domingo, outubro 25, 2026
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Educação em diabetes: um dever de todos – 2ª parte

O farmacêutico bem treinado é uma figura de fundamental importância na promoção da educação em diabetes, mas, infelizmente, ainda é relativamente reduzido o número de profissionais farmacêuticos envolvidos na educação e no controle do diabetes.

No atendimento ambulatorial, a frequência de contatos do paciente com o farmacêutico é bem mais expressiva do que com qualquer outro membro da equipe de saúde. A literatura internacional apresenta vários estudos que comprovam a importância e a efetividade da atuação farmacêutica nas atividades de educação e controle do diabetes tanto em nível hospitalar como em nível comunitário e ambulatorial.

Um artigo publicado já em 2005 mostra os resultados de mais um estudo clínico que avaliou a efetividade da intervenção farmacêutica estruturada no controle glicêmico, no controle da pressão arterial e no uso preventivo de aspirina como anti-agregante plaquetário. Participaram desse estudo 191 pacientes com diabetes que foram seguidos durante um ano.

Os parâmetros de controle avaliados comparativamente, no início e após 12 meses de seguimento, apresentaram os seguintes resultados na avaliação final:

  • a) hemoglobina glicada (A1C) média de 7,8% em comparação com 9,5% no início do estudo, e 72% dos pacientes apresentou uma redução de A1C maior que 1%;
  • b) pressão arterial média de 135/75 mmHg em comparação com 141/79 mmHg no início do estudo;
  • c) percentual de usuários de aspirina de 73% em comparação com apenas 34% no início do estudo; e
  • d) economia estimada de custos de US$ 820,00 a cada 1% de redução de A1C no final do estudo, o que resultou numa economia de custos de US$ 59.040,00.

Os principais obstáculos à promoção da educação em diabetes

A educação em diabetes é um excelente investimento em saúde pública que não vem recebendo o devido apoio das estruturas privadas e oficiais de saúde. O primeiro obstáculo à implantação de programas eficazes de educação em diabetes reside justamente no conceito segundo o qual essa estratégia seria apenas um custo suplementar, e não um investimento racional de grande valia para a prevenção das complicações agudas e crônicas da doença. A mentalidade preventiva ainda não está presente em nossas prioridades de saúde.

O segundo obstáculo é a escassez de programas regulares e contínuos de educação e controle do diabetes, situação que se deve não apenas a problemas de falta de investimentos nessa atividade como também à falta de profissionais de saúde devidamente treinados e habilitados para o exercício dessa importante tarefa. Ressalte-se, ainda, que não existe no país uma postura de benefícios adicionais àqueles poucos profissionais de saúde que se dedicam ao aprimoramento de seus conhecimentos e à melhora de seu desempenho na atenção às pessoas com diabetes. Esse seria o terceiro obstáculo.

A responsabilidade da indústria farmacêutica na educação em diabetes

A Lei nº 11.347, de 27 de setembro de 2006, dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários à sua aplicação e à monitorização da glicemia capilar aos portadores de diabetes inscritos em programas de educação para diabéticos.  O parágrafo 3º do artigo 1º da referida lei federal estabelece que “é condição para o recebimento dos medicamentos e materiais citados no caput estar inscrito em programa de educação especial para diabéticos”.

Muito embora o espírito da lei ao fazer essa exigência seja altamente louvável, a realidade dos fatos nos mostra que esse quesito vem sendo sistematicamente ignorado em razão da quase inexistente estrutura de programas de educação em diabetes em todo o país.

O grande problema é que, tanto na clínica privada como nos programas governamentais de saúde, o médico está sobrecarregado e não dispõe do tempo necessário para orientar o paciente. Além disso, o número de profissionais de saúde não médicos e com treinamento adequado em diabetes também é muito escasso. Como consequência, o paciente acaba por receber medicamentos de uso razoavelmente complexo, como a insulina, o que pode resultar em diversos tipos de erros graves na técnica de sua aplicação.

As empresas farmacêuticas podem e devem implementar ações educacionais em diabetes de maneira ética e sem interferir na conduta médica, disponibilizando uma estrutura de educadoras especialmente treinadas para tentar suprir, pelo menos parcialmente, a deficiência reinante nesse setor. Além disso, tais empresas também devem implementar estratégias de manutenção da adesão a produtos de uso crônico através de programas de redução de custos de medicamentos especiais.

Em resumo, a união de esforços entre iniciativas privadas e governamentais é uma postura altamente desejável para promover a educação adequada em diabetes tanto do ponto de vista da informação como da facilitação do acesso a medicamentos especiais de uso crônico.

Por Dr. Augusto Pimazoni Netto, coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.

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