
Tinha apenas 12 anos quando descobri que era diabético. Já estava há duas temporadas no Real Madrid, obviamente que foi um momento difícil. Lembro-me de ir ao hospital, fui obrigado a faltar um torneio com a minha equipe, e fui visto por um médico, que não era endocrinologista. Disse-me que a minha carreira estava condenada.
Passei por momentos muito difíceis naquele fim-de-semana. Três dias depois fui visto pelo Dr. Ramírez, que viria a ser o meu endocrinologista e de quem me tornei muito próximo. Ele disse-me exatamente o contrário, que o futebol não iria terminar para mim. Na verdade, era fundamental que eu continuasse a jogar porque o exercício físico é muito importante. Naquela segunda-feira a minha vida recomeçou novamente.
Claro que é difícil, porque temos de ter três vezes mais cuidados que uma pessoa normal, mas considero que também ajuda, de forma indireta. Temos de ter mais cuidado com a dieta e com o descanso. Tornamo-nos mais responsáveis, pois temos de transportar o nosso equipamento [insulina, monitor, etc].
Não tenho limitações. Tenho a sorte de jogar futebol do mais alto nível e gosto de praticar qualquer desporto, porque é muito importante fazer exercício físico. Faço um pouco de tudo. Quando estou de férias gosto de andar de bicicleta pelas montanhas, faço duatlos e triatlos, a diabetes não me impede de fazer nada.
Tenho de ser um pouco mais cuidadoso em relação a certos tipos de alimentos, mas posso comer de tudo. Tenho sorte porque a situação está controlada e dou-me muito bem com o meu médico. Como já disse, tornamo-nos mais responsáveis e cuidamos mais de nós. Sei que vou ter isto no resto da minha vida, a não ser que encontrem uma cura. É como ter um colega de equipe ao meu lado.
