
Pessoas sensatas não costumam tomar conhecimento dos conselhos de especialistas sobre o que deve ou não comer, pois corriqueiramente, a última mania alimentar acabará por se mostrar nada saudável. Há, no entanto, um grupo para quem esse conselho, promulgado pela primeira vez exatamente há 35 anos, se revelou desastroso.
O diabetes do início da maturidade (ou do Tipo 2 ) é, como todos sabem, uma condição de intolerância aos carboidratos aonde o pâncreas produz insulina insuficiente para as necessidades do corpo ou os tecidos são resistentes à sua ação. De qualquer maneira, o metabolismo do corpo não pode mais utilizar os açúcares em alimentos à base de carboidratos, pois os níveis de glicose no sangue se elevam e a energia não utilizada se estabelece como gordura.
Assim, historicamente, aqueles com diabetes tipo 2 foram aconselhados a restringir a quantidade de pão, massas, batatas, etc consumidos em favor da carne e produtos lácteos. Este regime dietético combinado com perda de peso foi muitas vezes suficiente para restaurar seus níveis de açúcar no sangue para o normal. Entretanto, no ano de 1982, uma aliança de influentes nutricionistas e epidemiologistas reverteu esse conselho lógico, alegando que a carne e os produtos lácteos contêm gorduras saturadas que elevam o colesterol, causando dezenas de milhares de mortes prematuras por ataque cardíaco.

As pessoas com diabetes do tipo 2 são particularmente propensas a doenças cardíacas e assim foi decretado que elas também deveriam renunciar à carne e produtos lácteos e, em vez disso comer muita fruta “saudável” e carboidratos e ainda tomar comprimidos para controlar o açúcar no sangue. Consequentemente, desde então a prevalência do diabetes tipo 2 aumentou três vezes – muitos pacientes, os quais se encontram com excesso de peso, têm considerável dificuldade em controlar a sua condição – e o custo do tratamento do diabetes tem disparado. Uma catástrofe de fato.
Desde o desmentido sobre a gordura saturada causar doenças cardíacas, conselhos mais sábios estão começando a prevalecer. Embora seja compreensível que os responsáveis estejam relutantes em admitir que eles poderiam ter errado, o grupo de pressão Diabetes UK que deu origem a essas mudanças dietéticas há três décadas, recentemente e, sem fanfarra, mudou o aconselhamento dietético em seu site para recomendar de “5-a- 14 porções de alimentos amiláceos por dia” e finalmente admitindo que “você deve reduzir sua ingestão de carboidratos”.
