As pessoas com diabetes estão geralmente conscientes do que elas precisam para manter um olhar atento sobre os seus níveis de açúcar no sangue. Uma alta persistente da glicose (hiperglicemia) aumenta o risco de desenvolver complicações devastadoras relacionadas com a diabetes, incluindo cegueira, insuficiência renal, danos aos nervos e vasos sanguíneos.
Por outro lado, se a pessoa não tem cuidado com a alimentação e nem se certifica de que a dose da medicação ou insulina está correta, a glicose pode cair a níveis muito baixos (hipoglicemia), resultando em sintomas desconfortáveis ou mesmo risco de vida, tais como cansaço, irritabilidade, tonturas, confusão e dor de cabeça.
A maioria das pessoas que fazem check-ups regulares para observar os seus diabetes estão familiarizados com o teste HbA 1c (Hemoglobina Glicada ou Glicosilada). Os médicos muitas vezes dependem do HbA 1c para avaliar o controle da glicose, porque uma amostra simples de sangue fornece informações sobre os níveis médios de glicose durante os últimos 3 meses. No entanto, agora sabemos que depender apenas do HbA 1c para monitorar a glicose no sangue pode fornecer uma confiabilidade precária, mesmo quando o HbA 1c cai de uma forma consistente para dentro da faixa normal.
A razão é que o HbA 1c é uma medida de concentrações médias diárias de glicose e não dá uma indicação de como a glicose esteve flutuando entre as refeições e durante todo o dia e noite. Na verdade, mesmo quando HbA 1c fica estável, pode haver flutuações frequentes na glicemia durante todo um dia, levando, a algumas pessoas, grandes variações nos níveis de glicose com episódios imprevisíveis de hiperglicemia e hipoglicemia.

Na verdade, os sintomas de hipoglicemia são comuns. Em um grande estudo de pessoas com diabetes tipo 2 que tiveram recentemente seus regimes de tratamento ajustados devido ao pobre controle da glicose, 38% relataram ter sintomas de hipoglicemia no ano anterior. Os sintomas foram associados com uma insatisfação com o tratamento e uma inclinação a não mais aderir ao tratamento.
Hipoglicemia durante a noite é especialmente comum. Pode-se suspeitar tê-la tido ao despertar com dor de cabeça, ou quando ocorreu uma má qualidade do sono, sonhos vívidos ou pesadelos, ou mesmo se existe uma sudorese profusa na cama. Inquietação durante o sono, muitas vezes perturba o parceiro.
No entanto, o que é particularmente preocupante é a associação entre hipoglicemia e doença cardiovascular. Quedas anormais da glicose no sangue, especialmente quando severa, aumenta significativamente o risco de ataque cardíaco e de morte.
A variabilidade glicêmica geral – oscilações de altos e baixos do açúcar no sangue – também já comprovou aumentar o risco de complicações relacionadas com a diabetes. Devido a isto, agora é recomendado que o tratamento deve visar não só o controle da glicose no sangue depois e entre as refeições, mas também reduzir a sua variabilidade.
Pelo fato desta variação não ser prevista pelo HbA 1c , este teste não é suficiente para monitorar adequadamente o controle da glicose. Para obter uma imagem fiel das flutuações da glicose, deve-se medir a glicemia de jejum diariamente e também os níveis de glicose pós-prandial.
Anotar os valores em um diário ou aplicativo, juntamente com quaisquer sintomas de hipoglicemia podem ajudar a dar uma melhor imagem do que está acontecendo com seus níveis de glicose no sangue ao longo do tempo.
Então, como pode o controle da glicose do dia-a-dia ser estabilizado dentro de limites estreitos?
Uma das razões pela qual a variabilidade da glicose é tão complexa, é que ela é influenciada por um número bastante grande de diferentes fatores. Estes vão desde o tipo de tratamento do diabetes, como ele é administrado, até a quantidade de gordura corporal que uma pessoa tem, níveis hormonais ou mesmo a dieta.
Em pessoas que necessitam de insulina para gerir as suas diabetes, intensificar a terapia com insulina pode limitar a variabilidade glicêmica, mas pode apresentar dificuldades de ordem prática, pois envolve a administração de múltiplas doses e ajustes contínuos baseados na interpretação de repetidas leituras de glicose no sangue.
Praticamente, no entanto, a esperança pode estar no horizonte sob a forma de novas insulinas de ultra-longa ação que podem melhorar tanto a flutuação da glicose no sangue quanto a previsibilidade do controle da glicose. Estas novas insulinas podem também, pela primeira vez, serem misturadas com insulina de ação curta em um dispositivo de administração para ajudar o controle da glicose durante todo o dia e noite, inclusive após as refeições.
Potencialmente, isso pode significar menos injeções do que seria necessário se as duas insulinas fossem administradas separadamente. Além disso, por causa dos níveis de insulina estáveis obtidos pela insulina de ação ultra-prolongada, o risco de hipoglicemia tanto durante o dia quanto durante a noite fica reduzido.
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