
Quantas vezes você quis cortar arroz, macarrão, batata e outros tipos de carboidratos do cardápio? Considerado um dos grandes inimigos do emagrecimento, o carboidrato figura na lista dos alimentos favoritos de quem come mais do que deve. Por isso foi criada a dieta low-carb (na tradução do inglês para o português, “baixo-carboidrato”).
A dieta low-carb consiste na redução do carboidrato no cardápio. Em vez de consumir várias vezes ao dia, você restringe esse tipo de alimento a, no máximo, uma refeição. Mas será que a dieta low-carb é indicada para todas as pessoas? Será que faz mal à saúde? E se eu malho, posso fazer esse tipo de restrição? A convite do #projetogranola, a nutri Karina Dotta, especialista em nutrição funcional aqui de Blumenau, responde a estas e outras perguntas. Confira!
Quais são as vantagens da dieta low-carb?
Hoje a alimentação da maioria das pessoas é extremamente rica em carboidratos refinados, como arroz branco, pães e massas em geral, biscoitos e outros alimentos açucarados. Estes alimentos são altamente calóricos e não fornecem nenhum nutriente (vitaminas, minerais, fibras). A ingestão excessiva deles está relacionada com a grande maioria dos problemas de saúde atuais, como triglicerídeos elevados, resistência a insulina, diabetes, obesidade e outros.
As vantagens de se restringir carboidratos (não excluir) da alimentação diária é acrescentar outros alimentos poucos consumidos atualmente, como vegetais, gorduras e proteínas de boa qualidade, aumentando consequentemente a ingestão de micronutrientes e fibras. Fazendo a dieta low-carb adequadamente, irá ajudar a controlar e até reverter as doenças citadas causadas pela ingestão excessiva de carboidratos refinados.
E quanto às desvantagens?
Por esta dieta ser rica em proteína, se não for acompanhada pode sobrecarregar o sistema renal (deve-se ter atenção especial em pessoas com problemas renais). Outra desvantagem é a grande ingestão de gordura saturada, que pode elevar o fator inflamatório do organismo e também aumentar o risco de dislipidemias (aumento de gordura no sangue).
Outro problema observado é que as pessoas interpretam a dieta low-carb como sendo extremamente restrita em carboidratos, então excluem praticamente todas as fontes de carboidrato da alimentação e no lugar começam a comer outras fontes alimentares de proteína e gorduras não tão saudáveis, como por exemplo leite e derivados que têm uma resposta glicêmica elevada, carnes gordas, queijos amarelos, gordura saturada e trans, o que pode piorar a saúde.
Quem malha pode fazer esse tipo de dieta?
Sim, desde que orientado por um profissional qualificado. Lembrando que deve-se levar em consideração o exercício praticado e tempo+intensidade, incluindo fontes de carboidratos complexos e de baixo índice glicêmico como fonte de energia para o treino.
Quais cuidados devem ser tomados?
O maior erro das pessoas que fazem a dieta low-carb é excluir por completo a ingestão de carboidrato, mesmo os complexos, o que não é recomendado. Deve-se sim restringir a quantidade!
A restrição total de carboidratos e introdução de outros alimentos não adequados pode causar mudança drástica de humor, enxaqueca, fadiga, tonturas, hipoglicemia e outros problemas de saúde.
É indicado que a pessoa faça a dieta sem orientação médica?
De maneira nenhuma. Por ser uma dieta muito restrita, precisa de acompanhamento nutricional adequado e orientação da quantidade e qualidade dos alimentos ingeridos para evitar perda de massa muscular e demais problemas de saúde.
É indicado cortar o carboidrato total ou parcialmente?
Totalmente não, porque a restrição total de carboidratos pode ser o gatilho de diversas doenças e perda de massa muscular. A restrição deve ser feita parcialmente, diminuindo a quantidade e sempre optando pelos carboidratos complexos, aqueles de baixo índice glicêmico.
Há algum substituto para o carboidrato?
O carboidrato é a nossa principal fonte de energia e é indispensável em diversas rotas bioquímicas que acontecem a todo momento no nosso organismo. Portanto, o mais indicado é substituir os carboidratos refinados pelos complexos, mas não por outro nutriente como a proteína, por exemplo.
Por quanto tempo, no máximo, se deve fazer essa dieta?
Depende do objetivo da pessoa e o quanto ela está restringindo, o tempo que a pessoa permanecerá com esta restrição será determinada pelo profissional de saúde com base no seu estilo de vida, indicadores bioquímicos e composição corporal.
