
Os preços dos medicamentos vem aumentando e tornado-se um desafio de vital importância para a Novo Nordisk, a maior produtora de insulina do mundo. Este aumento constante levantou o sinal de alerta, de acordo com o executivo-chefe da empresa dinamarquesa.
Lars Sorensen está certo de uma coisa: o número de potenciais clientes para os seus produtos vai continuar a subir tendo em vista a epidemia global de obesidade e o número crescente de pessoas com o diabetes tipo 2 nas nações em desenvolvimento e demais países.
Mas ele tem um enorme trabalho quando se trata de garantir um bom preço da insulina e de outros tratamentos para a diabetes para os responsáveis pelo reembolso e por causa do custo-consciente de todo o mundo.
“O preço vai ser um desafio”, disse Sorensen em uma entrevista na sede da farmacêutica em Bagsvaerd nos arredores de Copenhague, onde um novo complexo de escritórios em espiral inspirado na molécula de insulina está em construção.
“Na Europa, o preço já é um desafio e nos Estados Unidos, é provável que seja um desafio no futuro, bem como é a reforma da saúde e a concentração na cadeia de distribuição”.
Tem sido um ano bem agitado para o executivo que tem 59 anos de idade e que ocupa o cargo desde 2000. Ele reconhece que o grupo está começando a pensar no planejamento de sua sucessão para quando ele se afastar, em algum momento, antes de seu 65 º aniversário.
Na semana passada ele informou o resultado trimestral do grupo que teve um percentual de crescimento com dois dígitos nas vendas, em termos de moeda local, um recorde que as farmacêuticas rivais só podem sonhar.
Mas os resultados ficaram aquém das expectativas do mercado – um aviso de que as vendas e lucros operacionais só deve crescer um dígito em 2014 preocupando os investidores que compraram as ações da Novo Nordisk por causa de seu histórico de crescimento à longo prazo.

Sorensen insiste que a aspiração de crescimento de vendas com dois dígitos “ainda está lá, viva e no jogo” e a Novo Nordisk não desistiu de sua meta financeira de longo prazo, de 15 por cento do crescimento do lucro operacional, acrescentando que as previsões para o ano seguinte dadas nesta fase são “sempre conservadoras”.
Mas ele admite que um maior crescimento da empresa da região nórdica está ficando cada vez mais difícil, especialmente depois de uma decisão do Food and Drug Administration (FDA) dos EUA no início deste ano que atrasou a aprovação da Tresiba, sua nova insulina de ação lenta naquele país.
Esse revés abriu as portas para a concorrência, como a nova insulina U300 da Sanofi, assim como para a Eli Lilly ameaçar a sua droga Victoza com suas populares drogas não insulina para diabetes, um potencial rival chamado dulaglutide que pode ser até superior.
Em cima de tudo isto, a Novo Nordisk está enfrentando agora uma negociação acirrada sobre os preços com as seguradoras de saúde e com os governos, desafiando a sua estratégia de aumentar os valores cobrados para um preço ainda mais alto de seus medicamentos mais inovadores.
BALANÇO DE PREÇOS
Obter o preço de equilíbrio é agora fundamental para a Novo Nordisk, cuja fábrica gigante em Kalundborg, 100 km a oeste de Copenhague, fornece metade de insulina do mundo, fazendo os produtos modernos e mais caros para os mercados ricos e os genéricos e mais baratos para as nações em desenvolvimento.
Até agora, o Ocidente – em especial os Estados Unidos – tem aceitado os preços mais elevados para os tratamentos mais convenientes e eficazes. Mas o clima está mudando, fazendo com que a Novo Nordisk comece a perder grandes contratos com os planos de saúde, como o que ocorreu com o Express Scripts, em face da concorrência de medicamentos mais baratos que o Victoza. E na Europa, com a onda de austeridade, as pessoas não estão mais dispostas a pagar altos preços pelas novas drogas da Novo Nordisk.
É uma batalha na qual Sorensen acredita que não pode se dar ao luxo de ceder.
“Este é o preço da inovação, caso contrário não seremos capazes de financiar novas pesquisas para os produtos do futuro”, disse ele.
“Nós até poderíamos vender pelo valor que eles queriam (Express Scripts), mas acreditamos que o Victoza é um produto premium e, portanto, exige um preço mais elevado”.
Na Europa, a Novo Nordisk também está enfrentando uma resistência de 60 – 70 por cento, entre aqueles que estão pedindo Tresiba, mas Sorensen disse que não tinha planos para reduzir seu preço, mesmo que isso pudesse significar que o novo medicamento jamais fosse lançado na Alemanha.
Para Sorensen, lutar por uma justa compensação por causa da inovação é questão de princípios, e ele acredita que a Europa terá de encontrar um financiamento extra além da tributação – seja via companhia de seguros ou através de co-pagamentos feitos pelo paciente – para lidar com seu crescente fardo com a saúde.
O impasse, no entanto, é irritante para os investidores ansiosos pelo histórico crescimento da Novo Nordisk à longo prazo.
Sorensen espera ficar tempo suficiente e poder ver a empresa no caminho para a próxima fase do avanço tecnológico – pílulas orais, ao invés de injeções, para entregar a insulina e para os chamados GLP-1, que são medicamentos como o Victoza.
Ele acha que a pílula de GLP-1 pode chegar ao mercado em cinco anos, e com uma enorme possibilidade, o comprimido de insulina chegará daqui a 6-8 anos.
A Novo Nordisk tem acompanhado a empresa Oramed Pharmaceuticals de Israel, em testes clínicos de uma pílula de insulina, o que provocou especulações sobre um possível acordo. Mas Sorensen disse que isso não estava nos planos da Novo Nordisk, pois eles sempre duvidaram da abordagem da Oramed.
Em um nível pessoal, o chefe da empresa dinamarquesa não mostra sinais de que vai abandonar o cargo, tendo recentemente postergado a sua idade de aposentadoria compulsória para entre 62-65. Ele costuma chegar no trabalho pedalando sua bicicleta quase todos os dias e também é um esquiador de cross-country, preparando-se para participar novamente da corrida Vasa na Suécia, que tem 90 km, na neve do próximo inverno.
Quem o substituir terá um caminho difícil a seguir, mas Sorensen vê bons candidatos internos para o cargo.
“Nós gastamos um pouco de tempo trabalhando no planejamento de uma sucessão diligente e estamos fazendo isso no momento”, disse ele.
(Reportagem de Giles Elgood)
