéticos são uma forma de ajudar a reduzir os pontos de pressão e o risco de lesões. Entre as consultas, cabe aos pacientes e cuidadores verificar rotineiramente os pés de cima para baixo. “As coisas podem ficar fora de controle em questão de dias ou semanas devido a uma lesão no pé caso ninguém perceba”, diz ele.
- Faça exames oftalmológicos. “Os pequenos vasos sanguíneos dos olhos [quando danificados] podem causar retinopatia e cegueira”, diz Pantalone. “É por isso que fazemos exames de dilatação nos olhos dos pacientes a cada ano. Você pode estar enxergando bem, mas o oftalmologista pode ver que o diabetes está começando a afetar os pequenos vasos sanguíneos da retina, e eles podem fazer algo para tratá-lo a fim de evitar que as coisas piorem”.
- Controle o açúcar no sangue, pressão arterial e colesterol. Quanto mais tempo você tem o diabetes, mesmo pequenas elevações nos níveis de glicose, se continuadas, podem prejudicar a circulação. Para cada pessoa, a medicação é parte do programa quando a mudança no estilo de vida não é o suficiente.
- Não deixe de fazer os exames de laboratório. Você pode se sentir bem, mas sua urina pode identificar problemas ocultos, como perda de proteína. Quando seu exame mostra um aumento da albumina, Pantalone diz, “isso é um sinal de que os médicos podem precisar tratar e controlar o diabetes e pressão arterial de forma mais agressiva”.
- Coma direito e faça exercício. Claro, esse conselho se aplica a todos e mais ainda para as pessoas com diabetes. Mantenha uma boa alimentação e um peso saudável, e ao comer, não deixe de observar o tamanho das porções. Cortar as calorias, evitar refrigerantes açucarados e se exercitar pelo menos 30 minutos por dia, cinco dias por semana, pode manter a circulação em ótimas condições fazendo toda a diferença entre a debilidade e uma vida totalmente ativa.
Lisa Esposito é uma repórter Apoio ao Paciente da US News.
PS do Editor TiaBeth:
1 – Acrescentado pelo Editor TiaBeth
