sábado, outubro 24, 2026
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Adoçantes artificiais podem causar picos de açúcar no sangue

Os pesquisadores dizem que o consumo de adoçantes artificiais, como a sacarina, sucralose e aspartame levou ao aumento do risco de intolerância à glicose, uma condição ligada ao diabetes. Sweet ‘N Low contém sacarina. Equal original contém aspartame. Splenda contém sucralose.

Os adoçantes artificiais podem estar provocando altos níveis de açúcar no sangue em algumas pessoas e contribuindo para agravar os problemas que estavam destinadas a combater, como diabetes e obesidade, de acordo com nova descoberta, publicada na quarta-feira da revista Nature.

Embora as razões precisas por trás das mudanças do nível de açúcar no sangue permaneçam incertas, os pesquisadores suspeitam que os adoçantes artificiais podem interromper o microbioma, um ecossistema vasto e enigmático de bactérias em nossos intestinos.

Em uma série de experimentos, os pesquisadores descobriram que vários dos tipos mais utilizados de adoçantes não-calóricos em alimentos e bebidas – sacarina, sucralose e aspartame – causaram em ratos uma experiência de maior risco de intolerância à glicose, uma condição que pode levar ao diabetes.

“Estamos falando de aumentos muito dramáticos”, disse um dos co-autores do estudo, Eran Segal, um biólogo computacional do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel.

Os mesmos cientistas também monitoraram sete voluntários humanos que não usavam os adoçantes artificiais, mas receberam doses regulares de sacarina ao longo de uma semana. Quatro desenvolveram tolerância à glicose significativa. Separadamente, os pesquisadores analisaram cerca de 400 pessoas e descobriram que as bactérias do intestino de quem usava adoçantes artificiais eram visivelmente diferentes das pessoas que não faziam seu uso.

“Este mundo microbiano mal entendido e enorme, que se encontra em cada um dos nós desde o nascimento, foi comprovado desempenhar um papel fundamental em muitos aspectos da nossa fisiologia, assim como na susceptibilidade a doenças humanas comuns”, disse Eran Elinav, outro dos co-autores do estudo e imunologista do Instituto Weizmann.

Esses resultados de quarta-feira adicionam uma nova e intrigante dimensão ao longo debate contencioso sobre os benefícios para a saúde e potenciais riscos do uso de adoçantes artificiais, que estão entre os aditivos alimentares mais comuns e são consumidos por centenas de milhões de pessoas ao redor do globo.

Enquanto alguns estudos anteriores descobriram que os produtos não apresentam riscos para a saúde e efetivamente ajudam às pessoas a cortar calorias e ingestão de açúcar, outros estudos têm sugerido que certos adoçantes artificiais realmente podem contribuir para a obesidade e outros problemas, incluindo câncer.

Segal e Elinav insistiram que seus resultados são preliminares e não devem ser tomados como uma recomendação sobre se as pessoas devem reconsiderar o uso de adoçantes artificiais.

“Nós não vemos isso como o nosso papel”, disse Segal. “Pelo contrário, como cientistas, nós simplesmente apontamos para o imenso corpo de experimentos que realizamos em humanos e em camundongos. Este estudo e estes resultados devem promover debates adicionais e novos estudos sobre o atual uso maciço de adoçantes artificiais”.

Elinav acrescentou: “Esta questão está longe de ser resolvida”.

http://www.washingtonpost.com/

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