segunda-feira, outubro 26, 2026
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Após cirurgia e reversão de sua diabetes tipo 2, Romário pretende levar procedimento ao SUS

Senador perdeu mais de 20 kg após cirurgia experimental contra diabetes

Há nove meses, Romário se submeteu a uma cirurgia que promete a cura definitiva para o diabetes. Após o procedimento, não conseguia comer e perdeu mais de 20 kg. Uma foto do senador sem camisa na praia, com aspecto esquelético, viralizou nas redes sociais. Hoje, ele se diz livre da doença e encampa um projeto de lei para que o SUS passe a oferecer a cirurgia a pacientes diabéticos, afirma em entrevista ao EL PAÍS.

P. Está recuperado da cirurgia que fez para se curar do diabetes?

R. – Eu perdi 22 quilos depois da cirurgia. No começo, teve um período em que perdi 10 kg muito rápido, bum! Divulgaram uma foto minha sem camisa na praia e realmente eu estava bem estranho. Eu fiquei surpreso com a minha própria imagem, mas sabia o que estava acontecendo com meu corpo. Mas as pessoas ficaram assustadas. Quando se trata de Romário, tudo toma outra proporção. Falaram que eu estava com Aids, com câncer e a casa do caralho, tudo de ruim. Mas sempre tive consciência de que a perda de peso fazia parte do processo de recuperação. Sabia que sofreria um pouco até me livrar totalmente da doença.

Você retirou parte do estômago em um procedimento experimental [conhecido como interposição ileal] que ainda não tem aval das entidades médicas. Há registros de mortes de pacientes que se submeteram ao método. Como tomou coragem para fazer a cirurgia?

R. – Tomei coragem porque conheci o doutor Áureo Ludovico pessoalmente. Estive com ele cinco vezes antes da operação. Percebi que era um médico competente, capacitado, que tinha capacidade de me curar. Até para operar uma unha corremos risco. A minha preocupação nessa cirurgia foi a mesma que tive em outras. Antes da operação, eu tinha uma glicose de 420 mg/dL. Logo após 20 dias da cirurgia, minha glicose caiu para 87. Hoje, não passa de 92. Ou seja, estou mais do que curado.

E agora você pretende levar essa cirurgia ao SUS?

R. – Essa é uma cirurgia complexa, que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. A princípio, jamais será reconhecida por planos de saúde, laboratórios e grandes empresas farmacêuticas. Estamos falando de um cartel de milhões, bilhões de reais. Qual laboratório não quer continuar vendendo insulina e remédio para diabético? Qual é a empresa que não quer continuar fazendo campanha publicitária para esses laboratórios e ganhando fortunas com propaganda? Qual é o plano de saúde que quer gastar 30.000 reais oferecendo uma cirurgia dessas? Existe uma grande força contrária à regulamentação desse procedimento. Mas hoje, depois de nove meses, posso afirmar que a cura para o diabetes tipo II existe. Minha luta agora é levar essa cirurgia ao SUS. Sei da dificuldade que terei, mas não é impossível.

 

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