sexta-feira, outubro 23, 2026
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Sem cirurgia e com muito esforço, psicanalista emagrece 168 Kg

Reynaldo chegou a pesar 245 kg, ele vestia número 84 (Foto: Alberto Marques/A Tribuna)

O sinal de alerta foi quando a falta de ar passou a ser cada vez mais comum. Atividades simples, como ir ao banheiro ou beber água, exigiam esforço extraordinário, sobrecarregando o debilitado joelho esquerdo e o pulmão incapaz de oxigenar o corpanzil. Era a depressão mostrando sua face cruel.

A patologia desencadeou um processo de fuga no psicanalista Reynaldo Corrales Filho, de 52 anos, que buscou alívio na comida para suas dores internas. O resultado se viu na balança: ele chegou a pesar 245 quilos. Hoje, cinco anos depois, o morador de São Vicente emagreceu 168 quilos. E apenas com dieta e exercícios.

Em junho do ano passado, A Tribuna On-line contou a história de Reynaldo, que até então já havia perdido 129 kg.

O fundo do poço se agravou quando os médicos cravaram a desagradável sentença. Ocasião na qual as calças que encontrava apenas em lojas especializadas em São Paulo tinham numeração 84.

O peso extra já comprometia a saúde, com aumento do tamanho do coração e da taxa de gorduras no sangue, rompimento do joelho e problemas articulares. Situação que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) mata 4,5 milhões de pessoas por ano.

A diabetes ultrapassou 514 miligramas por decilitro, quase quatro vezes e meia superior à taxa normal. E a falta de ar era constante. “Para ir ao banheiro, levava mais de 50 minutos para que a respiração voltasse ao normal”.

Seria preciso emagrecer, urgentemente, ou ele teria a vida encurtada. “Naquele instante fiz uma escolha. Optei pela vida. E fiz isso por amor à minha esposa e filhas”, diz.

A primeira alternativa foi buscar a cirurgia bariátrica, operação restritiva na qual o paciente tem o estômago reduzido para auxiliar na redução da massa corpórea. O procedimento foi marcado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em uma clínica no interior do Estado.

Por um ano, Corrales Filho seguiu à risca as instruções que antecedem a operação. Para isso, contou com ajuda de amigos, que faziam vaquinhas para custear a realização de exames.

“Não havia máquinas de tomografia computadorizada que suportassem meu peso”, resume. Assim, eliminou 40 quilos. E quando estava na porta da clínica para o procedimento, um batimento acelerado no coração o fez desistir.

A volta por cima

Ele não sabe o que provocou a sua atitude repentina. Contudo, hoje avalia como a melhor decisão que tomou. “Dos que faziam tratamento comigo, quatro faleceram e os demais não reduziram sequer 50 quilos. Teve gente que voltou a engordar depois da bariátrica”, sustenta.

A recusa, no entanto, teve reação adversa dos que o apoiaram no início. “Diziam que tentei aplicar golpe e me chamavam de covarde”. A reação dos amigos deu a Corrales Filho mais força de vontade. “Jurei para mim mesmo que emagreceria. Era questão de honra”.

Ele procurou ajuda profissional, a qual receitou uma rigorosa dieta de até 400 calorias por dia e o aconselhou a fazer atividades físicas. “Eu comia oito pães franceses e jantava três vezes por dia. Se a gente pedia pizza, duas eram minhas”.

A reeducação alimentar foi acompanhada de aulas de natação. Na primeira vez que caiu na piscina, a falta de ar voltou a atacar. “Foram necessários quatro pessoas para me tirar da água”.

A dedicação foi recompensada a cada vez que pisava na balança. Nos primeiros 30 dias eliminou apenas quatro quilos, quantidade que se manteve nessa média até o décimo mês da nova vida. “Depois, perdi 20 quilos em um único mês e me mantive assim até voltar ao meu peso ideal”.

Dois anos depois da nova rotina, nadando cerca de três quilômetros diários, e três visitas semanais à academia, Corrales Filho voltou ao manequim que usava quando defendia o gol no futebol de várzea: 46. Atualmente, pesa 76,9 quilos.

“O dia que ele vestiu sozinho a meia percebi que era outra pessoa”, afirma a esposa, Ivonete Edington Santos Corrales.

A opção por emagrecer sem procedimento cirúrgico é uma tendência indicada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

O endocrinologista Flávio Cadegiani, membro da entidade, sustenta que a bariátrica é necessária apenas em casos extremos. Geralmente para pacientes com índice de massa corporal (IMC) acima de 35.

 

http://www.atribuna.com.br/

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