
Uma das combinações de exames mais importantes e interessantes no diagnóstico e avaliação da Diabetes é a dosagem, em conjunto, da Glicemia e Insulinemia (níveis de Insulina no sangue), exame este chamado de Curva Glicêmica e Insulinêmica, também conhecida por curva Glicoinsulinêmica. Neste artigo, vamos falar mais sobre a importância de se realizar essas duas dosagens ao mesmo tempo e que valiosas informações esse tipo de exame laboratorial pode nos fornecer.
O que é a Curva Glicêmica?
A Curva Glicêmica, também conhecida por Teste Oral de Tolerância à Glicose, é um exame onde será dada uma quantidade padrão (75 gramas) de glicose em forma de dextrose para o paciente ingerir, via oral, antes de se iniciar o exame.
Então, será medido os níveis de açúcar no sangue (glicemia) durante o jejum, 1 hora e 2 horas após a ingestão dessa carga de glicose. Com esses dados, podemos fazer uma curva dos níveis sanguíneos de glicose em relação ao tempo.
Esse importante exame nos fornece dados concretos sobre como o nosso corpo está reagindo à ingestão de glicose. Um indivíduo normal deve ter uma elevação não muito acentuada do açúcar no sangue 1 e 2 horas após a ingesta. Para avaliar isso, temos valores de referência para o diagnóstico de Diabetes em adultos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), esses são os valores considerados dentro do normal para a Curva Glicêmica, após 2h do teste:
| Diagnóstico | Valor da glicemia (mg/dl) |
|---|---|
| Glicemia normal | Abaixo de 140 |
| Tolerância à Glicose Diminuída | Entre 140 e 199 |
| Diabetes Mellitus | Igual ou superior a 200 |
O que é a Curva Insulinêmica?
Entendendo o que é a Curva Glicêmica, fica fácil entender do que se trata a Curva Insulinêmica ou Curva Insulínica: nada mais é do que a avaliação dos níveis de Insulina também nesses três momentos: no jejum, 1 hora e 2 horas após a sobrecarga de glicose.
A Curva Insulinêmica é muito importante na avaliação de suspeita de Diabetes ou para verificar a resposta a um tratamento específico. No caso do Diabetes Tipo 2, existe um aumento dos níveis de Insulina juntamente com a Glicose.
Qual é o papel da Insulina na Glicemia?
A Insulina tem diversas ações nas várias células do nosso corpo. Porém, sua principal atividade é retirar a glicose que encontra-se no sangue após a absorção pela alimentação e carregá-la para dentro das células, para que essas possam utilizá-la como energia.
Agora, você pode estar se perguntando: “se a Insulina reduz o açúcar no sangue, porque ela está aumentada junto com a Glicemia no Diabetes Tipo 2?”
Isso acontece porque no Diabetes Tipo 2 existe a chamada resistência insulínica: por conta de uma série de fatores (sendo os principais o excesso de peso e a falta de atividade física – sedentarismo), as células do nosso corpo (principalmente os músculos e o fígado) “fecham as portas” para a ação da Insulina.
É como se as portas das células se fechassem para a entrada de mais glicose, simplesmente porque “pensam” que já têm energia o suficiente dentro delas.
Curva Glicêmica e Insulinêmica: valores de referência
No caso da Curva Glicêmica, na Diabetes ela vai ultrapassar os valores citados acima. Já os valores de referência para a Curva Insulínica são as citadas abaixo:
| Tempo | Níveis de Insulina |
|---|---|
| Jejum | Menor que 25 mIU/L |
| 30 min após ingestão de glicose | 30-230 mIU/L |
| 1 hora após ingestão de glicose | 18-276 mIU/L |
| 2 horas após ingestão de glicose | 16-166 mIU/L |
| 3 horas ou mais após ingestão de glicose | Menor que 25 mIU/L |
Curva Insulinêmica: interpretação
Valores de Insulinemia acima do normal podem indicar resistência insulínica. Isso significa que a Insulina não consegue carregar o açúcar para dentro das células corretamente e, por isso, o Pâncreas tenta compensar esse problema secretando um excesso de Insulina. As condições associadas com resistência insulínica incluem:
- Diabetes Mellitus Tipo 2 (exceto fase avançada, quando o Pâncreas já não consegue mais secretar Insulina);
- Obesidade;
- Acromegalia;
- Síndrome de Cushing;
- Uso de medicamentos esteroides como corticoides;
- Mutações genéticas do receptor de Insulina.
Em alguns casos, o excesso de Insulina também pode ser causado por um tumor secretor de Insulina: são os chamados Insulinomas.
Doenças de fígado ou de coração avançadas podem diminuir a excreção de Insulina e também causar níveis elevados no sangue.
Níveis reduzidos de Insulina podem indicar condições onde há diminuição da produção do hormônio:
- Diabetes Mellitus Tipo 1;
- Pancreatite crônica;
- Destruição autoimune das ilhotas pancreáticas;
- Pacientes que foram submetidos a Pancreatectomia.
