segunda-feira, junho 27, 2022
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Diabetes melhores virão

Quem já conviveu com um sapato apertado ou com uma dor de dente, sabe o quanto isso incomoda. São eventos desagradáveis, porém temporários. Ao tirar o calçado ou visitar um bom dentista, resolvemos o problema. Mas o que fazer se recebemos o diagnóstico de diabetes?

É bastante comum antes do médico revelar a “sentença”, atravessarmos momentos difíceis. Ora emagrecemos muito, ora bebemos água em exagero ou apresentamos sintomas ainda piores. Por isso, quando o médico diz que é diabetes, sentimos um misto de alívio e de tristeza.

Alívio porque a partir de então, começamos a nos tratar e, consequentemente, eliminar o mal-estar que sentimos. A tristeza nem sempre surge de forma imediata, ela vem tão logo descobrimos que a diabetes irá nos acompanhar pelo resto da vida.

Uma vez diagnosticados, começamos a pesquisar sobre esta condição e verificamos dezenas de histórias com finais nada felizes. É o momento propício para a busca e experimentação de soluções milagrosas ou qualquer remédio que diz trazer uma glicemia estável.

Sendo diabética do tipo 1, eu vivenciei este drama, e como editora do TiaBeth, conheci diversos casos parecidos, fosse através das histórias publicadas ou por mensagens enviadas pelos leitores. E isto vale para qualquer tipo de diabetes.

O fato é que ninguém fica indiferente no começo do diagnóstico. Algumas pessoas seguem a orientação do médico à risca tentando evitar a todo custo, os temíveis efeitos colaterais. Outras não se conformam com a doença e negam a sua existência o quanto puder.

Independentemente da aceitação, a cada tropeço paramos para pensar em como enfrentar as dificuldades surgidas durante as tentativas de elaborar o plano perfeito de cuidados. Nessa hora, o universo parece conspirar contra nós. Como não desanimar diante de tantos obstáculos?

Antes de tudo, sempre é bom saber que não estamos sozinhos na caminhada. Pais, amigos, grupos e médicos preocupam-se com nossa saúde glicêmica e mental. E é uma preocupação verdadeira que até nos chateia, às vezes. Também pessoas diabéticas são solidárias com aquelas que têm a mesma condição.

Depois de saber que você não está só, é aconselhável aprender tudo sobre o diabetes. É mais fácil vencer uma guerra quando estudamos melhor o nosso inimigo.

Qualquer pessoa deve fazer uma boa dieta, mas para nós, é fundamental conhecer os efeitos do alimento em nosso próprio corpo. Descubra tudo que aumenta em demasia a sua glicemia, não a glicemia dos outros, e procure reduzir o consumo ou substituí-lo por algo menos explosivo. Quanto menos medicação você tomar, menos sujeito a erros vai estar.

Somente a medição frequente da glicemia nos permite concluir o que nos afeta. Jamais tente adivinhar seu nível de glicose sem a ajuda de um glicosímetro ou outro aparelho como um CGM.

A rotina pode parecer coisa ruim, mas é importante aliada para as pessoas com diabetes. Repita tudo que faz bem à sua glicemia, seja determinada refeição, atividade física ou dança, uma aplicação de dose de insulina. A prática leva à perfeição, ao aprendizado, e a cada dia sem complicações nos sentimos melhor.

Observe como as pessoas positivas com diabetes lidam com suas doenças. O que elas fazem, como se tratam, quais as dificuldades no dia a dia. Não há mágica, todos sentem o mesmo que você sente e passam por aquilo tudo que você passa.

 Às vezes o mundo é cruel e o diabetes pode parecer implacável, mas não podemos desistir. Os dias frios e cinzentos desanimam, mas sempre teremos o céu azul e o sol de volta, questão de tempo. E quando esse dia chega, esquecemos do passado e só pensamos em ser felizes. Cuide-se.

Raquel Limonge – Diabética do tipo 1 desde 1983. Ela é editora do TiaBeth.com.

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