segunda-feira, outubro 26, 2026
Início.ArtigoAs 4 fases do diabetes

As 4 fases do diabetes

planta-crescimento

Sempre que nos deparamos com algum texto ou explicação sobre o diabetes, seja nos programas de televisão ou palestras, percebemos que o foco está sempre voltado na prevenção de problemas físicos e enfermidades secundárias, sobre alimentação balanceada ou na importância do tratamento medicamentoso. Não que tudo isso não seja primordial na vida dos diabéticos, porém, existe um lado que na maioria das vezes fica totalmente esquecido, que é o efeito emocional que o Diabetes causa nos pacientes e em seus familiares.

Poucas pessoas sabem que o Diabetes afeta o lado emocional de maneira tão intensa e importante quanto afeta o corpo físico. Eu mesma sou diabética tipo I, e durante meus 21 anos de convivência com a doença, nunca recebi esse tipo de informação de nenhum profissional da saúde. Mas nós sabemos desses efeitos psicológicos, que é quando nos sentimos sós, desamparados, sem ter a quem recorrer. Acabamos por nos revoltar com a doença, com a vida, e nos perguntamos – “Por que eu? Por que comigo?” ou “Por que com o meu filho, que é só uma criança”? Nos recusamos, então, a cumprir com a nossa rotina diária de injeções, comprimidos, exames de glicemia, dieta e demais exames.

Quando você se sentir assim, saiba: Você não está sozinho!

Ao adoecer, nós passamos por quatro fases

Porque o adoecer causa uma ferida no nosso sentimento de onipotência e imortalidade, a doença envolve também a vivência de uma fragilidade e dependência em relação ao outro. Muitas vezes causa frustrações, sofrimentos e limitações em nossos projetos de vida. Essas fases fazem parte de um processo natural, mas depende também da visão que o próprio indivíduo decide escolher. Ele pode se agarrar a negatividade e não tentar ver que a vida é muito mais do que o diabetes, ou pode ser positivo, engajado em melhorar e viver uma vida plena mesmo com a condição.

Toda enfermidade considerada crônica, como é o caso do diabetes, possui fases psicológicas definidas, que vou detalhar a seguir. Pode ser que você identifique estar atravessando alguma delas.

1a. FASE: REGRESSÃO

A regressão constitui um mecanismo de adaptação à doença. Chama-se regressão porque o paciente pode se libertar temporariamente da sua posição adulta, e infantilizar sutilmente as suas ações (no caso de adultos). Por exemplo, se comportando como uma criança que precisa ser lembrada a todo o momento de tomar suas medicações, não fazer esforços porque alguém o fará por ele, dizer que não pode realizar determinada atividade porque é diabético. No caso de crianças, podem voltar a fazer coisas que já não condizem com a sua idade, por exemplo, uma criança de 10 anos que volta a fazer xixi na cama.

2a. FASE: NEGAÇÃO

A negação é um sistema de defesa do indivíduo quanto à tomada de consciência sobre a doença. O diabético sabe que tem a doença, mas não aceita essa nova realidade. Isso implica em um problema muito sério para ele, porque quando o indivíduo está em negação, deixa de seguir a dieta, tomar seus medicamentos, ou fazer os exames de rotina, porque acredita que nada vai lhe acontecer. Ele acredita que esse tipo de enfermidade não vai vencê-lo, e que mesmo sem se cuidar adequadamente, estará bem e saudável. E esse é um grande erro, já que o diabetes é uma doença silenciosa e não causa sintomas ou sinais aparentes, o que leva o paciente e a sua família a acreditar que ele está bem e saudável, o que é um tremendo engano.

3a. FASE: DEPRESSÃO

A depressão é a consequência psíquica quase inevitável do processo de adoecer. Acontece quando o diabético percebe que realmente tem a doença, quando a “ficha cai”. Ele vê que suas atitudes agressivas e negativas não vão fazer com que esse quadro melhore, e assim se sente não só infeliz, como impotente diante da doença. O diabetes é uma doença disciplinadora, o paciente se da conta de que se quiser viver bem e sem complicações futuras, ele deverá se acostumar com aquela nova realidade, precisará deixar para trás alguns hábitos alimentares que gostava tanto, o que não é uma tarefa fácil. Nesse momento é imprescindível o apoio de familiares e amigos.

4a. FASE: ACEITAÇÃO

Passada a depressão, o paciente já está se adaptando à “nova vida”, e passa a se cuidar mais, sem murmurar todas as vezes que precisa realizar um procedimento. Já aceita a condição como algo natural da vida, que pode acontecer com qualquer pessoa. Ele então escolhe viver da melhor maneira possível sabendo que as limitações existem para serem vencidas. Passa a entender também que quando o médico pede algum exame ou dá uma pequena bronca, é para o seu bem, pois ele está ali para cuidar dele e evitar que possa ter maiores complicações com a sua saúde. A esperança renasce para esse indivíduo, ele se sente melhor e mais feliz e volta a ser a pessoa que sempre foi, porém mais consciente sobre o valor da sua vida.

Qual é a fase mais difícil para o diabético?

Na minha opinião, a negação, porque no caso do diabetes, a negação vai e volta muitas e muitas vezes durante a vida. A grande maioria dos diabéticos nunca chega a aceitar completamente que tem essa doença. Não é nada fácil ser diabético, eu mesma já entrei várias vezes em negação, mas hoje em dia posso me revoltar e não aceitar, porém nunca abandono o tratamento. Aprendi que o diabetes é uma doença muito séria e não se pode brincar com isso.

Nessa fase, é importantíssimo o apoio da família, para que o diabético não abandone o tratamento e não deixe de realizar os exames de rotina como a hemoglobina A1C e o mapeamento de retina.

Qual a recomendação?

Cada fase deve durar no máximo seis meses, porém se for muito intensa, um psicólogo deve ser procurado antes disso, pois seu trabalho costuma ser eficiente, e melhora intensamente a aceitação da condição.

Lembre-se, você nunca está sozinho, nós somos milhões de diabéticos, e precisamos nos unir e desmistificar essa doença. Se falarmos sobre isso e tirarmos nossas dúvidas, cada dia será mais fácil nos cuidarmos.

 

lucyLuciana Mangini, 31 anos, estudante de medicina, diabética tipo 1 desde 1995. Ela também é colunista do TiaBeth.com.

 

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS POPULARES